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Capa do romance Nunca Mais a Segunda Opção: O Despertar de Lia

Nunca Mais a Segunda Opção: O Despertar de Lia

Após morrer sozinha, Lia desperta no passado com a chance de mudar seu destino. O Capitão Bruno, seu marido, exige novamente que ela ceda sua vaga de transferência para a cunhada, Cíntia. No passado, sua submissão gerou anos de abandono e sofrimento, culminando em Bruno deixando-a ferida em uma enchente para salvar Cíntia. Determinada a nunca mais ser a segunda opção, Lia nega o pedido, pede o divórcio e parte para Manaus em busca de sua liberdade.
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Capítulo 2

Lia abriu os olhos, o cheiro familiar de mofo e umidade da pequena casa de madeira invadindo suas narinas.

A cabeça doía, uma dor latejante que a fez gemer.

Lembrou-se da febre alta, da malária que a consumiu lentamente em sua vida anterior, da solidão e do desespero.

Mas agora... agora ela estava viva.

O calendário na parede marcava uma data de anos atrás, o ano em que tudo começou a desmoronar.

O ano em que Bruno, seu marido, Capitão Bruno, pediu que ela cedesse sua vaga de transferência para Manaus.

A única vaga.

Sua chance de voltar para casa, para perto dos pais, para uma vida melhor.

Ele pediu que ela cedesse para Cíntia, a cunhada viúva.

Cíntia, com seu filho pequeno, sempre precisando de algo, sempre no centro das atenções de Bruno.

Na vida passada, Lia, ingênua e apaixonada, cedeu.

Sacrificou seu sonho pela felicidade de Bruno, pela suposta necessidade de Cíntia.

O resultado? Anos de negligência, um divórcio forçado quando ele foi transferido e ela se tornou um fardo, e uma morte solitária.

"Não desta vez," Lia sussurrou, a voz rouca.

A porta se abriu e Bruno entrou, o uniforme impecável, a postura arrogante de sempre.

"Lia, querida, preciso falar com você sobre a transferência para Manaus."

Ele sorriu, um sorriso que antes a derretia, mas que agora causava um arrepio de repulsa.

"Cíntia precisa muito dessa vaga, você sabe, para o Pedrinho ter uma estrutura melhor."

Lia sentou-se na cama, o corpo ainda fraco, mas a mente afiada.

"Não."

A palavra saiu firme, clara.

Bruno franziu a testa. "Não? Como assim, não?"

"A vaga de transferência é minha, Bruno. Eu não vou cedê-la."

Cíntia entrou no quarto logo atrás dele, o rosto com uma expressão de sofrimento ensaiado.

"Lia, por favor, pense no meu filho."

Lia olhou para Cíntia, depois para Bruno.

"Eu pensei muito, Cíntia. E a vaga é minha. Se alguém tem que ceder alguma coisa," Lia fez uma pausa, o olhar fixo em Cíntia, "eu cedo o Capitão Bruno para você."

O queixo de Bruno caiu. Cíntia ofegou, os olhos arregalados.

"Lia! Que absurdo é esse? Você está sendo egoísta! Onde está sua compaixão?" Bruno explodiu, o rosto vermelho.

"Minha compaixão morreu, Bruno. Junto com a minha paciência."

Cíntia começou a chorar, um choro baixo, manipulador.

"Eu não queria causar problemas... Bruno, talvez seja melhor eu ficar..."

"De jeito nenhum, Cíntia! Lia está apenas fazendo birra. Ela vai entender."

Ele se virou para Lia, a voz dura. "Nós vamos conversar sobre isso mais tarde, quando você estiver mais razoável."

Ele pegou Cíntia pelo braço, de forma protetora. "Vamos, Cíntia, vou te levar para tomar um café. Deixe essa ingrata aí."

Eles saíram, deixando Lia sozinha no quarto.

A clareza dolorosa da situação a atingiu. Nada havia mudado nele.

Mas ela sim.

Lia levantou-se, ainda um pouco tonta, mas determinada.

Foi até a pequena escrivaninha, pegou papel e caneta.

Primeiro, redigiu o pedido formal de sua transferência, anexando os documentos necessários.

Depois, começou a escrever uma carta para um advogado em Manaus, um nome que lembrava vagamente de sua vida anterior, especializado em divórcios.

Ela não perderia tempo.

Bruno voltou horas depois, encontrou Lia sentada na varanda, lendo um livro.

Ele pigarreou. "Então, já pensou melhor?"

Lia marcou a página e fechou o livro. "Pensei, Bruno. E minha decisão está tomada."

"Ótimo," ele disse, aliviado. "Sabia que você entenderia. Cíntia ficou tão preocupada..."

"Eu vou para Manaus, Bruno. E vou pedir o divórcio."

Ele riu, uma risada debochada. "Ah, Lia, pare com esse drama. Você não faria isso."

Ele se aproximou, tentou abraçá-la, mas ela se esquivou.

"Estou falando sério."

Ele a encarou, vendo algo diferente em seus olhos, uma frieza que ele não reconhecia.

Mas sua arrogância era maior. "Tudo bem, faça o que quiser. Depois não venha choramingar."

Naquela noite, uma forte tempestade atingiu a pequena cidade. Ventos uivavam, a chuva caía em torrentes.

Lia estava na cozinha, preparando um chá, quando ouviu a voz de Bruno na sala.

"Alô? Cíntia? Sim, estou ouvindo o barulho. Não se preocupe, estou indo para aí agora mesmo. Verifique se as janelas estão bem fechadas. Levo alguns mantimentos."

Ele desligou e passou apressado pela cozinha, pegando uma capa de chuva.

"A casa da Cíntia está na beira do barranco, pode ser perigoso com essa chuva. Vou ver se ela e Pedrinho precisam de algo."

Ele nem olhou para Lia. Simplesmente saiu, enfrentando a tempestade por Cíntia.

Lia ficou parada, a xícara de chá esfriando em suas mãos.

O mesmo padrão. Sempre o mesmo.

Ela olhou para a mão vazia, a mão que ele não segurou, a vida que ele não compartilhou.

No dia seguinte, o sol brilhava como se a tempestade nunca tivesse acontecido.

Lia foi ao pequeno posto dos correios e enviou sua solicitação de transferência e a carta para o advogado.

Ao voltar, viu Bruno e Cíntia na praça principal.

Ele carregava Pedrinho nos ombros, rindo, enquanto Cíntia caminhava ao lado deles, sorrindo e ajeitando o cabelo de Bruno.

Pareciam uma família feliz.

As vizinhas cochichavam, olhando de Lia para o trio. A humilhação queimou o rosto de Lia.

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