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Capa do romance NAS TERRAS DE MAKUNAIMA – PARTE 2

NAS TERRAS DE MAKUNAIMA – PARTE 2

Situada um ano antes do volume inicial, esta obra foca em José Carlos, professor de genética em Roraima e irmão de Pedro. Aos 32 anos, sua rotina pacata na universidade e na Fazenda Sossego muda ao conhecer Vera Mara, veterinária vinda de Manaus. Após salvá-la de um acidente fatal, surge uma conexão intensa, mas Vera já namora o colega Ricardo. Entre dilemas éticos e desejos profundos, o casal enfrentará mistérios e paixões ardentes em um cenário envolvente.
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Capítulo 3

“Apareceu o miserável! Era de se esperar, depois de tudo ter se resolvido.” – Zeca pensou, frustrado.

- José, parece que o Ricardo entendeu tudo errado! – Ela disse, segurando os braços dele, com apreensão.

- Também pudera. Estamos bem próximo. Quase encostados dentro desse veículo.

- Tem razão. Vou me afastar. Sei que ele vai entender. Sempre foi racional...

- Calma, Vera, está se recuperando. Vou lá falar com ele. Se é mesmo racional, credito que vai entender.

- Temos provas e uma explicação convincente. Vou junto...

O Zeca saiu do carro primeiro e caminhou na direção do Ricardo, com a Vera logo atrás.

- Ricardo, sei que parece estranho, mas, não é nada do que está pensando. – Disse Zeca tentando manter a calma. “Estávamos tão perto que nem eu mesmo acredito no que estou falando. Porém, é a verdade.” – Zeca pensou.

Antes que pudesse continuar, Ricardo avançou e acertou um soco direto no rosto de Zeca, que não conseguiu desviar sendo atingido em cheio no olho direito e virando o rosto para o lado com o impacto. Zeca imediatamente adotou uma postura defensiva, como um boxeador.

- Ricardo!!! – Vera, gritou num susto. – Por favor, escuta. Senão vai acontecer um desastre!

- Cai dentro, se tiver coragem! Seu filho de uma...

- Também não precisa ofender! Antes de mais nada, escuta a professora. - “Não é possível que esteja passando por isso. Se apenas fui ajudar a Vera!” – Zeca pensou frustrado.

- Seus sem-vergonhas! O que pensam que estão fazendo? Sabe que ela é minha namorada? Infeliz! – Ricardo esbravejou.

- Ei, homem, escuta! Não é nada do que imaginou.

- Eu não pensei. Eu vi. O casal no carro, se agarrando. Quase fazendo ... sabe lá que tipo de safadeza!!!

Ao mesmo tempo, o Ricardo se preparou para desferir outro golpe no Zeca. Porém, desta vez, ele já estava preparado e o segurou pelos braços.

- Calma! Rapaz calma! Me escute. Não fizemos nada! – O Zeca aumentou o tom tentando conter a situação.

- Tá maluco! Como ousa me pedir calma? Se a minha namorada está num carro com outro! E, bem na minha frente! – Ricardo sorriu com indignação.

- Escute! Não aconteceu nada. Você está tirando conclusões sem fundamento. Ricardo, espera um momento e me ouça! – Zeca disse com apreensão.

- Mas, que coisa! José Carlos? Não acredito! É você!?

- Se me conhece. Então, posso explicar mais fácil o que aconteceu.

- Ei, vocês dois. Sabem que também posso explicar o que aconteceu!!! – Vera interrompeu, e os dois se viraram para ela.

- Que grande coincidência! – Murmurou Zeca.

E, alguns minutos depois, tudo acabou sendo esclarecido.

- Se fosse outra pessoa me contando essa história. Juro que não acreditaria. Sabe, professor parece até que foi algo inventado. – Ricardo comentou com mais calma.

- Ricardo, posso te assegurar que aconteceu apenas o que contamos. – Zeca retrucou.

- A notícia não chegou no laboratório? – Vera perguntou.

- Não. Estava tão concentrado na pesquisa com o pirarucu que nem notei. Para não dizer que nada aconteceu. Senti um cheiro forte de fumaça.

- Fugiram muitas... Devem ter usado a fumaça para controla-las.

- Mas, como é possível?! As abelhas terem escapado daquela maneira! – Ricardo perguntou.

- Não sei dizer ao certo. Só cheguei bem depois. Apenas para ajudar a professora Vera.

- Mas como soube antes que eu?

- Escutei um pedido de socorro pelo rádio.

- Acho que avistei um animal rondando perto da estufa. Me assustei tropeçando e esbarrando em um ancinho, acabei derrubando pelo menos duas colmeias ou mais, acabei caindo e sendo atacada principalmente no rosto. Estava no fundo da estufa e não consegui sair. Meus óculos até desapareceram. - Disse Vera.

- E, o resto dos acontecimentos. Foram o que te falei Ricardo. – Falou Zeca.

- Vera, então você conseguiu sair de lá, apenas com a ajuda dele?

- Sim, foi exatamente como o professor Zeca disse. Achei um pouco constrangedor, para ser honesta. – “Para não dizer coisa pior, ser carregada no colo por um desconhecido por vários metros. Não é de todo confortável.” – Vera ponderou.

- Rapaz, desculpe o mal entendido. Eu não fazia ideia do que a Vera havia passado. Me perdoe, José Carlos.

- Sem problema. Se tivesse no seu lugar, também teria entendido errado. – Zeca esboçou um sorriso tímido.

- Pois é, sabe como é. Em um relacionamento. Podem surgir os ciúmes algumas vezes.

- Ricardo, fico até lisonjeada. – Vera disse, e abaixou a cabeça.

- Como já está tudo resolvido, estou indo. Preciso voltar para a minha casa, na Fazenda Sossego, senão minha família vai ficar preocupada.

- Até amanhã, senhor. – Vera disse, sorrindo.

- Como assim, amanhã?! Que intimidade é essa Vera?

- Não é o que você está pensando Ricardo. Eu só preciso agradecer ao professor. Ele me ajudou bastante hoje.

- Boa noite, pessoal. - Zeca disse e saiu em seguida, sem escutar o resto da conversa.

Zeca entrou novamente no veículo e seguiu rumo a Fazenda Sossego.

Enquanto isso, o casal ficou conversando.

- Vera, mesmo o José tendo, te ajudado. Eu não admito mulher minha, dando trela para outro homem. Qualquer homem que seja!

- Ricardo me escute. O professor só parou para me ajudar porque eu pedi. Não tem motivos para ciúmes de mim com ele.

- Até parece, ele pode ser o cara que te ajudou. Mas, ainda é homem...

- Estou tentando ser cortês com o homem que salvou a minha vida. Apenas isso e nada mais.

- Vera, apenas dessa vez, vá agradecer e deixe bem claro, sobre o nosso relacionamento. Tenho que proteger o que é meu. – Ricardo disse irritado.

- Não tem porque ficar assim tão chateado. Até porque o professor José, já sabe que estamos juntos.

Vera tentou abraçar o namorado, mas Ricardo se afastou e colocou a mão na frente dela.

- Hoje não. Eu estou bastante cansado e um pouco chateado. Tenho muito trabalho acumulado.

- Poxa! Nenhum abraço Ricardo? – “Ele deve ter ficado com muito ciúme e não quer admitir. E, pensava que era racional.” – Vera pensou.

- Apenas um abraço. Vou dormir no meu laboratório. Tenho muitos relatórios para terminar.

- E, se eu precisar de ajuda na madrugada? O que vou poder fazer?

- Se for só isso, trago um rádio. Depois que terminar, vou direto para o meu dormitório. Sabe que só consigo dormir na minha cama.

- Tudo bem, é assim que prefere. Vou entender, por hoje.

- Outro dia, quando estiver se sentindo melhor. Podemos sair só nós dois, Vera.

- Estou precisando muito. Até porque, nem sei mais há quanto tempo não saímos juntos. Ricardo ultimamente vive muito mais com peixes que comigo. – Vera disse com pesar.

- Então, vamos deixar combinado. Fim de semana saímos, apenas se eu me desocupar.

- Vamos, meu amor!

Ele a abraçou e beijou de leve seu rosto.

- Está tudo bem mesmo? A medicação pode te deixar sonolenta.

- Sim, uma pena que não pode ficar comigo. – Vera suspirou.

- Vera, se cuida que já estou indo. Preciso terminar meu trabalho.

- Claro que vou me cuidar, meu amor.

Eles se abraçaram, uma última vez e o Ricardo saiu de lá quase de imediato. Em seguida Vera caminhou lentamente e entrou em seu alojamento pensativa.

- O Ricardo agiu tão estranho comigo. Será que a reação dele, foi uma forma de demonstrar ciúmes?

- Se foi isto, ele ainda gosta muito de mim. Mesmo, às vezes, parecendo que não.

- Isso é tão frustrante! Não saber o que meu namorado realmente sente.

“Se ele estiver ficando comigo apenas por sentir pena? Isso seria decepcionante! Queria ser uma mosquinha para entrar naquele laboratório e descobrir o que acontece com ele.”

- Quem faria uma coisa dessas hoje em dia? Vivemos num mundo moderno. Não deve ser o caso dele. O Ricardo deve realmente estar atolado de muito trabalho.

Já dentro do alojamento, Vera respirou fundo, seguiu para tomar um banho, em seguida o remédio recomendado e se preparou para dormir.

- Lembro que tinha que falar alguma coisa com meu namorado. Mas, não me recordo direito o que seria.

- Bom, deixa para lá. Se fosse algo de muito importante. Eu lembraria.

“E quanto ao professor José? Preciso agradecer de alguma forma. Nada muito caro. Então, pensarei em alguma coisa fácil do meu salvador, aceitar.”

- Quero resolver isso logo. Amanhã ou o quanto antes. Farei algo simples. Uma coisa que ele irá gostar. – Vera sorriu.

Assim que foi terminar de se preparar para dormir, Vera escutou uma batida na porta.

- Deve ser o Ricardo. – Disse animada.

Abriu a porta rapidamente, mas, para sua surpresa era, Ágatha.

- Vera, trouxe seus óculos. – Disse Ágatha.

-Ah! Obrigada.

- Porque me olhou decepcionada?

- Por nada! – Disfarçou Vera.

- Passei aqui para avisar que conseguimos resolver a situação das abelhas. Nossa estufa está sob controle. Mas, sabe dizer que atacou você? – Ágatha perguntou.

- Acho que foi um bicho de aproximadamente uns dois metros, lá no fundo da estuda. – Vera respondeu.

- Vou avisar ao reitor. Afinal, também trabalho lá. E se precisar de ajuda, conte comigo. – Ágatha se ofereceu.

- Tá tudo bem, Agatha.

- Certeza?

- Sim.

Ela olhou para a colega, e fez um sinal antes de sair de lá.

E Vera pensou: "Minha colega se preocupa comigo bem mais que meu namorado!"

Pouco depois, deitou-se na cama de solteiro do pequeno dormitório, sentindo o efeito do antialérgico.

- O sono está me dominando mais cedo que o normal. Ricardo tinha razão, esses remédios são potentes... – Disse Vera.

Vera dormiu rapidamente e passou uma noite tranquila.

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