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Capa do romance Nunca Mais Serei Um Peão: A Ascensão da Diva

Nunca Mais Serei Um Peão: A Ascensão da Diva

Vanessa Hayes dedicou oito anos e sua voz a Hugo, apenas para descobrir uma traição cruel. No dia em que esperava um pedido de casamento, ela ouviu Hugo revelar que a usava como peão para conquistar outra mulher. Após ser humilhada, ferida e jogada em uma piscina gelada por ele, Vanessa decide dar um basta. Agora, ela parte para Paris em busca de liberdade, transformando seu fado em um grito de independência. Nunca mais ela será manipulada por ninguém.
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Capítulo 2

O fado que eu cantava naquela noite no coração de Alfama era sobre saudade e amor perdido. O meu nome é Vanessa Hayes, e a minha voz era a única herança que a minha família, fadistas há gerações, me tinha deixado.

Mas o meu fado pessoal tinha um nome: Hugo Gordon.

Ele era o melhor amigo e sócio do meu irmão, Jonathan. Eu tinha dezasseis anos quando o vi pela primeira vez, e o meu mundo mudou.

Esta noite, na festa dos Santos Populares, o cheiro a sardinha assada e a música popular enchiam o ar. Eu, já com alguma coragem a mais por causa do vinho verde, aproximei-me dele.

"Hugo, eu gosto de ti."

Ele riu, o som abafado pela música.

"És uma miúda, Vanessa."

Agarrei-lhe no braço, a minha voz um sussurro desesperado.

"Eu vou esperar por ti. Eu vou crescer."

Ele olhou para mim, um brilho divertido nos olhos.

"Está bem. Se ainda gostares de mim quando fizeres vinte e quatro anos, eu penso nisso."

Essa promessa, feita em tom de brincadeira, tornou-se a âncora da minha vida.

Durante oito anos, eu esperei. Recusei outros homens, concentrei-me na minha música, transformando a minha paixão por ele em fados que emocionavam Lisboa. Cada canção era para ele. Cada aplauso era uma prova de que eu estava a tornar-me digna dele.

Hoje, eu fazia vinte e quatro anos.

O meu coração batia descontrolado. Vesti o meu melhor vestido, um azul profundo como o Tejo à noite, e peguei na garrafa de Porto vintage que tinha mandado personalizar com a data de hoje. Era a minha confissão.

Cheguei ao restaurante de luxo na Baixa, onde sabia que ele estava a celebrar com os amigos. A porta estava entreaberta, e as vozes deles chegavam até mim.

"A 'fadistazinha' irritante deve estar a chegar. Estás pronto, Hugo?"

A voz era de um dos amigos dele.

"Claro," respondeu Hugo, a sua voz cheia de desprezo. "A atriz já chegou com o bebé. A Lilith vai fingir ser a minha namorada, e vamos anunciar o nosso noivado. Assim, a Vanessa desiste de vez."

"E depois disto," continuou Hugo, "finalmente vou poder confessar-me à verdadeira Lilith. Usar esta farsa para me livrar dela e para me aproximar da mulher que realmente amo. Perfeito."

O som da garrafa de Porto a estilhaçar-se no chão de mármore foi abafado por uma gargalhada geral.

Eu não senti nada. Apenas um vazio gelado.

Virei-me e corri para a chuva que começava a cair, o meu vestido azul a ficar manchado e pesado. A maquilhagem escorria-me pela cara, misturando-se com as lágrimas que eu nem sabia que estavam a cair.

O meu primeiro encontro com Hugo tinha sido na vinha da família dele, no Douro. Eu era uma adolescente desajeitada, ele era o herdeiro carismático. Ele ofereceu-me uma camélia branca da sua quinta, e eu guardei-a como um tesouro.

Durante oito anos, colecionei bilhetes de concertos que ele nunca foi ver, camélias secas da sua propriedade e a rolha da primeira garrafa de vinho que partilhámos. Sacrifiquei a minha juventude por uma piada.

Parei numa esquina, encharcada e a tremer, e liguei ao meu irmão, Jonathan.

"Jon, estou pronta. Quero ir para Paris. Quero estudar no conservatório."

A voz dele do outro lado era cheia de alívio e preocupação.

"Vanessa, o que aconteceu? Claro que sim. E vais conhecer o meu amigo, o Leonel. Ele vai ajudar-te."

"O Hugo… ele estava a mentir este tempo todo," consegui dizer, a voz a falhar.

"Eu sei, Vanessa. Eu tentei avisar-te. Ele não te merece."

As palavras dele eram uma confirmação dolorosa. Ele sabia. Todos sabiam, menos eu.

Senti o meu telemóvel vibrar. Uma mensagem de Hugo.

Era uma fotografia de uma impressão de pezinho de bebé em gesso e um convite de casamento falso com o nome dele e de Lilith. A mensagem dizia: "Desiste. Vou casar."

Os meus dedos tremiam, mas a minha mente estava estranhamente clara.

Respondi apenas com uma palavra: "Adeus."

Apaguei o número dele. Bloqueei-o.

Cheguei a casa, ao meu pequeno quarto em Alfama. Abri a caixa de madeira onde guardava os meus tesouros. Os bilhetes, as camélias secas, a rolha. Oito anos de esperança.

Virei a caixa sobre o caixote do lixo e vi tudo cair. Um som oco. O som do fim.

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