Capa do romance Nova Chama

Nova Chama

8.5 / 10.0
Felipa retorna à sua cidade natal como noiva de Malcon, sem suspeitar que seu antigo melhor amigo, Dean, sempre a amou em segredo. No passado, ele não teve coragem de se declarar antes da partida dela. Agora, mesmo tendo construído uma família, o reencontro com Felipa desperta sentimentos intensos. Malcon acaba no centro desse conflito entre sua noiva e seu primo. Felipa e Dean devem decidir se darão uma chance para essa chama inacabada do passado.

Nova Chama Capítulo 1

Prólogo

— Ah merda! Não dá! — Felipa Montez estava tentando abotoar a calça nova que Malcon havia lhe dado. O problema era que alguém se esqueceu de avisar a ele que o manequim dela era 48 com orgulho.

Felipa era designer de joias formada pela EMA — Escola de Moda do Alasca. Estava no auge dos seus 26 anos e tinha acabado de ficar noiva de Malcon De La Vega um corretor de imóveis que trabalhava na grande NY. Estavam juntos há pouco mais de dois anos e eram felizes juntos, até que ele chegou em seu apartamento com um bonito anel de brilhantes lhe pedindo em casamento. Resultado: A família dele estava organizando uma festa para comemorarem o acontecimento

Felipa estava feliz, afinal, ganhou uma festa de noivado, sem se preocupar com nada e de quebra ainda veria seus antigos amigos da época do colégio. Malcon era de Nebraska assim como ela, mas os pais de Malcon haviam deixado a cidade ainda quando Malcon era pequeno.

— Vamos, buquê. Se não sairmos em cinco minutos estaremos encrencados — Felipa fez careta. Não gostava do apelido que Mal havia lhe dado, mas era aquela história, quanto menos você gosta de um apelido, mais ele gruda em você. — Por que não está vestindo a calça que lhe dei? Era um lançamento.

— Porque você comprou dois números a menos Mal. Esqueceu que você não é noivo de uma modelo? Ou melhor, de uma modelo, mas tamanho Plus!

— Para te incentivar a emagrecer um pouco. — Ele maneirou o tom, pois não queria começar uma briga, e sabia que Felipa era bem capaz de desistir de viajar por causa daquilo. —Você é linda Lipa, já se imaginou vestindo um tamanho menor, já pensou como todos aqueles vestidos de noiva cairiam bem melhor se você conseguisse diminuir dois números?

— Pode parar. — Ela levantou a mão para ele. — Eu não pretendo diminuir número algum, Malcon. Estou satisfeita com meu peso e meu corpo, se bobear tenho mais saúde do que você. E o vestido perfeito vai caber em mim do jeito que sou. Se quiser uma noiva magra, procure outra.

— Eu não quero outra noiva. — Ele se aproximou por trás dela e beijou-lhe o pescoço causando arrepios nela. — Eu quero você. Vem aqui me dar um beijo.

Ela foi e eles se entregaram ao momento usando línguas, lábios e dentes em um beijo de tirar o fôlego, que convidava a se deitar na cama e fazer amor. Felipa amava Malcon, era seu primeiro amor, era o cara por quem ela teria se apaixonado na adolescência e ele correspondia seus sentimentos.

ooOoo

A viagem até Nebraska foi tranquila, sem turbulências o que para Felipa era um alívio, já que ela odiava aviões.

— Nathan! — Malcon se adiantou e abraçou o irmão matando a saudade. — Deixe-me apresentá-lo a Felipa. Minha noiva.

— Muito prazer senhorita. — Ele tinha o sotaque carregado do interior, coisa que Malcon não tinha. Ele era tão bonito quanto o noivo, só um pouco mais rude e mais musculoso, ela pode sentir isso quando ao invés dele estender a mão para cumprimentá-la, puxou-a para um abraço apertado, roubando-lhe o fôlego. — Uou! Ela tem carnes! Se deu bem, seu cara de pau.

— Okay. Tire suas mãos da minha noiva, seu troglodita, vai asfixiá-la e se ela morrer, com quem eu me caso?

Eles riram da brincadeira.

— E você pequeno? Ninguém vai me apresentar? — Felipa se abaixou para ficar na altura do menino que estava ali junto com Nathan. — Seu filho Nathan?

— Uou! Nãozinho moça, esse é Cole, nosso sobrinho.

— Cole! Lindo nome. Tudo bem? — O pequeno balançou a cabeça afirmando e logo depois foi suspenso no ar pelo tio.

— Hey! — Cole gargalhou com o giro que Malcon deu com ele no colo. — Cresceu moleque e como vai a besta selvagem do seu pai?

— Vou falar pra ele que você o chamou de besta!

— E desde quando eu tenho medo do seu pai?

— Desde que ele lhe deu uma surra quando você deixou Cole cair e quebrar o braço um par de anos atrás.

— Malcon! Que irresponsável! Imagina o que não fará com seus filhos?

— Ah! Não foi nada, não é garotão? Olha aqui, está inteiro e o braço no lugar. Nem morreu.

— Vamos pessoal porque a viagem é longa...

Em poucos minutos eles percorreram as ruas de Fairbury e Felipa pode visualizar mesmo que rapidamente alguns pontos que conhecia e se lembrava. A pracinha com os mesmos banquinhos de madeira, coloridos, debaixo de uma cobertura estilo colonial. As igrejas ao redor da praça, as lanchonetes, o colégio. Eles não passaram pela antiga casa dela, pois ficava para o outro lado da cidade, mas com certeza iria visitar o local em outra oportunidade.

Quando Nathan disse que a viagem era longa, ela não tinha acreditado, mas era verdade. Três horas dentro do carro até chegar à fazenda em que os pais de Malcon moravam.

O caminho de terra batida que levava da rodovia até o interior da propriedade era a coisa mais linda que ela já tinha visto. Pareciam nuvens brancas no chão, era tudo tão lindo que teve vontade de descer do carro e tocar os flocos de algodão. Estava maravilhada e o brilho nos seus olhos deixava isso claro, Felipa ficou ainda mais encantada quando avistou a casa principal. Ela era enorme, toda da cor branca e parecia ser uma construção antiga, cercada por um campo verde de grama altamente cuidada e aparada. Tinha uma enorme varanda que rodeava a casa e uma escada de pedra que dava acesso a porta principal. Felipa enxergou um pequeno parquinho ao lado da casa que tinha uns brinquedos. Do outro lado, um lago, onde alguns patos nadavam e submergindo suas cabeças a procura de comida. O lago misturava-se com a grama verde, por isso ainda parecia fazer parte do chão.

— Atrás da casa ficam os estábulos. — Felipa olhou na direção de Cole que não parecia se conter. Se ele que estava acostumado com isso estava agitado. Imaginava ela. — Eu estou doido para montar de novo. Black Thunder deve estar me esperando. — Felipa sorriu para Cole.

— Deixa de ser doido, Cole. Não faz nem quatro horas que você montou.

— Mas estou com saudades — o pequeno respondeu com segurança.

Segundos depois o carro estava estacionando em frente à casa. Carros e mais carros formavam uma fila. Crianças estavam brincando no parquinho e outras pessoas estavam alimentando os patos. Nostalgia bateu em Felipa, sentia-se bem por estar em casa. Cole desceu feito um louco do carro fazendo Nathan xingá-lo.

— Esse garoto não tem limites.

Assim que Felipa desceu do carro pôde sentir o cheiro de grama e ar puro misturado com o cheiro de churrasco. A pequena festa estava a todo vapor, tanto que ela podia ouvir as vozes vindas do quintal, atrás da casa.

— O pessoal está todo aí. — Nathan vibrou ao passar por Felipa para pegar as bolsas.

De mãos dadas com Malcon, ela seguiu sorridente em direção aos fundos, enquanto Nathan gritava que levaria as coisas para o quarto que os dois ocupariam.

— Nervosa? — Malcon perguntou enquanto puxava Felipa pelas mãos.

— Nervosa não, eu estou ansiosa. — Malcon sorriu e apertou o passo. Parecia estar ansioso, também, para rever a família.

Como Felipa estava prevendo, a fazenda era ainda maior na parte de trás da casa. Hectares e mais hectares de terra ainda podiam ser vistos. Até mesmo colinas e sobre elas, ao longe, Felipa identificou cabeças de gados. Nunca soube que a família de Malcon fosse tão bem-sucedida assim. Pessoas dançavam em uma pista de dança improvisada feita de madeira enquanto uma banda tocava música country. Garçons passeavam com bebidas sobre bandejas e uma churrasqueira havia sido improvisada ao ar livre.

— Gostou? — Malcon perguntou olhando todas aquelas pessoas em sua frente.

— Eu amei tudo, muito obrigada. — Felipa sorriu e recebeu um leve beijo sobre os lábios.

— Agora vamos cumprimentar os conhecidos e conhecer os desconhecidos. — Felipa deu uma leve risada com as palavras do noivo e o seguiu.

Por onde os dois passavam recebiam parabéns. Felipa reencontrou alguns amigos e conheceu alguns amigos que eram de Malcon. Alguns eram até mesmo em comum e eles não sabiam.

— Como você sabia que eu conhecia toda essa gente?

— Eu fiz o meu trabalho, buquê. Agora vamos conhecer o meu primo e meu tio que cederam a casa para que pudéssemos fazer essa festa.

Felipa mais uma vez deixou-se ser guiada por Malcon. Ele a levou em direção de um grupo de homem que estava perto da churrasqueira, todos rindo e tomando cerveja. Ela percebeu que Nathan já estava lá no meio com uma garrafa de cerveja na mão.

— E aí seus animais — Malcon gritou elevando as mãos no ar fazendo Felipa rir. Nunca tinha o visto tão solto. — Me deixa apresentar a mulher que me laçou.

— Mal. — Ela deu um tapa contra o ombro dele e os homens riram dessa vez.

— Essa aqui é a Felipa, minha noiva.

— Oi gente, é um prazer conhecer vocês.

— O prazer é todo meu. — Um senhor que aparentava ter mais de cinquenta anos estava em pé com um chapéu e botas de cowboy, calças apertadas e camisa de flanela. Ele tinha um sorriso fácil e branco sobre os lábios. Ele tirou o chapéu para cumprimentar Felipa e ele revelou os cabelos ruivos e cheios de vida que ele tinha. — Eu sou o John. Ela é linda, Malcon, cuide bem dela.

— Eu sei disso tio, cadê o Dean?

— Aqui. — Felipa virou rapidamente para ver quem é. Ela estava com um sorriso imenso nos lábios, que permaneceu quando ela viu o ruivo que estava vindo em sua direção. Ele parecia um pouco mais velho, era o mesmo sorriso fácil que um dia ela conheceu. Estava mais homem, a calça jeans que usava deixava claro o quanto o corpo dele estava diferente. Ele estava lindo. O homem vinha de mãos dadas com um Cole completamente sujo de terra. — Cole disse que você me chamou de besta selvagem, Mal.

— Cole fala demais. — Malcon se adiantou para abraçar Dean que não tinha olhado para Felipa ainda. Ela queria a confirmação, tinha certeza que o conheceria se pudesse ver aqueles olhos azuis intensos.

— Cadê sua noiva? Ouvi dizer que ela é linda.

— Veja por você mesmo — Malcon apontou para Felipa que estava em expectativa.

— Dean? — ela perguntou mesmo sabendo que poderia não ser reconhecida. — Dean “cabeça de fósforo” é você mesmo?

— Felipa. — Antes que Felipa pudesse se mexer Dean já estava correndo na direção dela e a abraçando com força. Ela pôde sentir o cheiro dele, algo amadeirado, com isso constatou que o cheiro também tinha mudado, mas a força do abraço ainda era o mesmo. — Que saudades eu tinha de você. — Dean a abraçou com mais força e Felipa fez o mesmo. A segurança que Dean sempre passou continuava lá, naquele abraço, depois de todos aqueles anos.

— Vocês se conhecem? — Malcon perguntou parecendo confuso.

— Nós namoramos na faculdade — Felipa brincou vendo a forma que Malcon armou uma careta, fazendo os homens todos rirem. — Estou brincando. — Ela soltou Dean, mas se surpreendeu quando ele colocou os braços em volta da cintura dela, apertando-a para perto do corpo dele. — Nós estudamos juntos. — Ela sorriu para Dean que parecia maravilhado em vê-la.

— Você está linda — ele a elogiou não ligando que Malcon estava perto dos dois.

— Obrigada — Felipa respondeu desviando os olhos daquelas duas esferas azuis que tinham um brilho intenso. — E obrigada por disponibilizar sua fazenda para o nosso noivado. — Felipa forçou-se sair do agarre de Dean e ir para os braços de Malcon que a abraçou. Ela assistiu os olhos azuis de Dean acompanharem os movimentos de Mal e sentiu-se mal ao perceber que ele parecia incomodado com aquilo.

— Que isso. — Dean coçou a nuca, olhando para o outro lado. — Vocês merecem. Eu... Eu preciso conferir se está tudo sendo bem feito. — Dando as costas para todos, Felipa acompanhou o amigo com os olhos. Dean estava lindo demais e ela estava prestes a ficar noiva.

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