
Não Sou Mais a Esposa Dócil: A Revanche
Capítulo 3
No dia seguinte, fui a um advogado.
Expliquei a situação de forma calma e metódica.
O advogado, um homem de meia-idade com olhos cansados, ouviu-me atentamente.
"Senhora, o seu caso é forte para um divórcio por culpa dele. A infidelidade emocional é difícil de provar, mas a negligência é clara."
"Eu não quero nada dele," disse eu. "Só quero sair disto."
"E a guarda da casa? Bens comuns?"
"Ele pode ficar com tudo. Eu só quero a minha liberdade."
Quando saí do escritório, o sol brilhava forte, magoava-me os olhos.
O mundo continuava a girar, indiferente à minha perda.
Fui ao cemitério.
A pequena campa do Leo estava coberta de flores frescas.
A minha sogra, Elvira, estava lá, de pé, vestida de preto.
Ao lado dela, estava a Sofia, a chorar delicadamente no seu ombro.
A Elvira estava a acariciar o cabelo da Sofia, a sussurrar-lhe palavras de conforto.
Elas não me viram aproximar.
"Não te preocupes, querida," dizia a Elvira. "O Pedro vai perceber que tu és a mulher certa para ele. Aquela Inês nunca foi boa o suficiente. Uma péssima mãe, olha o que aconteceu."
A Sofia fungou. "Mas o Leo... coitadinho. Eu sinto-me tão culpada."
"A culpa não é tua, minha querida. Tu tens um coração de ouro. A culpa é daquela mulher descuidada. O meu neto estaria vivo se ela tivesse um pingo de atenção."
Eu parei.
O meu corpo ficou frio.
Elas estavam a culpar-me, ali, em frente ao túmulo do meu filho.
E a minha sogra estava a consolar a amante do meu marido.
Dei um passo em frente.
O som dos meus sapatos na gravilha fê-las virar.
A Elvira olhou para mim com puro ódio.
A Sofia pareceu assustada, como um coelho apanhado pelos faróis.
"O que é que estás aqui a fazer?" perguntou a Elvira, a sua voz era um silvo. "Vens perturbar o descanso do meu neto?"
"Ele também era meu filho," respondi, a minha voz a tremer ligeiramente.
"Uma mãe que deixa o filho morrer não merece ser chamada de mãe."
A Sofia deu um passo em frente, a mão no peito. "Dona Elvira, por favor. Inês, eu sinto muito pela vossa perda."
"Tu não sentes nada," disse eu, olhando diretamente para ela. "Tu tens o meu marido. O que mais queres?"
Ela recuou, os olhos a encherem-se de lágrimas. "Eu nunca quis isto..."
"Mas tu aceitaste. Cada vez que ligaste, cada vez que precisaste dele, tu estavas a roubá-lo à família dele. Ao filho dele."
Virei-me para a minha sogra.
"E a senhora? A senhora é uma cúmplice. Sempre a protegeu, sempre a desculpou. A senhora ajudou a destruir a minha família."
"Como te atreves a falar assim comigo?" gritou a Elvira. "Tu és uma ingrata! Nós demos-te tudo!"
"Deram-me um marido ausente e um túmulo para visitar. Podem ficar com o resto."
Dei-lhes as costas e afastei-me.
Não olhei para trás.
As lágrimas que eu tinha segurado finalmente caíram, quentes e silenciosas, no meu rosto.
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