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Capa do romance Noites Quentes De Verão

Noites Quentes De Verão

Anna Morais é uma modelo de sucesso marcada por decepções amorosas que abalaram sua fé no romance. Ao retornar ao rancho da família para cuidar da avó doente, ela reencontra Ícaro Lykaios, o arrogante amigo de seu primo e antigo rival. Entre conflitos e personalidades opostas, uma atração inesperada surge, desafiando as convicções de ambos. Em meio ao calor do verão, eles precisam superar velhas diferenças para descobrir se o amor é possível.
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Capítulo 2

Minha mente vagueia até memórias do meu último relacionamento amoroso, e isso me faz beber a vodka em um gole. Prefiro a ardência do álcool do que as memórias de uma traição traumática.

Parece que todos os meus relacionamentos terminam de forma traumática, é como uma sina. Diego, Peter, Ian, Otto... Todos eles partiram meu coração.

A cada copo de álcool que eu ingiro, mais eu penso em como a vida pode ser uma droga às vezes, na verdade, quase sempre. Parece uma piada sem graça de um ser superior que apenas me criou para ver a desgraça e se divertir às minhas custas.

Me viro em direção ao bar e sinto alguém sentar ao meu lado.

— Well, well, olha quem temos aqui. – A voz rouca soa debochada.

Sinto um calafrio na espinha ao ouvir o sotaque norte-americano tão conhecido por mim. Olho para o meu lado direito e vejo Otto usando um terno preto. Suas tatuagens no pescoço estavam parcialmente cobertas pelo tecido do terno, sua pele morena fazia contraste com seus olhos castanhos claros e seu cabelo loiro escuro.

Seu bigode tinha as pontas viradas para cima, Otto passa sua mão na ponta de seu bigode e sorri sarcasticamente. Eu o odiava intensamente, mas não podia demonstrar devido ao evento.

— Estou surpresa de vê-lo aqui no Rio de Janeiro tão cedo... – Sorrio com falsa simpatia. – Achava que você estava cuidando da empresa de seu pai e não tinha largado a carreira de fotógrafo?

Seu sorriso fica confiante. Ele sempre amou falar de seus feitos e conquistas, sabia como evitar brigas com ele. Era fácil, apenas usar seu ego ao meu favor.

— Na verdade, vim visitar a família da minha noiva. Temos uma boa notícia para dar. – Sua voz soa provocativa.

Por um segundo, fico em choque, e ele percebe isso. Seu sorriso vitorioso cresce. Noivo? Terminamos há dois meses e ele já estava noivo?

Nossa relação sempre foi conturbada. Ele dizia coisas que eu queria ouvir no início, sempre foi um homem manipulador que sabia usar sua lábia para conseguir o que queria. Ele era encantador, um homem gentil e engraçado. Sabia como fazer uma mulher feliz na cama e fora dela. Mas com o tempo, ele se tornou seco, grosseiro, cruel, rude e não me dava mais tanta atenção como antes.

Morávamos juntos, e um dia eu cheguei cedo do trabalho e o vi na cama com outra mulher, minha melhor amiga para ser específica. Ester e eu éramos amigas desde os 4 anos de idade, crescemos juntas como irmãs, e jamais pensei que algo assim pudesse acontecer. Nesse dia, minha vida mudou completamente. Ele terminou comigo em pleno dia do nosso aniversário de namoro. Desde esse dia, tenho evitado a família; sempre dizem que meus relacionamentos não vão dar certo, e eles sempre têm razão. É como se eles soubessem que nada vai dar certo em minha vida amorosa.

A vergonha me fez evitar telefonemas e visitas, mas me arrependo disso. Se não fosse por minha ausência, eu saberia que a vovó precisava de mim.

Bebo um gole do meu drink, sentindo minha garganta se fechar com as lembranças.

Vamos, Anna, não vá chorar agora!

— Pela sua reação, acho que você não sabia que a Ester e eu ficamos noivos há dois meses, você anda desinformada, my angel. – Seu deboche vem acompanhado de uma risada sarcástica.

"My angel". Ao ouvir seu antigo apelido carinhoso soando de forma tão sarcástica, sinto um embrulho no estômago.

— Não chamaria especificamente de desinformação, apenas não tenho tempo para assuntos tão triviais. – Sorrio, escondendo meu ódio.

Escuto seu resmungo e sua testa se enruga. Otto bebe um gole de seu uísque e sorri sarcasticamente.

— É uma pena não saber da última novidade. – Ele se aproxima e sorri. – Irei ter o prazer de informá-la de que Ester e eu vamos ter um bebê.

Sinto meu corpo se arrepiar e meus olhos se arregalam. Otto sorri como se saboreasse minha surpresa, movimenta seu copo, fazendo os cubos de gelo se chocarem, e ri.

— Ela está grávida de 18 semanas. – Ele volta a falar. – É extraordinário saber que vou ter meu filho, uma criança em meus braços, como sempre desejei.

Dezoito semanas? Isso são 4 meses! Sinto minhas mãos tremerem e meu copo cai no chão, se partindo com o impacto. Pessoas do bar me olham curiosas, e as lágrimas caem pelo meu rosto.

Sempre quis ter um filho, e ele sempre dizia que era algo que ele nunca ia querer... Agora está tudo claro, ele não queria ter um filho, pelo menos não comigo.

Ele apenas me usou, eu fui apenas um brinquedo para ele. Compartilhei toda minha vida, meus segredos mais íntimos, confiei nele.

Sua risada ecoa pelo bar como se ele tivesse ouvido a melhor piada do mundo. Em um único gole, Otto bebe seu uísque e bate com seu copo na bancada do bar.

— Um uísque para a jovem moça por minha conta, acho que ela vai precisar! – Otto fala com humor antes de se levantar.

Ele sorri vitorioso para mim e joga um beijo.

— Você sempre foi tão dramática e sensível, my dear. Eu nunca quis ter um relacionamento sério com você... – Seus olhos ficam escuros e um sorriso cruel surge em seu rosto. – A única coisa que me fez te aturar por dois anos foi sua caretice de querer ter um namorado. Nunca te ocorreu que um cara como eu apenas queria seu corpo?

Meu corpo treme com sua aproximação. Otto

 seca minhas lágrimas com sua mão e faz uma falsa expressão de tristeza antes de rir.

— Oh, my angel, você é tão inocente… – Ele acaricia meu rosto. – Logo você, que se diz tão esperta.

Bato em sua mão, afastando-a de meu rosto. O enjoo toma conta de mim; estava me sentindo podre, inútil, burra. Apenas desejava chorar em minha cama.

— Não toque em mim, verme nojento. – Rosno entre dentes.

Um sorriso maligno surge em seu rosto, Otto ajeita seu bigode e gargalha, atraindo a atenção das pessoas ao nosso redor.

— Você realmente é muito previsível. – Ele fala com deboche. – É até sem graça provocar você.

— Não pense que você saiu ganhando nessa. – Minha voz sai fria, e um sorriso perverso surge em meu rosto. – Você sabe que sei exatamente o poder que tenho em mãos, não é mesmo?

Seus olhos ficam agitados, e ele suspira inquieto.

— Como ousa? – Ele fala entre dentes.

Otto podia ser cuidadoso, mas tinha acesso a algumas informações suas, sabia de muitas coisas de seu passado, inclusive coisas que acabariam com sua imagem perfeita, com seu relacionamento "perfeito".

Ele segura meu braço, e seus olhos ficam completamente negros.

— Não se esqueça de quem eu sou, Anna. – Sua voz soa sombria. – Não se esqueça do que posso fazer com todos que ama.

Meus olhos tremem, e sinto meu estômago doer.

— Você não ousaria… – Sussurro, sentindo meu coração acelerar.

— Pague para ver. – Otto fala com uma sobrancelha arqueada.

Puxo meu braço com força, me livrando das mãos de Otto. Ele era um verme, um monstro.

Ester surge no meio da multidão, e sinto minha cabeça girar. A ruiva me encara de cima a baixo, seu cabelo cacheado estava solto, e seus olhos castanhos brilhavam ao ver meu estado.

— Vamos, amor, você não vai ficar perdendo tempo com essa daí, né? – Ester força a voz para parecer fofa, e isso me faz sentir nojo.

Otto dá um selinho nos lábios vermelhos de Ester, e ela sorri.

Antes de se misturar à multidão, ele dá sua última cartada.

— Foi um prazer encontrá-la, my angel, devemos fazer isso mais vezes. – Otto pisca e sorri.

Sem controlar meu corpo, corro em direção ao banheiro, empurro a porta do sanitário e me abaixo. Sinto a ânsia, e toda a bebida sai do meu corpo quando meu estômago se contrai.

Limpo meus lábios com um papel e começo a chorar, sentada no chão.

Soco o chão até minhas mãos doerem, e minhas unhas cortarem a palma de minhas mãos. O ódio pela vida corre em meu corpo, a sensação de vazio e desesperança são tão grandes que me fazem querer desistir de tudo.

Grito de desespero, sentindo meu corpo cair deitado no chão frio do banheiro, e os soluços tomarem conta do meu ser.

A imagem de minha avó me ajudando a treinar para concursos de beleza e desfiles de moda vem em minha mente, a pequena Anna aos 6 anos sonhando em ser modelo e tendo o apoio de sua avó. Milhares de "nãos" recebidos, concursos e desfiles fracassados, lágrimas sendo limpas pela vovó.

Me levanto do chão, dando fim à autopiedade. Eu sempre fui forte, dei tudo para chegar onde estou, batalhei muito para conquistar minha carreira, e não seria um ex idiota que iria quebrar meu espírito. Me olho com determinação no espelho, limpo meu rosto e agradeço mentalmente a Priscila por insistir que eu comprasse maquiagem à prova d’água.

Arrumo meu cabelo e respiro fundo, ajeitando meu vestido, confiro meu hálito e faço uma careta ao sentir o cheiro de álcool.

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