
Nada Mais Que Um Valentão
Capítulo 3
PONTO DE VISTA DA ANA:
Continuei andando enquanto as lágrimas caíam dos meus olhos. Fui humilhada, e o pior, foi que ninguém me ajudou. Eles nem mesmo sentiram necessidade de me ajudar.
É apenas o meu primeiro dia na escola nova e eu já odeio os alunos.
Eu só quero ir embora correndo daqui.
De repente, esbarrei em uma garota e acabei caindo no chão.
Eu gemi de dor e automaticamente olhei para a garota com quem acabei de esbarrar.
Ela tinha cabelos loiros claros, olhos muito azuis e vestia uma camiseta vermelha e calças brancas. Ela me olhou com bastante preocupação.
"Está tudo bem?" Ela perguntou se eu queria ajuda para me levantar.
"Sim, obrigada." Eu respondi rapidamente enquanto terminava de enxugar as minhas lágrimas.
"Por que você está chorando desse jeito, aconteceu alguma coisa?" Ela me perguntou enquanto me ajudava.
Nesse momento eu comecei a chorar como um bebê, lembrando-me do que tinha acontecido antes.
De repente, ela me abraçou de um jeito muito reconfortante. Logo começou a fazer carinho no meu cabelo.
"Shhh, não chore mais." Ela sussurrou.
Eu estava totalmente bagunçada depois de tanto chorar. E de alguma forma ela conseguiu me acalmar.
"Venha, vamos lavar o rosto e aí você pode me contar o que aconteceu", com isso, ela me levou até o banheiro.
Eu estava lavando o meu rosto na pia e ela estava parada bem ao meu lado. Eu olhei no espelho, e estava completamente acabada. Meu nariz estava muito vermelho, meus olhos estavam extremamente inchados e meu cabelo estava cheio de nós.
Eu torci meu nariz quando vi o meu estado.
Ela então tirou um pente da bolsa e me ofereceu.
"Vamos, penteie um pouco o seu cabelo." Ela disse isso enquanto sorria.
"Obrigada mais uma vez", eu disse um pouco constrangida.
Terminei de pentear o meu cabelo e já parecia um pouco melhor. Devolvi o pente à garota.
"Você é nova por aqui? Como você se chama?" Ela perguntou com um pequeno sorriso no rosto.
"Sim, acabei de vir para cá e meu nome é Ana." Eu respondi sorrindo gentilmente.
"Meu nome é Brenda Gomes", ela respondeu ainda sorrindo de forma calorosa.
"Então, amigas?" Ela perguntou com uma voz cheia de esperança. A seguir ofereceu um aperto de mão.
"Amigas." Eu dei um abraço apertado nela. Ela me abraçou com mais força ainda.
Eu ri daquela atitude.
"Então, me conte agora, por que você estava chorando?" Ela me perguntou interrompendo o abraço com delicadeza.
"Bem, o problema é que um menino chamado Daniel fez uma coisa horrível comigo", respondi com uma voz triste.
"O que foi que ele fez?" Ela parecia conhecê-lo muito bem. Bem, quem não iria conhecer um idiota desses?
Eu contei a ela sobre tudo o que tinha acontecido. Ela suspirou demonstrando alguma decepção e me disse para simplesmente ignorá-lo.
Ela pareceu um pouco surpresa quando contei sobre o tapa. Aí, ela decidiu mudar de assunto, me contou muitas coisas sobre ela e eu também contei algumas.
Seu pai se chamava Hugo Gomes e era político. Ela me contou quase todos os detalhes da vida dela. Ela era extremamente amigável e, claro, gostava de falar. Conversamos por 15 minutos sem parar.
Então, de repente, ela me interrompeu e disse: "Mostre-me os seus horários de aula."
Abri minha mochila e mostrei o papel. Ela deu uma olhada rápida na programação e deu alguns pulinhos de empolgação.
Eu estava curiosa para saber o motivo de tanta felicidade. Ela pareceu perceber que eu tinha ficado inquieta.
Ela disse: "Nós temos quase todas as aulas juntas, e você pode se sentar comigo a partir de hoje", com isso ela me arrastou para a sala de aula.
A classe estava bem cheia e um pouco caótica. Meninos e meninas conversavam, alguns flertavam, e surpreendentemente, alguns também estavam se beijando.
"Que nojo", eu disse enquanto Brenda sorria.
"Acho que você vai precisar se acostumar um pouco com isso", ela respondeu.
Pegamos duas cadeiras na segunda fila. As salas eram definitivamente enormes e muito bem mobiliadas também. As janelas eram grandes e arejadas e o chão brilhava. Nitidamente era muito melhor do que na minha antiga escola. Mas os alunos eram péssimos.
"Ei, Brenda", uma garota com cabelo cacheado disse enquanto se sentava bem ao nosso lado.
Ela estava vestindo umas calças jeans de cintura alta e um top curto. Ela era linda.
"Quem é ela?" A garota perguntou a Brenda.
"Ela é a Ana, minha nova amiga. Ela é nova por aqui, Ana, esta é a Camila", disse Brenda apresentando a outra garota.
"Oi", eu disse meio sem jeito e um pouco nervosa sem saber se ela vai gostar de mim ou não.
"Ei, linda. Acho que também tenho um nova amiga então", disse Camila de uma forma muito gentil, e apertou a minha mão.
"Obrigada. Você é muito fofa", eu respondi com um sorriso.
Ela ficou vermelha e Brenda começou a rir.
"Ahm, a Camila fica muito tímida quando recebe elogios", Brenda disse sorrindo.
Camila deu um tapa de brincadeira nos ombros dela e tapou o rosto com as mãos. Nós duas rimos dessa vez. Camila parecia mesmo adorável.
De repente a turma toda ficou quieta, pensei que talvez o professor tivesse acabado de chegar, mas logo percebi que não era o professor, era apenas aquele babaca e os amigos dele.
Ele estava com a mão na cintura de uma loira obscena. Ele olhou para mim e eu desviei o olhar na mesma hora. Eu não queria olhar aquele garoto nos olhos.
A garota estava literalmente colada a ele. Seus amigos também estavam com algumas garotas. Talvez todos sejam da mesma natureza.
Brenda percebeu que eu estava desconfortável e me disse: "Não tenha medo, ele não vai dizer nada." Eu balancei a cabeça.
Notei Brenda olhando fixamente para ele, mas ele apenas sorriu e beijou a loira nos lábios e se sentou na fileira oposta a nossa. Acho que Brenda também tinha problemas com aquele babaca.
Seus amigos não estavam aos beijos como ele. Mas eu vi que um dos amigos não tinha nenhuma garota, qual poderia ser o motivo? Talvez ele fosse um pouco melhor do que os outros.
"O que aconteceu com você, Ana?" Perguntou Camila.
"Aquele imbecil se comportou mal com ela hoje na frente de todos." Brenda disse com raiva dirigida a Daniel.
"O que foi que ele aprontou agora?" Camila também estava com raiva e aborrecida.
Logo contei a ela a história toda. A reação de Camila foi a mesma que Brenda teve. Ela também me disse que eu deveria ignorá-lo. Mas acabou usando alguns palavrões.
Acho que a Camila tem o hábito de praguejar às vezes.
Eu vi a loira e aquele babaca aos beijos e fiquei enojada. Idiota.
Os seios daquela garota estavam extremamente pendurados para fora do vestido.
Mas eu só conseguia pensar numa coisa: por que todo mundo ficou quieto depois que ele chegou?
"Brenda", eu disse em voz baixa.
"Sim?" Ela olhou na mesma hora para mim.
"Por que todo mundo ficou quieto depois que ele chegou?"
"Porque aquele lixo e seus amiguinhos vivem assustando todo mundo." Camila logo respondeu.
Eu vi a decepção nos olhos de Brenda enquanto ela continuava olhando para Daniel. Por que isso acontece?
"Você o conhece, Brenda?"
"Sim, ele é..."
Ela estava prestes a dizer alguma coisa quando foi interrompida por Camila dizendo que ele era um porco. Eu ri e Brenda riu nervosa. Talvez houvesse algo que elas não queriam me dizer agora. Elas devem me contar assim que estiverem prontas. Eu não quero forçá-las a nada.
Logo o professor chegou. E eu já poderia dizer que Camila é uma aluna muito boa e eu e Brenda somos apenas medianas.
A pior parte de tudo é que o idiota estava dando uns amassos bem na frente do professor e ele nem se importou em falar nada, simplesmente ignorou. Talvez por conta do poder de seu pai, por isso os professores não dizem nada a ele.
Terminamos a aula e logo fomos para a próxima. Na aula seguinte ele estava com outra garota.
"Meu Deus! Como ele pode ser tão sujo?" Exclamei cheia de nojo.
"Alguém como ele pode ser assim", disse Camila com o mesmo desgosto.
Estou feliz porque elas o odeiam tanto como eu. Mas Brenda não falava muito sobre Daniel.
Ficamos juntas e fofocamos em quase todas as aulas, mas depois veio uma aula em que infelizmente tivemos que nos separar. Nossos horários dessa vez eram diferentes. Eu estava com medo daquele idiota me encontrar sozinha e novamente fazer alguma cena. Elas viram a minha expressão preocupada e me encorajaram.
"Basta chutá-lo nas bolas se ele tentar fazer alguma coisa", Camila disse me fazendo gargalhar.
Tenho que ser corajosa, não posso demonstrar fraqueza.
"Você consegue fazer isso, Ana", eu disse a mim mesma.
Com isso, nós três seguimos para as salas diferentes. Cheguei à aula cheia de confiança.
Mas toda a minha segurança se foi assim que o vi sentado na segunda fila. A primeira fila estava completamente cheia e a classe não era tão grande como as classes anteriores. Seu olhar estava fazendo meu corpo todo se incendiar por dentro.
Entrei na sala, vi que algumas garotas estavam me olhando com inveja, seus amigos estavam sorrindo e eu tremia como uma vara verde, mas de alguma forma controlei isso. Sua aura era muito forte e extremamente dominadora. Eu queria me sentar atrás, mas um de seus amigos ocupou o lugar de repente. Fui procurar qualquer lugar mais distante, mas ficaram todos ocupados. Eles me olhavam como se estivessem indefesos. Logo eu entendi que ele deve ter ameaçado todos os alunos.
Sem ter opções, apenas bufei e caminhei lentamente até a segunda fileira. Minhas pernas pareciam estar completamente fracas por causa do meu medo.
Mas de alguma forma eu consegui andar e sentar-me um pouco longe dele.
Ele de repente se levantou e eu comecei a tremer mais ainda. Ele sorriu me vendo ficar mais nervosa.
Se ele não fosse um valentão, eu definitivamente teria caído ao ver aquele sorriso intimidante. Ele era tão intimidante que qualquer garota cairia na conversa dele.
Eu mentalmente quis me bater por admirar a aparência daquele babaca.
Ele logo se sentou ao meu lado. Eu estava segurando a lateral da minha saia e rezando para que alguém me ajudasse, minhas mãos tremiam completamente.
Ele se aproximou cada vez mais de mim e eu pude sentir seu hálito quente no meu pescoço. Um arrepio no mesmo instante percorreu minha espinha. Ele colocou a mão na minha coxa e começou a desenhar círculos. Senti uma coisa estranha no meu corpo. Era como se o seu toque estivesse enviando choques elétricos para todo o meu corpo, especialmente para a minha região inferior.
Eu tentei tirar suas mãos e ele agarrou minhas coxas com muita força me fazendo ofegar e um sorriso malicioso se formou em seu lábios.
"Você vai pagar muito caro pelo que fez hoje, Ana. Vou fazer você se sentir totalmente desamparada. Você vai implorar pela misericórdia, mas não vai conseguir. Eu te prometo isso com todas as minhas forças. Vou transformar a sua vida num verdadeiro inferno." Ele disse em voz baixa e muito ameaçadora. E em seguida, se afastou.
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