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Capa do romance Na porta ao lado

Na porta ao lado

Gabriela estuda medicina para combater o câncer, mal que levou sua mãe. Com o apoio do pai, Charles, e do fiel Lucian, ela leva uma vida pacata até a chegada de Amanda, uma vizinha misteriosa. Enquanto Charles esconde segredos do passado, os novos moradores trazem barulhos estranhos e tensão ao prédio. Ao decidir investigar os gritos na porta ao lado, Gabriela arrisca sua segurança diante de vizinhos enigmáticos que guardam segredos obscuros e perigosos.
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Capítulo 3

_ Gabriela está muito nervosa pelo barulho e não consegue se expressar muito bem, mas, a vizinha vê que ela não está no seu normal, por algum motivo que ela não sabe, assim que a moça, apenas toma uma atitude gentil e convida Gabriela para entrar e tomar uma água. Gabriela está atordoada, por um momento cambalea na porta encostando no batente para não cair, a vizinha por sua vez, a segura pelo braço e a leva para dentro do seu apartamento. Ao passar pela entrada, Gabriela vê muitas caixas e percebe não haver muitos móveis, há também um rapaz que ela vê apenas de relance, não consegue ver o seu rosto, mesmo assim continua a seguir a moça até sentar-se numa cadeira oferecida por ela, que coloca em frente a Gabriela um copo grande com água.

- Estamos de mudança, provavelmente por isso você possa ter ouvido alguns barulhos, mas, não acredito que tenha sido muito alto, pois nem móveis temos, acho que o seu sono estava afetado.

_ Explica a moça em tentativa de desculpar-se com ela, que a olha com uma cara confusa.

- Beba a água, asseguro que se sentirá melhor pela manhã!

_ A moça afirma para Gabriela, que de um gole grande, ingere grande parte da água, mas, percebe que o gosto está estranho.

- O que você colocou na água? Está com gosto estranho!

_ Afirma Gabriela olhando curiosa para a moça a sua frente. A vizinha olha para ela com uma expressão tranquila, assim começa a falar.

- Bom, coloquei umas gotas do meu calmante, te ajudará a descansar! Eu não sei o que lhe passou, mas, espero que fique bem pela manhã.

_ Os olhos de Gabriela estão bastante pesados e ela não percebe que está quase adormecendo.

- Ela está pronta!

_ Gabriela alcança apenas ouvir essas palavras antes de apagar de vez.

_ Já passam das 8:30 da manhã, quando Charles levanta, ele apenas lembra de deitar-se depois que um rapaz trouxe Gabriela, como ela estava desmaiada, ou adormecida, ele não quis acordá-la, achou melhor fazê-lo pela manhã, pois assim poderia conversar melhor e observar a sua filha com mais clareza. Ele vai para a cozinha fazer um café, não sabe se Gabriela está na cama ainda, então vai até o quarto para ver se a sua filha se encontra por lá. Ao se aproximar da porta, ele bate levemente para não assustá-la, mas não há resposta, então ele gira vagarosamente a maçaneta da porta, franzindo a testa com medo do que possa haver passado durante a noite, pois ele a havia deixado na sala e ao acordar ela não estava mais lá.

- Gabi? Está acordada?

_ Ele pergunta abrindo lentamente a porta, mas, é interrompido pela campainha que soa com pressa, ele não sabe quem pode ser esta hora da manhã, então, vai atender a visita matutina, deixando a porta do quarto de Gabriela entreaberta. Ao abrir a porta da sala ele encontra Lucian, parado ali e recostado na parede, esperando que ele o convide para entrar.

- Bom dia Lucian! Por aqui tão cedo? Vem, entra! Vamos tomar um café.

_ Lucian o olha atentamente, com olhar confuso, ele resolve perguntar por sua melhor amiga, que ele não teve notícias desde a noite.

- Charles, vejo que está tranquilo, Gabriela apareceu? Morria de preocupação.

_ Diz o rapaz, com expressão de medo e alívio, pois espera por notícias boas.

- Sim Lucian, ela apareceu, mas, estava desacordada, um rapaz a encontrou na viela em frente ao restaurante chinês, disse que ela estava desmaiada e suja de sangue, que parecia machucada.

_ Conta-lhe Charles, entrando nos detalhes que o rapaz havia-lhe dito anteriormente.

- Como assim? Mas ela está bem? O senhor chamou a polícia?

_ Pergunta Lucian extremamente preocupado com o que houve do pai de Gabriela.

- Não, resolvi esperar que ela acordasse.

- Não! O senhor não pode deixar isso assim, e se o rapaz que a trouxe for o mesmo que a machucou?

_ Lucian está visivelmente transtornado, ele nem espera a que Charles termine de explicar o que sucedeu a noite.

- Lucian, você não entendeu, ela não está ferida! Não sei o que pode ter acontecido, mas, não há evidências de que ela tenha sido atacada!

_ Lucian o olha com uma expressão confusa e sem saber o que lhe dizer agora. Ele apenas espera que Charles continue a contar o que aconteceu.

- Como poderia chamar a polícia se ela não tem nenhum arranhão? Dói-me pensar nisso, mas, eu acho que a minha filha machucou alguém! Não de propósito, mas, para se defender!

_ Lucian continua confuso, Gabi seria incapaz de algo assim. Ela é uma menina muito meiga e doce, não faria mal a uma mosca, que dirá a uma pessoa! Ele não consegue acreditar que Charles esteja a pensar isso da sua própria filha, quando pensa em rebater, uma voz soa no corredor dos quartos.

- Pai? O que tem para o café?

_ É Gabriela, ela está de pé, parada no corredor observando os dois conversando de longe!

- Filha, bom dia! Como passou a noite? Eu estava preocupado.

_ Diz Charles, olhando para a sua filha e tentando ver se há algo errado no seu comportamento, mas, surpreendentemente ela parece estar muito bem.

- Pai, precisamos conversar, me diz como eu cheguei aqui? Não me lembro de nada que aconteceu ontem e que cheiro enjoativo é esse?

_ Ela pergunta e Charles estranha, ele não sente cheiro de nada esquisito no ar.

- Filha, um rapaz te trouxe aqui ontem a noite, não lembra? Ele disse que você mesma deu o endereço de casa. Pediu-lhe para trazê-la!

_ Ela faz uma careta, como se tentando lembrar o que passou, mas, no mesmo momento ela corre para o banheiro, enjoada e se põe a vomitar. Charles e Lucian vão de encontro a ela, preocupados eles param em frente ao banheiro, esperando a que ela se recomponha.

- Filha, o que houve, você está bem?

_ Pergunta o seu pai angustiado com a situação da sua filha, ele não imagina pelo que ela passa agora, mas, sabe que boa coisa não é, afinal, até mesmo malestares ela tem. Ele quer perguntar, mas, prefere esperar que a mesma resolva contar o que passou para poder ajudá-la a resolver o problema. Assim que Gabriela para de vomitar, ela volta-se para o pai e pede desculpas, em seguida de um desmaio repentino e assustador para ele. Charles corre para pegar a sua filha, mas, Lucian é muito mais rápido, ele pega-a no colo e leva para a cama, colocando-a em segurança até que ela recobre a memória e deste momento em diante, nem mesmo ele a deixa só.

- Charles, ficarei aqui, caso o senhor precise de ajuda com ela.

_ Ele consente com a cabeça, a sua expressão é de sofrimento e preocupação com a sua filha, ele não sabe o que fará a partir dali.

- Lucian, você não tem aula hoje?

_ Pergunta Charles preocupado em estar a atrapalhar o futuro do rapaz.

- Não, por algum motivo que ainda não sabemos, as aulas foram suspensas por todo o fim de semana.

_ Explica o rapaz a Charles, que indaga uma pergunta.

- Nossa, mas, não informaram nada para vocês?

_ Charles agora está mais preocupado ainda com o que possa acontecer mais à frente, ou que esteja a acontecer neste exato momento.

- Não explicaram, mas, eu ouvi uma conversa entre o diretor e a secretária, parece que houve mais um ataque, assim como o que Gabriela sofreu.

_ Charles arregala os seus olhos em sinal se surpresa, uma surpresa nada boa, ele não vai mesmo gostar do que está prestes a ouvir.

- O único problema Charles, é que a garota não teve a mesma sorte de Gabriela!

_ Sabendo disso agora, Charles está mais aflito que nunca, ele agora teme que quem atacou a sua filha possa retornar e fazê-lo novamente, assim talvez, dessa vez consiga o que não teve antes. Gabriela acorda no exato momento em que ouve a história que Lucian contou, ela senta na cama e olha para ele, sem saber o que dizer, apenas olhando atentamente nos seus olhos claros como a luz do dia. Lucian sorri-lhe, ele segura a sua mão e ela permite-o, pedindo-lhe desculpas pelo que aconteceu entre eles no dia anterior, mas, Lucian balança a cabeça, ele não responde.

- Lucian, você precisa contar-me quem desapareceu da faculdade.

_ Ele olha-lhe intensamente, sabe que foi sua amiga de classe, ela foi dada como morta, mas o seu corpo não foi encontrado, apenas manchas de sangue no local.

- Acho que, não será uma boa ideia contar-te isso agora meu bem, é melhor você descansar.

- Se você não me contar, ligo para a Lauren, ela me dirá o que preciso saber.

_ Agora, ele nem imagina qual será a surpresa, como ela receberá a notícia, mas, dessa maneira ele terá que contar.

- Foi a Lauren, ela está desaparecida!

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