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Capa do romance Noivado Desfeito, Coração Partido

Noivado Desfeito, Coração Partido

Maria, a Folha de Lótus, vê seu sonho de ser Rainha da Vila Rica ruir quando Sofia interrompe seu noivado com João Carlos, clamando ser mãe do filho dele. Após humilhar Sofia, o imperador rebaixa Maria e ordena que seus capangas a agridam. No auge da dor, Maria nota que Sofia possui uma marca de nascença igual à sua. Traída e sacrificada por quem amava, ela abandona a passividade. A Folha de Lótus morre para que uma mulher pronta para a guerra renasça.
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Capítulo 2

A festa de noivado era o evento do ano, e eu, Maria, era o centro de tudo, a futura esposa de João Carlos, o empresário mais poderoso do carnaval carioca.

Ele me prometeu o mundo, me prometeu o título de "Rainha do Carnaval" de sua escola de samba, a Unidos de Vila Rica.

Eu, que antes era apenas "Folha de Lótus", uma passista talentosa, acreditei em cada palavra.

O salão de festas da sede da escola estava lotado, a música da bateria enchia o ar e o champanhe corria solto, todos me olhavam com uma mistura de admiração e inveja, eu usava um vestido branco, deslumbrante, um presente de João Carlos, um símbolo da promessa que ele me fez.

Ele pegou o microfone, o sorriso largo no rosto, e o salão ficou em silêncio, todos esperando o anúncio oficial do nosso noivado.

"Meus amigos, minha família da Vila Rica," ele começou, a voz ressoando pelo salão, "hoje é uma noite especial, a noite em que apresento a vocês a minha futura esposa, a próxima rainha da nossa escola, Maria!"

Os aplausos explodiram, e eu sorri, sentindo meu coração bater forte de felicidade, ele me puxou para perto, beijou minha testa e eu senti o cheiro do seu perfume caro, o cheiro do poder.

Foi nesse exato momento que a porta do salão se abriu com força.

Uma mulher entrou, caminhando com uma determinação que calou a todos, era Sofia, a ex-noiva de João Carlos, todos sabiam quem ela era.

"João Carlos," a voz dela era um lamento, cheia de lágrimas, "como você pôde fazer isso comigo? Você me prometeu, você disse que me amava."

João Carlos soltou minha mão, seu rosto se transformou, o sorriso desapareceu, substituído por uma máscara de fúria fria.

Ele caminhou lentamente até Sofia, o silêncio no salão era tão denso que se podia ouvir a respiração de cada um.

"Sofia," ele disse, a voz baixa e perigosa, "o que você está fazendo aqui? Você não é bem-vinda."

"Eu vim buscar o que é meu," ela choramingou, apontando para mim, "essa mulher roubou meu lugar, eu sou sua noiva, a mãe do seu filho."

O salão inteiro prendeu a respiração, eu senti o chão desaparecer sob meus pés, filho? Que filho?

João Carlos riu, uma risada curta e sem humor.

"Você é uma mentirosa, Sofia, e agora, todos vão saber a verdade."

Ele agarrou a alça do vestido dela, um vestido caro, elegante, e com um puxão violento, rasgou o tecido, expondo a lingerie dela para centenas de pessoas.

Sofia gritou, um grito de humilhação pura.

"Ajoelhe-se," ele ordenou, a voz como um chicote.

Ela hesitou, mas o olhar dele a fez obedecer, ela caiu de joelhos no chão, soluçando.

Ele se virou para a multidão chocada, o microfone ainda na mão.

"Esta mulher não é nada, ela tentou me enganar, mas eu não sou um tolo."

Então, ele se virou para mim, seus olhos frios me analisando como se eu fosse um objeto.

"E você, Maria," ele disse, a voz cheia de desprezo, "você não será mais a Rainha, o seu lugar não é no topo."

Ele caminhou até mim, seu rosto a centímetros do meu, eu podia sentir o ódio emanando dele.

"Você já está acostumada com o show business, não é? Não vai se importar, a partir de hoje, você será a madrinha de bateria, um prêmio de consolação."

A humilhação me atingiu como uma onda, roubando meu ar, de noiva e rainha a madrinha de bateria, um rebaixamento público, uma bofetada na cara na frente de todos que me admiravam.

As pessoas começaram a cochichar, os olhares de admiração se transformaram em pena e zombaria.

Eu olhei para João Carlos, o homem que eu amava, e vi um monstro.

Mas eu não chorei, não gritei, eu apenas assenti com a cabeça, uma aceitação fria tomando conta de mim.

Ele sorriu, satisfeito com minha submissão.

"Ótimo, agora saia da minha frente."

Eu me virei e caminhei para fora do palco, cada passo uma tortura, sentindo os olhares em minhas costas.

Enquanto eu passava, Sofia, ainda de joelhos, levantou a cabeça, os olhos vermelhos de choro, ela me olhou e, por um instante, eu vi um brilho de triunfo em seu olhar.

Naquele momento, eu entendi, aquilo tudo era um teatro, e eu era a peça principal do sacrifício.

Mais tarde, naquela mesma noite, a festa continuou, mas a alegria tinha desaparecido, o ar estava pesado.

Eu estava em um canto, tentando ser invisível, quando João Carlos se aproximou, o cheiro de álcool forte em seu hálito.

"O que é essa roupa ridícula que você está usando?", ele cuspiu as palavras, olhando para o meu vestido agora manchado de champanhe. "E essa sua voz, sempre tão irritante, cale a boca e fique quieta no seu canto."

Eu não tinha dito uma palavra.

Ele me agarrou pelo braço, a força dele me machucando, "Você me entendeu? Você é a madrinha de bateria agora, comporte-se como tal."

"Sim, João Carlos," eu sussurrei, a voz trêmula.

Ele me empurrou contra a parede, dois de seus seguranças se aproximaram, com olhares vazios.

"Ela precisa aprender uma lição sobre respeito," João Carlos disse a eles, "mostrem a ela."

Um dos seguranças me segurou enquanto o outro me deu um tapa no rosto, a dor foi aguda, mas a humilhação foi pior.

"Isso é para você aprender o seu lugar," João Carlos disse, antes de se virar e ir embora, como se nada tivesse acontecido.

Sofia se aproximou, o rosto agora composto, um falso ar de preocupação.

"Maria, meu Deus, você está bem?", ela disse, a voz suave como seda. "Eu não queria que isso acontecesse, eu só queria o que é meu por direito."

Ela tentou tocar meu rosto, mas eu recuei.

"Não me toque," eu disse, a voz fria como gelo.

"Coitadinha," ela continuou, ignorando minha recusa, "você não entende, João Carlos é um homem complicado, você precisa ser forte."

Ela estava fingindo compaixão, mas seus olhos diziam outra coisa, ela estava se deliciando com a minha dor, manipulando a situação para me ver sofrer ainda mais.

Eu olhei para ela, a mulher que tinha orquestrado minha queda, e vi uma marca de nascença vermelha perto do seu olho direito, exatamente como a minha.

Naquele instante, um calafrio percorreu minha espinha, mas a dor e a raiva eram mais fortes.

"Eu não preciso da sua pena," eu disse, olhando diretamente em seus olhos.

Ela sorriu, um sorriso sutil e venenoso.

"Veremos."

Naquela noite, a dor da traição se misturou com a humilhação física, mas por baixo de tudo isso, uma semente de vingança começou a brotar.

Eu aceitei meu destino, mas apenas na superfície, secretamente, meu plano já estava em andamento.

João Carlos e Sofia pensavam que tinham me quebrado, mas eles apenas despertaram a mulher que eu não sabia que existia.

A Folha de Lótus estava morta, e Maria estava nascendo das cinzas, pronta para a guerra.

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