
No Poço das Piranhas: Renascer
Capítulo 2
Na minha vida passada, eu morri em um poço de piranhas.
Minha noiva, Sofia, me jogou lá.
Eu me lembro do riso dela enquanto meu corpo caía na água escura. Lembro do cheiro de peixe e sangue.
"Miguel, se você não tivesse se metido, meu amado Pedro teria provado seu valor e me levado para casa como um herói", ela disse, olhando para mim de cima, com os olhos cheios de ódio.
"Por sua causa, Pedro se jogou no mar e se matou. Você vai pagar por isso!"
Mas eu vi. Eu vi Pedro, o homem que ela amava, escapar com uma boia salva-vidas, remando para longe na escuridão, sem nem olhar para trás.
Tentei gritar. Tentei dizer a verdade para ela.
Mas Sofia não quis ouvir. Ela me manteve naquele poço por três dias e três noites.
As piranhas, pequenas e vorazes, começaram a morder. Primeiro meus pés, depois minhas pernas. A dor era inacreditável, uma agonia que rasgava cada nervo do meu corpo. Elas roíam minha carne, pedaço por pedaço, dilacerando meus órgãos internos.
Eu podia sentir cada mordida, cada pedaço de mim sendo arrancado.
No final, a dor era tanta que a única saída que encontrei foi morder minha própria língua para morrer. O gosto do meu próprio sangue foi a última coisa que senti.
Mas então, eu abri os olhos.
A luz do sol batia no meu rosto. Eu estava de volta, no momento exato em que o desastre financeiro da família Silva estava prestes a acontecer. O momento que mudou tudo.
Na minha vida anterior, como filho de um magnata do café, eu usei minha mente afiada para os negócios e salvei a família Silva da ruína. Eles me agradeceram com a mão de sua filha, Sofia, em casamento.
Eu achei que era um conto de fadas. Mas era o começo do meu inferno.
Desta vez, eu não faria nada.
Minha bondade foi tratada como lixo, minha ajuda foi a razão da minha morte torturante.
Se eles queriam a ruína, que a tivessem.
Eu os deixaria por conta própria.
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