
Não Consigo Te Esquecer
Capítulo 3
Cheryl estava bem ciente que, apesar de aparentar frieza, Jarred estava longe de ser insensível. Ele sempre refreava seus impulsos sexuais e a tratava bem na cama. Por mais apaixonados e cheios de tesão que estivessem, ele parava sempre que a escutava gritar de dor.
Quando Cheryl viu que o arquivo estava prestes a ser aberto, as suas mãos se apertaram com força de cada lado do seu corpo. Suas longas unhas se cravaram contra sua pele, mas ela estava absorta demais para perceber isso.
No calor do momento, o celular de Jarred começou a tocar.
O toque estridente dele interrompeu tudo. Era o telefone pessoal dele, portanto poucas pessoas o tinham em sua agenda.
Jarred, como previsto, largou o arquivo e pegou o celular primeiro.
Não havia nada mais urgente do que atender essa ligação? Cheryl relaxou o aperto de suas mãos doloridas.
"Alô?"
"Senhor Fuller, a senhora Sampson se recusou a sair da sacada. Faz algum tempo que ela está lá e parece bem chateada."
Era uma empregada que cuidava de Ines falando do outro lado da linha. Pelo tom dela, a situação parecia grave.
"Tenho medo que ela esteja pensando em se matar."
O comportamento de Jarred mudou completamente, ficando praticamente sombrio. "Por favor, dê o telefone para ela."
"Sim."
Depois de alguns ruídos de fundo, se ouviu uma voz feminina e triste no telefone.
"Jarred..."
"Está frio hoje à noite. Não fique na sacada", ele pediu com gentileza, apesar de suas sobrancelhas estarem franzidas.
"Ines, por favor, se comporte e me escute."
Os olhos de Cheryl se arregalaram, espantados.
Qual era essa sensação de ouvir seu marido mimando outra mulher como se fosse uma criança, sendo que ele estava bem na sua frente?
Cheryl achou engraçado que estivesse ali sentada, presenciando isso. Ela sentiu como se estivesse presa à cadeira e não conseguisse mover as pernas. Parecia que uma pedra de dez toneladas comprimia seu peito.
Embora não tivessem se divorciado oficialmente ainda, Jarred já estava demonstrando preocupação por outra mulher sem o menor pudor.
Então o que devia estar pensando dela?
A crueldade do homem a devastou completamente.
Enquanto tentava cobrir o rosto, seu corpo tremia incontrolavelmente.
Apesar disso, Jarred seguia alheio à sua reação. Os gritos tristes de Ines invadiam seus ouvidos.
"Sinto muito, Jarred, foi tudo culpa minha. Fui tão imprudente que acabei me acidentando de carro. Mas para que me ressuscitaram? Não sou mais fértil! Agora é impossível termos um filho juntos."
Ines acabou desmoronando, chorando histericamente e estremecendo pesadamente.
Jarred massageou suas têmporas doloridas enquanto tirava seus óculos de hastes douradas. Nunca havia pensado em ter um filho com Ines e, se ele escolheu se casar com ela agora, foi só porque ela salvou sua vida.
Em um tom tranquilizador, disse: "Está tudo bem. De qualquer maneira, nunca pensei em ter filhos."
"Por favor, não minta para mim... É impossível que o CEO do Grupo Fuller não queira um herdeiro." Ines chorou sem parar, seu rosto se contorcendo em sofrimento e sua voz carregada de dor.
"Realmente não gosto de crianças, portanto pare de se preocupar e deixe a empregada levá-la de volta para o quarto para descansar."
Jarred estava desesperado para encerrar a conversa. Ainda queria perguntar para Cheryl o motivo da sua ida ao hospital e saber se sua saúde estava bem.
Infelizmente, ele não percebeu toda a desolação nos olhos dela quando falou essa última frase.
Se não estava enganada, Cheryl tinha pensado em usar a gravidez para salvar o casamento deles agora.
Quão estúpido seria isso?
Jarred poderia forçá-la a fazer um aborto no hospital amanhã mesmo se descobrisse que ela estava grávida. Ele certamente faria todo o possível para evitar que Ines se magoasse.
O coração de Cheryl afundou ao pensar nisso. 'Não vou deixá-lo saber de jeito nenhum!', ela jurou interiormente.
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