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Capa do romance Não me deixe, minha companheira

Não me deixe, minha companheira

Ava Adler era uma ômega desprezada e vista como feia, nutrindo um amor secreto pelo arrogante Ian Dawson, o futuro Alfa. Após ser humilhada e ferida por ele, ela ressurge como uma beleza irresistível, escondendo um segredo que pode mudar tudo. Agora, o jogo virou: Ian está obcecado em marcar seu território e apagar qualquer vestígio de outros homens da pele dela. Será que o Alfa implorará por perdão quando descobrir quem Ava realmente é?
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Capítulo 2

Com a testa franzida, ele me encarou antes de murmurar num tom grave: "Que seja."

Em seguida, passou por mim e se afastou.

Fechei os olhos para me lembrar do cheiro da sua colônia atraente. Só então me dei conta de que essa era a primeira vez que havíamos nos falado.

"Ei, Nerd! O que está fazendo sozinha aqui? Por acaso, achou que algum de nós iria achá-la uma bela garota solitária?" Um garoto parou para me provocar, mas eu não rebati.

Na verdade, eu nunca discutia com ninguém, por medo de que isso pudesse encorajá-los a me intimidar ainda mais ou até inventar mentiras sobre mim para o reitor, o que poderia causar problemas para minha mãe.

Com exceção das três pessoas que queriam mesmo o meu bem, eu evitava ao máximo interagir com os outros.

"Robin, pare com isso e venha logo. Estamos sem tempo para as suas besteiras", Ian disse, um pouco mais à frente.

Ao me virar na direção dele, percebi que ele olhava para o garoto ao meu lado.

O tal Robin, então, caminhou na direção dele e disse: "Você não devia ter me interrompido. Eu estava tirando sarro daquela nerd."

"Chega de besteiras." Ian seguiu adiante, deslizando os dedos pelos seus cabelos molhados.

"Por que Ian poupou essa garota?", sussurrou uma das meninas à minha volta.

No entanto, eu permanecia com os olhos grudados nas costas de Ian até ele desaparecer da minha vista.

"Ava!"

Quando me virei, vi Luke acenando para mim e fui até ele.

Meu amigo era um dos melhores alunos do terceiro ano, o mesmo que Ian estava.

"Eu estava te esperando", disse Luke, segurando uma bolsa esportiva sobre o ombro.

Ele era o capitão do time de basquete "Chamas Vermelhas" enquanto Ian comandava o time adversário "Diamante Negro".

"Eu esbarrei numa pessoa e acabei me atrasando", respondi.

"Você comentou que precisava de ajuda com estatística, não foi?"

"Ah, sim!"

"Vamos para a biblioteca então."

"Ótima ideia, vou mandar uma mensagem para Abigail nos encontrar lá."

"Tá."

Em seguida, fomos juntos para a biblioteca, o lugar onde nos conhecemos.

Alguns meses atrás, como Luke era um aluno exemplar, e eu estava com dificuldades para resolver alguns problemas de matemática, ele se ofereceu para me ajudar a estudar. Depois disso, ele conheceu minhas amigas, e ficamos todos muito próximos, embora ele também tivesse outros amigos.

Chegamos ao nosso lugar de estudos e, mais tarde, Abigail se juntou a nós.

Junto dela, Debra, minha outra amiga, apareceu também. Além de ser um doce de menina, Debra era elegante e andava sempre na moda.

"Vou dar um festão hoje à noite", comentou Luke.

"Onde?" Debra não escondeu sua curiosidade.

"Na casa de hóspedes da minha família."

"Está bem, gostei."

Virando-se para mim, Luke insistiu: "Você precisa vir hoje à noite."

Olhei para ele, atordoada. "O quê? Você sabe que não posso ir à festas."

"Por que não? Eu falo com a tia Angela."

"Não, não, ela não vai permitir. Além do mais, também estou sem vontade..."

Ao ouvir isso, Abigail se intrometeu na conversa e garantiu: "Luke, pode deixar que eu vou levá-la comigo."

Com isso, eles acabaram conseguindo me convencer.

À noite, Abigail foi até a minha casa.

Eu já estava vestida com uma camiseta preta e uma calça jeans larga o suficiente para não marcar as curvas do meu corpo.

"Querida, por favor, vista algo mais interessante. Não é que tenha algo de errado com a sua roupa, mas você devia colocar um vestido de festa", aconselhou Abigail, abrindo meu armário para verificar as opções.

Ela se virou para mim com um olhar decepcionado.

"Você não tem nenhum vestido de festa."

"Eu disse... Festas não são minha praia. É melhor mesmo eu não ir."

"Espere, não! Não foi isso o que quis dizer. Você é minha melhor amiga, e eu só falei aquilo porque queria vê-la toda produzida. Mas esqueça minhas palavras. Você está bem assim."

Não pude deixar de rir do pânico que tomou conta dela.

Puxando meu cabelo para trás em um rabo de cavalo baixo, deixei duas mechas grossas caírem na frente do meu rosto para cobri-lo e então coloquei meus óculos.

"Você tem noção do quão bonita é? Por que fica se escondendo desse jeito?", Abigail perguntou.

Eu me virei para ela com um sorriso. "Não estou me escondendo, apenas sou assim."

Abigail tirou seu casaco preto e comprido e o ofereceu para mim.

"Pode usá-lo."

"Não precisa", respondi, admirando seu vestido roxo, que caía como uma luva nela.

Ignorando minhas palavras, ela colocou o casaco sobre os meus ombros.

"É só um casaco, e você precisa usá-lo, senão, vai acabar pegando um resfriado."

Depois de vestir o casaco, eu me olhei no espelho.

"E você?", perguntei.

"Eu não preciso dele." Ela piscou um dos olhos para mim.

Saímos da minha casa e entramos no carro de Abigail, que era rica o suficiente para ter um veículo como esse só para si.

O pai dela era um empresário bem-sucedido, portanto comprar um carro caro para a filha não era nada de mais para ele.

Ainda assim, Abigail nunca me tratou com superioridade.

Durante o trajeto, fiquei recostada no meu assento, admirando a paisagem lá fora pela janela.

Cerca de uma hora depois, chegamos na casa de hóspedes de Luke, a qual já se via lotada de carros estacionados do lado de fora.

Assim que entrei no lugar, fui recebida por uma fumaça espessa e música alta. Conforme atravessávamos pela multidão, segurei a mão de Abigail com força.

Impressionantemente, a casa toda havia sido transformada numa boate com pessoas bebendo cerveja em copos vermelhos aqui e ali, enquanto outras tinham as garrafas nas mãos.

Alguns garotos e garotas também conversavam, mexendo-se ao som da música.

"Ava, Abigail!"

Debra, linda e deslumbrante como sempre, veio até nós, e deu um grande abraço em Abigail e em mim.

"Estou tão feliz que você veio! Devo admitir que Abigail faz milagres. Como ela convenceu sua mãe?"

"Minha mãe não estava em casa", eu revelei.

"Ei! Não precisava ter dito isso. Era para ter feito com que pensassem que eu sou um gênio", Abigail murmurou.

Não pudemos deixar de rir juntas.

"Vamos procurar o Luke. Ele deve estar na beira da piscina", Abigail sugeriu.

Como já era a terceira vez que Abigail vinha a esse lugar, ela liderou o caminho até a piscina.

"Lá está ele!" Ela apontou, encontrando Luke na primeira vista.

Comigo logo atrás, ela caminhou até ele, que estava conversando com um grupo de garotos.

No entanto, algo chamou minha atenção, fazendo-me parar no meio do caminho ao notar alguns rapazes e garotas torcendo por alguma coisa.

Quando me virei, vi um garoto usando uma venda preta.

E para minha surpresa, esse garoto era Ian Dawson!

Ele usava uma calça jeans preta e um colete escuro aberto, que deixava à mostra as tatuagens em seus braços e parte do torso, tornando-o ainda mais atraente.

As garotas riam enquanto ele se movia, aproximando-se delas, pronto para pegá-las a qualquer momento. Parecia que estavam brincando de cabra-cega.

Os amigos dele também bebiam e se divertiam, como se o verdadeiro desafio fosse pegar uma garota específica.

De repente, arregalei os olhos quando vi Ian vindo na minha direção.

Dei alguns passos para trás, mas ele continuava avançando.

Ao perceber que ele já estava perto demais, eu me virei, porém, antes que pudesse fugir, senti uma mão agarrar o meu pulso e me puxar para o seu peitoral firme.

Na mesma hora, todo mundo à nossa volta ficou em silêncio.

Eu estava chocada demais com a proximidade entre nós dois.

Só de me encostar nele, meu corpo petrificou.

Com uma risada, ele mordeu o lábio inferior como se pudesse ouvir as batidas aceleradas do meu coração.

Nesse momento, meus olhos pousaram em sua boca, notando um sinalzinho que ele tinha no meio do lábio inferior.

Para mim, essa tinha sido a coisa mais bonita que já vi.

Devagar, ele ergueu a mão para tirar a venda, mas no momento em que me viu, seu sorriso desapareceu.

"Você?"

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