
Nosso Tempo - Parte 1 (Entre Olhares e Silêncios)
Capítulo 2
Rafael não sabia ao certo por que tinha aceitado sair de casa. O resfriado ainda pesava no corpo, mas a irmã insistira para que ele a acompanhasse até a casa de uma amiga. "Vai te fazer bem sair um pouco", ela disse. Ele não imaginava que encontraria Isabela lá.
Quando entrou na sala, encontrou um grupo em círculo, rindo alto, papéis espalhados pelo chão. Estavam ensaiando uma peça - mas nada parecia muito organizado. Era bagunça criativa. Rafael, de pele clara, cabelos pretos bagunçados e roupas que não combinavam muito, sentiu-se deslocado. Inclinou-se para trás, passando a mão pelos fios em um gesto de nervosismo.
E então a viu.
Isabela estava no centro, de pé, usando jeans apertado escuro e uma camiseta branca com estampa divertida. Os cabelos castanhos ondulados balançavam levemente enquanto ela se movia, e os olhos grandes brilhavam com entusiasmo. Ela riu de si mesma no meio de uma fala improvisada, mas parou quando o viu na porta.
- Ei, novo no elenco? - brincou, tentando esconder a surpresa.
Rafael abriu um meio sorriso, tímido.
- Só se tiver um papel que envolva... deitar e dormir.
A sala inteira caiu na risada. Isabela também.
Depois do ensaio, ela se aproximou, ainda sorrindo.
- Você está bem? Está com cara de quem deveria estar na cama.
- Estou resfriado... - ele respondeu, um pouco sem graça. - Minha irmã me arrastou até aqui.
Isabela entregou-lhe uma garrafa de água.
- Então você merece pelo menos ficar no camarote da plateia. - Apontou para o sofá.
Rafael se ajeitou, tentando disfarçar o cansaço, mas, no fundo, grato pelo jeito leve dela. Sentiu que talvez aquele não fosse apenas um encontro casual. Talvez fosse o começo de algo.
O Encontro Casual (Visão Dela)
Isabela já estava suada de tanto rir. O ensaio era bagunçado, mas divertido, como tudo que envolvia seus amigos. Mas quando viu Rafael parado na porta, com um jeito quase perdido, o coração deu um salto.
“Ele aqui? Como assim?”, pensou, tentando não perder a fala.
Ele parecia cansado, talvez doente, mas mesmo assim tinha ido. Não sabia por quê, mas aquilo o tornava ainda mais interessante. Sério, reservado… e agora, vulnerável.
— Ei, novo no elenco? — disse, só para quebrar o gelo.
Ele respondeu com aquele humor seco que ela não esperava. Riram juntos. Riram como se já se conhecessem.
Quando o ensaio terminou, ela se aproximou.
— Você está bem? Parece meio pálido.
— Estou resfriado. Minha irmã me arrastou até aqui… — disse, meio sem graça.
Isabela pegou uma garrafa d’água e entregou a ele.
— Então você merece pelo menos ficar no camarote da plateia. — E apontou para o sofá.
Ele riu de novo. Ela percebeu que aquele riso, pequeno e contido, era muito melhor do que qualquer cena que poderiam ensaiar.
Você pode gostar





