
Nunca Mais Serei Sua
Capítulo 3
Bruno não a seguiu para fora da festa, em vez disso, ele a encontrou horas depois no estacionamento, depois que a maioria dos convidados já tinha ido embora. Ele a agarrou pelo braço e a forçou a entrar no carro, sem dizer uma palavra durante todo o trajeto para casa. A tensão dentro do veículo era tão espessa que Sofia mal conseguia respirar.
Ao chegarem à casa que um dia ela considerou um lar, a primeira coisa que Sofia notou foi a mala de Bianca no corredor. A presença dela ali era uma violação, uma invasão em seu espaço mais íntimo. Roupas, sapatos e produtos de higiene pessoal de Bianca estavam espalhados pelo quarto de hóspedes, como se ela já morasse ali.
"Ela vai ficar aqui por alguns dias," Bruno disse, de forma casual, como se estivesse falando do tempo. "Até a poeira baixar."
Sofia não respondeu, ela simplesmente caminhou até o quarto deles, sentindo-se uma estranha em sua própria casa. O lugar parecia frio e impessoal, desprovido de qualquer calor ou amor. Ela se sentou na beirada da cama, o corpo todo tremendo.
Bruno entrou no quarto logo depois, trazendo um copo de água. Ele o colocou na mesa de cabeceira e tentou tocar o ombro dela.
"Sofia, escute..."
Ela se encolheu, afastando-se do toque dele como se fosse veneno.
"Não me toque," ela disse, a voz baixa e sem emoção. Estava exausta demais para gritar, para brigar. A dor era um peso constante em seu peito.
Ele suspirou, um som de frustração.
"Olha, eu sei que você está chateada, mas tente entender. A reputação de Bianca é tudo o que ela tem. Ela não é casada, a família dela é muito tradicional. Um escândalo como esse poderia arruiná-la."
Sofia o encarou, incrédula.
"E a minha reputação? E a reputação do seu filho? Isso não importa?"
"É diferente, Sofia. Nós somos casados. As pessoas esquecem. Mas Bianca..."
Ele parou de falar quando um trovão retumbou lá fora, sacudindo as janelas. Uma tempestade forte estava começando. Quase que instantaneamente, um grito agudo veio do quarto de hóspedes.
"Bruno!"
Era Bianca.
Bruno não hesitou. Ele se virou e correu para fora do quarto, deixando Sofia sozinha na escuridão. Ela ouviu a porta do quarto de hóspedes se abrir e a voz dele, suave e tranquilizadora.
"Calma, Babi, eu estou aqui. É só uma chuva. Você sabe que eu sempre cuidei de você quando tinha medo de trovão, lembra?"
Sofia fechou os olhos, sentindo as lágrimas escorrerem silenciosamente por seu rosto. Era uma lembrança íntima, um detalhe da vida deles que ele nunca havia compartilhado com ela. Ele estava lá, consolando outra mulher de seus medos infantis, enquanto sua esposa grávida tremia sozinha no quarto ao lado, com o coração partido em mil pedaços.
Ela se levantou e foi até a janela, observando a chuva forte que caía lá fora. A natureza parecia chorar com ela. Cada gota de chuva que batia no vidro era como um eco da sua dor. Ela se lembrou de quando se casaram, das promessas que Bruno fez. Ele prometeu amá-la, protegê-la, estar ao seu lado na alegria e na tristeza. Eram todas mentiras.
Ele voltou para o quarto muito tempo depois, quando a tempestade já havia diminuído. Ele encontrou Sofia ainda de pé perto da janela, olhando para a escuridão.
"Ela tem pavor de tempestades desde criança," ele disse, como se isso explicasse tudo. "A mãe dela me ligou, pediu para eu cuidar dela."
Sofia não se virou para olhá-lo.
"E quem cuida de mim, Bruno?" ela perguntou, a voz vazia. "Quem cuida da sua esposa, que você humilhou publicamente? Quem cuida do seu filho, que você chamou de bastardo?"
Ele não teve resposta. O silêncio dele era mais ensurdecedor que o trovão de antes. Naquele momento, Sofia tomou uma decisão. Ela não podia mais viver assim. Não podia criar seu filho nesse ambiente de mentiras e traição.
"Eu quero o divórcio," ela disse, finalmente se virando para encará-lo. A determinação em seus olhos o surpreendeu.
Bruno franziu a testa, parecendo genuinamente confuso.
"Divórcio? Sofia, não seja dramática. Foi só uma briga. As coisas vão voltar ao normal."
"Não," ela disse com firmeza. "Nada vai voltar ao normal. Porque não existe mais 'nós'. Você destruiu tudo hoje."
Ela se deitou na cama, de costas para ele, criando uma barreira física e emocional entre eles. Ela sentia o olhar dele em suas costas, mas não se importava. Naquela noite, em sua própria cama, ao lado do homem que deveria ser seu protetor, Sofia nunca se sentiu tão sozinha. Mas pela primeira vez em muito tempo, ela também sentiu uma centelha de força. Era a força da sobrevivência, a força de uma mãe disposta a fazer qualquer coisa para proteger seu filho. O futuro era assustador e incerto, mas uma coisa era clara: ela o enfrentaria sozinha.
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