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Capa do romance Não Mais April Mayo: A Herdeira Retorna

Não Mais April Mayo: A Herdeira Retorna

Após sete anos vivendo na simplicidade por amor, April Mayo vê seu mundo ruir. Seu companheiro a trai por poder e permite que sua mãe a humilhe, oferecendo-lhe um cargo de serva enquanto nega o próprio filho. Após o menino ser rejeitado publicamente no noivado do pai, April decide dar um basta. Ela abandona a submissão, retoma sua identidade como herdeira de um império bilionário e busca justiça contra aqueles que ousaram destruir sua dignidade e sua família.
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Capítulo 1

Por sete anos, abandonei minha vida como herdeira de um império por uma casa modesta com o homem que me salvou e nosso filho. Eu escolhi o amor em vez de um império.

Essa escolha se despedaçou na noite em que ele chegou em casa cheirando ao perfume de outra mulher. Ele chamou seu caso de "fusão de negócios", mas as manchetes contavam a história real. Ele estava escolhendo o poder em vez de sua família.

Sua mãe nos convocou para a mansão da família apenas para anunciar que sua amante estava grávida do "único herdeiro legítimo". Na frente de todos, ela me ofereceu um emprego como empregada e disse que meu filho poderia ficar como um órfão adotado.

Meu companheiro, o homem por quem eu desisti de tudo, ficou ao lado dela e não disse nada enquanto sua mãe publicamente nos apagava de sua vida.

Meu filho de cinco anos olhou para mim, sua voz tremendo, e fez uma pergunta que destruiu o último pedaço do meu coração.

"Mamãe, se ela vai ter um bebê... então o que eu sou?"

Mas o golpe final veio no aniversário dele. Sua amante nos enganou para que fôssemos à festa de noivado deles, onde ele empurrou nosso filho no chão e o negou. Enquanto a família dele me atacava, meu filho implorou por sua ajuda, chamando-o de "senhor".

Naquele momento, a mulher que ele conhecia morreu. Peguei a mão do meu filho, saí daquela vida para sempre e fiz a ligação para o império que eu havia abandonado. Era hora de o mundo se lembrar do meu verdadeiro nome.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Laura Arruda

A primeira vez que eu soube — soube de verdade — que minha vida tinha acabado, começou com o cheiro do perfume de outra mulher. Não era um perfume barato ou óbvio. Era caro. Jasmim e rosas, impregnado na gola do homem por quem eu havia desistido de tudo.

Por sete anos, eu fui Laura Arruda, uma mulher sem passado, vivendo uma vida simples em uma casa modesta com Heitor Sampaio, o brilhante CEO de uma empresa de tecnologia em ascensão, e nosso filho, Davi. Mas antes disso, eu era Laura Monteiro, a única herdeira do império corporativo Monteiro, um mundo de riqueza e poder inimagináveis do qual eu me afastei sem pensar duas vezes. Eu escolhi o amor. Eu o escolhi.

Naquela noite, essa escolha parecia uma tumba que eu mesma havia construído.

Minhas malas já estavam prontas, escondidas no fundo do armário de Davi. As palavras do meu pai de sete anos atrás ecoavam em minha mente, uma dor fantasma que eu nunca consegui superar. "Ele não é um de nós, Laura. A ambição é o deus dele. Um dia, ela vai exigir um sacrifício, e você será a oferenda." Eu o chamei de cínico. Agora, eu apenas o chamava de certo.

Eu estava deitada na cama, fingindo dormir, tentando invocar a Monteiro que deveria correr em minhas veias. Onde estava a herdeira implacável agora? Ela parecia um fantasma, uma história contada sobre outra pessoa. Tudo o que eu conseguia sentir era o espaço vazio no meu peito onde meu coração costumava estar.

A porta do quarto rangeu ao se abrir. Heitor entrou, sua silhueta emoldurada pela luz do corredor. Ele se movia com uma confiança silenciosa que um dia fez meu pulso acelerar. Agora, apenas fazia meu estômago se contrair. O cheiro de jasmim e rosas encheu o quarto, uma névoa venenosa.

Ele pensou que eu estava dormindo. Senti o colchão afundar quando ele se sentou ao meu lado, seus dedos gentilmente afastando uma mecha de cabelo da minha bochecha. Seu toque, que já foi meu santuário, agora parecia uma violação.

"Laura?", ele sussurrou, sua voz um murmúrio baixo e íntimo. "Está dormindo?"

Eu não me mexi. Mantive minha respiração regular, um ritmo lento e constante que desmentia a tempestade que se formava dentro de mim. Eu tinha visto as manchetes no meu celular apenas uma hora antes. "Magnata da Tecnologia Heitor Sampaio e a Socialite Sofia Alencar: A União Perfeita dos Negócios?" O artigo era acompanhado por uma foto deles saindo de um restaurante cinco estrelas, a mão de Sofia possessivamente enfiada no braço dele. O sorriso dela era triunfante. O dele era... cansado.

O perfume de jasmim e rosas não estava apenas na gola dele. Estava em seu cabelo, em sua pele, impregnado na própria fibra de seu ser. Era o cheiro de Sofia Alencar.

Eu sabia que ele vinha passando as noites com ela há semanas, sob o pretexto de finalizar a fusão entre a Sampaio Inovações e as Indústrias Alencar. Negócios, ele chamava. Um mal necessário.

Eu me mexi, como se estivesse despertando, e afastei a mão dele. "Você está fedendo", murmurei, minha voz carregada de um nojo que era apenas parcialmente fingido. "Vá tomar um banho."

Ele congelou. Eu podia sentir a tensão irradiando dele. "Laura, eu... me desculpe. As reuniões com a Sofia vão até tarde. Você sabe como ela é, praticamente se banha naquele perfume."

Ele disse o nome dela com tanta facilidade. Sofia. Não Srta. Alencar. Sofia.

"Vou tomar banho agora", disse ele, com a voz tensa. Ele se levantou e foi para o banheiro, um lampejo de constrangimento em seus movimentos. Em poucos minutos, ele voltaria cheirando ao meu sabonete, ao meu xampu, tentando lavá-la de si e fingir que pertencia aqui, comigo.

Mas ele não pertencia mais aqui. Como um homem tão dependente da influência e do poder de outra mulher poderia realmente pertencer a mim? Ele era um CEO ou o bichinho de estimação bem-vestido dela?

Para o mundo, eu era apenas Laura Arruda, uma mulher sem importância. Uma órfã que ele havia acolhido, abençoada com uma vida tranquila que não merecia. Ninguém sabia que eu era a mulher que detinha a chave de um império que poderia engolir a Sampaio Inovações sem deixar rastros.

O chuveiro desligou. Ele saiu momentos depois, uma toalha pendurada na cintura, gotas de água agarradas aos planos rígidos de seu peito. Ele ainda era lindo. Devastadoramente lindo. O mesmo homem que me tirou dos destroços de um acidente de carro sete anos atrás, seu rosto marcado por uma preocupação feroz que me roubou o fôlego.

Eu estava fugindo de um casamento arranjado, do mundo sufocante do meu pai. Meu carro derrapou em uma placa de gelo e capotou. Ele foi o primeiro a chegar, um estranho que arrancou a porta das dobradiças com as próprias mãos para me alcançar.

Ele me levou para sua cabana, suas mãos gentis enquanto limpava minhas feridas. Lembro-me da força bruta em seus ombros, da intensidade em seus olhos escuros. Ele não era como os homens polidos e predadores do meu mundo. Ele era real.

"Você é minha agora", ele rosnou naquela primeira noite, sua voz carregada de uma possessividade que me emocionou. "Eu te encontrei. Você me pertence."

Ele me prometeu a eternidade. Ele jurou que eu seria sua única parceira, a mãe de seus filhos, a mulher que estaria ao seu lado enquanto ele construía seu legado.

Agora, ele deslizou para a cama, sua pele quente e limpa, e tentou me puxar para seus braços. Mas o fantasma de jasmim e rosas permanecia em minha memória. Eu me encolhi, virando de costas para ele.

"Laura, o que há de errado?", ele murmurou, seu hálito quente no meu pescoço.

"Nada. Estou cansada."

Ele não era o homem que me salvou. Aquele homem se foi, substituído por este estranho que cheirava a ambição e traição.

Uma batida forte e frenética ecoou da porta da frente, quebrando o silêncio tenso. Eram quase duas da manhã.

Heitor suspirou, um som de pura exasperação. "Fique aqui."

Ouvi seus passos, a porta da frente se abrindo, e então a voz baixa e urgente do mordomo de Sofia Alencar. "Sr. Sampaio, minhas desculpas, mas a Srta. Alencar adoeceu. Ela está chamando pelo senhor."

Meu sangue gelou.

Ouvi a resposta imediata de Heitor, sem hesitação, sem pensar em mim ou em nosso filho adormecido. "Estou a caminho."

Ele voltou para o quarto, vestindo uma camisa. Ele nem sequer olhou para mim. "A Sofia não está se sentindo bem. Ela tem umas enxaquecas terríveis. Preciso ir."

Ele disse isso tão casualmente, como se estivesse falando de uma parceira de negócios. Mas o deslize estava lá, a intimidade inconsciente. "O médico dela diz que o estresse as piora, e eu sou o único que sabe como massagear suas têmporas do jeito certo."

Ele parou na porta, um lampejo de culpa cruzando seu rosto. "Volto antes que você perceba, Laura. A Sofia é só... frágil."

Ele esperava que eu esperasse. Que eu ficasse aqui em nossa cama, em nossa casa, enquanto ele ia confortar outra mulher. Ele esperava que eu fosse a Laura sempre paciente, sempre compreensiva.

Virei a cabeça no travesseiro e dei a ele um sorriso pequeno e tenso. O sorriso de um fantasma. "Claro. Leve o tempo que precisar."

O alívio tomou conta de seu rosto. Ele era tão cego. Ele viu meu sorriso e pensou que era aceitação. Ele não viu o gelo se formando em meus olhos, o aço endurecendo minha espinha.

Ele saiu. A porta da frente se fechou, deixando a mim e a Davi no silêncio sufocante de uma casa que não era mais um lar.

Ele esperava que eu esperasse.

Ele estava enganado. Eu nunca mais esperaria por ele.

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