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Capa do romance Noiva Traída: A Princesa da Máfia Ressurge

Noiva Traída: A Princesa da Máfia Ressurge

Isabella Falcone, esposa do Don do Rio de Janeiro, descobre a traição do marido na clínica de ultrassom. Mantida prisioneira para garantir um herdeiro, ela enfrenta a fúria da sogra, que tenta tirar a vida de seu bebê. À beira do desespero, Isabella revela sua verdadeira linhagem ao clamar pelo pai biológico, o temido líder da Ordem de São Paulo. O resgate chega com um exército poderoso, iniciando uma vingança implacável contra aqueles que a traíram.
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Capítulo 2

Ponto de Vista: Isabella

Eu me recusei a comer veneno.

Meu corpo gelou, o choque transformando minha incredulidade em algo duro como diamante: determinação. Olhei para Vicente, para o homem que era meu marido, e vi um estranho. Ele estava permitindo que isso acontecesse. Ele estava sancionando minha humilhação.

"Não", eu disse novamente, minha voz plana e vazia.

Virei nos calcanhares e fui embora. Não corri. Não chorei. Saí da clínica, passei pelos seguranças que baixaram a cabeça para mim por hábito e fui para a rua. O ar denso e úmido da cidade parecia me sufocar.

Chamei um táxi.

Um táxi amarelo cantou pneu e parou na minha frente. Ao abrir a porta, olhei para trás. Vicente estava parado na calçada, Rosa agarrada ao seu braço, seu rosto uma nuvem de fúria. Para um Don, ser abandonado na rua por sua esposa era um desafio público, um ato de desafio aberto que ele não podia se permitir.

Por uma fração de segundo, eu o vi dar um passo à frente, como se fosse me seguir. Mas então Rosa choramingou algo, e ele parou. Ele hesitou.

Aquela hesitação foi a sentença de morte para o meu amor.

Entrei no táxi e dei ao motorista o endereço da nossa mansão, a gaiola dourada que eu, até aquele momento, confundira com um lar. Durante todo o trajeto, fiquei olhando pela janela, uma estranha calma se instalando sobre mim. O sonho havia acabado. O homem que eu amava, o salvador que eu construí em minha mente, era uma mentira. Ele era fraco.

Na minha cabeça, um pensamento único e aterrorizante começou a se formar. Um pensamento sobre a criança dentro de mim. Qual era o sentido de trazê-lo a um mundo onde seu próprio pai não protegeria seu direito de nascença? Onde ele seria o segundo, atrás de um bastardo?

Quando cheguei à mansão, o silêncio era sufocante. Fui direto para o nosso quarto e comecei a fazer uma mala. Apenas o essencial. Meu passaporte, o dinheiro que eu mantinha escondido, algumas mudas de roupa.

Eu estava fechando o zíper da mala quando a porta do quarto se abriu. Vicente estava lá, sem o paletó, a gravata afrouxada. Ele parecia exausto e furioso.

"Você nunca mais vai me abandonar em público", ele disse, sua voz um rosnado baixo.

"Você nunca mais vai ficar ao lado da sua puta em vez da sua esposa", retruquei.

Ele passou a mão pelo cabelo, um raro sinal de agitação.

"Ela me armou uma emboscada, Isabella. Eu ia resolver isso."

"Resolver? Levando-a para almoçar? Deixando-a declarar o bastardo dela como herdeiro do legado do meu filho?"

Seus olhos se fixaram na mala sobre a cama. Sua postura mudou. A raiva foi substituída por uma quietude fria e calculista. O Don estava de volta.

"O que você está fazendo?", ele perguntou.

"Estou indo embora."

"Não, não está."

Ele caminhou até minha mesa de cabeceira, pegou meu celular e o guardou no bolso. Em seguida, foi até a porta.

"Não posso permitir que você faça uma cena", disse ele calmamente. "É ruim para os negócios. É ruim para a família."

"Você foi quem fez a cena!", gritei, o controle finalmente se quebrando.

"Vou colocar você sob vigilância", ele continuou, como se eu não tivesse falado. "Para sua proteção."

"Minha proteção?", ri, um som amargo e feio. "Você está me aprisionando."

Ele encontrou meu olhar, e pela primeira vez, vi o medo real em seus olhos. Não era medo de que eu o deixasse. Era outra coisa.

"Não posso arriscar", disse ele, sua voz baixando para um sussurro.

"Arriscar o quê?"

Seus olhos caíram para a minha barriga. E eu entendi.

Não era sobre eu deixá-lo. Nunca foi sobre mim. Ele estava com medo de que eu interrompesse a gravidez. Com medo de que eu tirasse dele seu herdeiro legítimo — a única coisa que garantia sua posição instável, a única proteção contra uma crise de sucessão.

Ele não estava me protegendo. Estava contendo um bem volátil.

"Você não vai a lugar nenhum", ele repetiu, sua voz desprovida de todo calor. Ele saiu do quarto, e eu ouvi o clique inconfundível da fechadura.

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