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Capa do romance Nadine - Meu Doce Fruto Proibido

Nadine - Meu Doce Fruto Proibido

Nadine enfrenta uma realidade cruel marcada pelos abusos do pai e pelo abandono do irmão. Presa em um casamento arranjado, ela vê o sonho da liberdade virar um pesadelo de violência nas mãos do marido. No entanto, sua rotina muda ao trabalhar com Fritzz. O que antes era inimizade com o médico alemão transforma-se em um desejo proibido. Ciente da vida dupla do rival, Fritzz decide arriscar tudo para resgatar Nadine desse ciclo de dor e sofrimento.
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Capítulo 3

Na semana seguinte, Nadine passou pelo portão da escola, não encontrou o Civic do pai parado no lugar de sempre. Estranhou por dois fatos. Nas sextas-feiras sempre faltava as aulas, era o dia que o pai escolheu para dar estudo para os membros da igreja. Ele até mesmo conseguiu convencer o pessoal da escola a dar trabalhos e atividades para Nadine não ficar com faltas e sem notas. 

Nadine saiu do meio da multidão e atravessou a rua, não tinha colegas para acompanha-la até em casa, e no fundo, ela nem queria mesmo. Pouparia a vergonha de levar bronca na frente da amiga, ou de ser obrigada a se negar a sair.

- Nadine.

Ao ouvir o nome pronunciado de uma voz macia, Nadine sentiu a nuca se arrepiar. Virou minimamente para ver Rafael com as mãos no bolso de uma calça social, encarando-a com um sorriso nos lábios.

- Oi. - Ela deu um sorriso amarelo, apertou a bolsa no ombro direito. 

Rafael se aproximou rapidamente e estendeu a mão a ela.

- Me dê a bolsa.

- Não posso, vou ser julgada na frente dos membros. E você também, deveria sair enquanto é tempo.

- E como acha que descobri onde estuda? - Rafael sorriu. - Hoje é dia de estudo para os membros. Seu pai me pediu para buscá-la. Vamos, me dê a bolsa.

- Se é assim. - Ela deu de ombros.

Rafael caminhou calado por um tempo. Ainda perto da escola comprou dois sorvetes, contou que a escolha de ir para a Capital fora do pai, e que ele morou com a avó até se formar. Agora estava em busca de uma esposa, coisa que ele mesmo o faria.

- Conheço algumas. A Maria Clara, acho que está se formando esse ano. - Nadine olhava adiante. - Tem a...

- Já sei os nomes de cor. - Rafael disse. - No momento meus olhos caem sobre uma menina moça, tão madura quanto elas.

Se naquele momento Nadine soubesse o peso das palavras, teria corrido para a escola e chamado a polícia. Era uma menina com sonho de se apaixonar, casar por amor e ser feliz. Casamento prematuro estava fora dos sonhos dela.

Rafael continuou discursando sobre a faculdade de Ciências contábeis e era bom no quê fazia. O sorvete derreteu, Nadine mal o ouvia, a mente disparava momentos de briga entre Luciano e o pai.

'' - Ela não deveria ter se casado, pai. Valquíria é uma menina. Você mesmo viu quando ela apanhou do marido velho."

"- Ele é o homem da casa, corrige como bem quiser."

Nadine não se assustou ao ver o pai no portão, com os braços cruzados, o susto mesmo foi vê-lo sorrir abertamente para Rafael e abraça-lo.

- Entrem.

Nadine entrou, e mais uma vez foi pega de surpresa ao ver somente Durval e a família sentados no sofá.

- Sente-se Nadine. - Elizeu ordenou. - Cancelei o estudo hoje, como pode ver. Rafael queria esperar mais um pouco, mas eu, Rafael e Durval conversamos essa semana toda enquanto você estava ocupada com  a escola e tudo o mais. A partir de hoje, você e o Rafael estão comprometidos.

- Claro que será um namoro santo, sem contato físico, já que os dois estão consagrados. - Durval completou, olhando de um para o outro. -Rafael vai fazer o pé de meia enquanto você termina os estudos, e vai se tornar uma ótima matriarca.

- Vão me desculpar, mas eu tenho planos também. - Nadine ignorou o olhar atravessado do pai. - Não sei se quero ser a matriarca. Quero estudar, me formar e ter a minha profissão.

- Nadine... - Elizeu começou, mas foi barrado pelo futuro genro.

- Olha, podemos falar sobre isso com o tempo, ok? Não vou me opor ao seus estudos, eu também pretendo me qualificar ainda mais. Claro que tudo tem seu limite. - Rafael cravou os olhos nela. - Estou escolhendo alguém para ser feliz. Acredite em mim.

- Mas isso é errado. - Nadine sentiu os olhos marejar. - Você é um homem, e eu, uma menina ainda. Como vão me olhar na escola, ou na igreja?

- Você mesma disse que não tem amigos na escola, - Rafael falava de forma suave, mesmo assim soou como um desaforo para Nadine.  Continue sendo  assim. A igreja vai nos apoiar, nossos pais são os líderes, e nós iremos ser um dia. Aceite o propósito.

- Ela está confusa com muitas informações, precisa descansar. Amanhã vai pensar bem. Não é filha? - Nadine apenas assentiu para o pai.

Durval e a família ainda demoraram para ir embora. Já era noite quando Elizeu trancou a última janela, sumiu pela sala que mantinha sempre trancada, e quando voltou carregava um manto esfarrapado que em algum momento fora bonito. 

- Tire a camiseta e vista essa túnica. - Elizeu estendeu a mão.

- Porque? - Ela o indagou. - Estou cansada para qualquer coisa.

Elizeu a pegou pelo braço com brutalidade, arremessando-a no chão, e jogou a peça em cima dela.

- Vista e fique de joelhos. Agora!

Nadine sentiu o corpo todo tremer, tirou a camiseta e a jogou de lado, passou a túnica fedida pela cabeça. Havia uma abertura na parte de trás e ela se sentiu nua diante do olhar acusador do pai.

Elizeu puxou a cinta do cós da calça com precisão e a estalou no ar.

- Hoje o membro da igreja veio reclamar a sua mão em casamento, e você foi opiniosa e má educada. - ele a olhava de cima, parecendo ainda mais cruel. - Das próximas vezes, vai acatar toda e qualquer escolha que fizermos para você. E será moldada no sofrimento.

Nadine recebeu a primeira cintada com um grito vindo do fundo da garganta. Se encolheu com as mãos para cima.

- Para, por favor eu imploro. Prometo que nunca mais faço isso. 

Levou outra cintada fervorosa.

- Pai, por favor. Misericórdia de mim! - Nadine juntou as mãos em súplica. - Eu... Eu aceito a tudo. Tudo!

Elizeu parecia se divertir com cada cintada que dava, e no fim quando a cinta já estava quente ele se afastou, rumou para a sala particular e se trancou ali. Nadine arrancou aquela túnica fedida e a jogou no sofá, buscou a camiseta e se arrastou até o quarto, tirou o resto das roupas, o sutiã foi para o lixo. Precisou morder o braço quando a água quente bateu nos machucados e chorou. Saiu do banheiro e se arrastou até a cama, deixava o celular escondido em baixo do colchão, deitou de barriga para baixo e facilmente o encontrou, não teve dificuldade para ligá-lo.

Luciano provavelmente mantinha aquele celular para o caso de alguma tragédia, pois só tinha um número gravado  ali. Ela o discou, colocou o celular no ouvido e escutou chamar até cair na secretária eletrônica.

- Luciano, vem me salvar. - Ela soluçou. - Dói muito. Ele me surrou e eu acho que não aguento uma segunda vez. Por favor... Eu fujo com você. Só me leva embora daqui.

Nadine só teve tempo de enfiar o celular em baixo do colchão de novo. Elizeu abriu a porta com um solavanco.

- Estava falando com quem?

- Rogando, sozinha. - Ela o respondeu de onde estava. 

- Então trate de parar, como não foi boa, não terá o jantar. Amanhã peça perdão pelos seus atos e eu vejo se lhe tiro do castigo.

Nadine adormeceu logo em seguida, não tinha fome, o único sentimento era de tristeza profunda. 

De agora em diante, a vida dela estava mudando, e para pior.

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