
Noiva Abandonada, Ilusão Despedaçada
Capítulo 3
Juliana saiu do café, uma nova determinação endurecendo dentro dela. Ela foi para o Shopping Iguatemi. Terapia de compras era um clichê, mas hoje, ela precisava da distração.
Ela estava olhando a seção de bolsas de grife quando uma voz familiar cortou a elegância silenciosa da loja.
"Eu quero aquela."
Era Carla. Ela estava apontando para uma bolsa Chanel de edição limitada, a mesma que Juliana estava examinando. Davi estava ao lado dela, parecendo desconfortável.
Juliana não se virou. Ela falou com a vendedora, sua voz calma e clara. "Vou levar esta, por favor."
"Com licença", disse Carla, dando um passo à frente. "Eu vi primeiro."
Juliana finalmente se virou para encará-la. Ela deu a Carla um olhar lento e deliberado, seus olhos percorrendo as roupas de marca barata de Carla. "Esta bolsa custa mais que seu guarda-roupa inteiro. Duvido que você possa pagar."
A vendedora, reconhecendo Juliana, interveio suavemente. "A Srta. Lacerda é uma cliente valiosa. A bolsa é dela."
O rosto de Carla corou de humilhação e fúria. Ela sentiu os olhos de outros compradores sobre ela. "Eu posso pagar sim!" ela sibilou, cavando em sua bolsa e tirando um cartão de crédito. Não era dela; era um cartão suplementar de Davi, financiado, é claro, por Juliana.
Juliana apenas observou, sua expressão de um divertimento entediado.
Davi, vendo a angústia de Carla, finalmente interveio. Ele se colocou entre as duas mulheres, seu corpo angulado protetoramente em direção a Carla.
"Juliana, já chega", disse ele, sua voz baixa e zangada. "Qual é o seu problema?"
Carla imediatamente começou a chorar, seus ombros tremendo. "Davi, ela está me intimidando. Ela sempre me desprezou."
"É só uma bolsa", disse Davi, virando sua raiva para Juliana. "Deixe ela ficar com ela. Por que você sempre tem que fazer uma cena?"
Ele então se virou para Carla, sua voz suavizando. "Não chore. Você pode ter a bolsa que quiser. Compre todas se quiser."
Os outros compradores murmuraram entre si, seus olhares mudando de pena por Carla para desaprovação por Juliana. Eles viram um homem generoso e sua namorada doce sendo atormentados por uma mulher rica e fria.
"Que cretina", sussurrou uma mulher. "Ele é tão bom para ela."
"Aquela ricaça provavelmente é a ex dele", comentou outra. "Não é à toa que ele a deixou."
Juliana sentiu uma onda de nojo. Ela não tinha mais interesse na bolsa. Não tinha interesse nesse drama patético.
"Fique com ela", disse ela, sua voz pingando desdém. "Vai combinar com o resto dos seus acessórios baratos."
Ela se virou para sair, mas assim que o fez, um alarme de incêndio estridente soou pela loja.
O pânico explodiu. As pessoas começaram a gritar, correndo para as saídas. A multidão avançou, criando uma debandada caótica.
Na confusão, alguém empurrou Juliana com força por trás. Ela perdeu o equilíbrio e caiu, seu tornozelo torcendo dolorosamente sob ela. Uma dor aguda subiu por sua perna. Ela gritou, mas sua voz se perdeu no barulho.
Ela olhou para cima, seus olhos procurando desesperadamente por Davi. Ela o viu através da multidão em pânico. Ele tinha Carla envolta em seus braços, protegendo-a dos empurrões. Ele estava se movendo em direção à saída.
"Davi!" ela gritou, sua voz rouca de desespero e dor. "Me ajude!"
Ele a ouviu. Ele parou e olhou para trás, seus olhos encontrando os dela por um segundo fugaz. Ela viu um lampejo de hesitação, um vislumbre de conflito em seu olhar.
Carla soluçou contra seu peito: "Davi, estou com medo! Vamos sair daqui!"
Ele olhou para Juliana no chão, depois para a mulher chorando em seus braços. Ele fez sua escolha.
Ele se virou e carregou Carla para fora da loja, deixando Juliana para trás no caos.
A última de suas esperanças se despedaçou. Ele a havia abandonado.
A dor lancinava em seu tornozelo, mas uma dor mais profunda irradiava de seu peito. Ela cerrou os dentes, ignorando as pessoas que passavam correndo por ela. Ela se levantou, usando um balcão de exposição como apoio, e mancando em direção à saída, cada passo uma agonia.
Quando finalmente chegou do lado de fora, na relativa segurança da rua, sua perna cedeu. Ela desabou na calçada, ofegante, o mundo girando ao seu redor.
Ela viu Davi a uma curta distância, procurando ansiosamente por Carla, que aparentemente havia se separado dele no empurrão final para as portas. Ele andava de um lado para o outro, o rosto marcado pela preocupação.
Então ele viu Juliana no chão. Ele correu, sua expressão indecifrável.
"Juliana, você está bem?"
Ela olhou para ele, seus olhos vazios. A mulher que ele conhecera por quatro anos - a mulher equilibrada, controladora, exigente - havia desaparecido. Em seu lugar havia uma estranha, alguém que olhava para ele sem um traço de emoção, como se ele fosse um móvel. A conexão entre eles estava finalmente, irrevogavelmente, rompida.
Você pode gostar





