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Capa do romance Na porta ao lado

Na porta ao lado

Gabriela estuda medicina para combater o câncer, mal que levou sua mãe. Com o apoio do pai, Charles, e do fiel Lucian, ela leva uma vida pacata até a chegada de Amanda, uma vizinha misteriosa. Enquanto Charles esconde segredos do passado, os novos moradores trazem barulhos estranhos e tensão ao prédio. Ao decidir investigar os gritos na porta ao lado, Gabriela arrisca sua segurança diante de vizinhos enigmáticos que guardam segredos obscuros e perigosos.
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Capítulo 1

- Após tantos anos, agora você vem procurá-la?

_ Charles questiona a pessoa com quem fala ao telefone.

- Você não pode simplesmente aparecer como se nada tivesse acontecido, foi você quem a abandonou, eu cuidei da menina e da Laura, não te pedimos nada, você nunca fez nada por elas e agora quer me ameaçar?

_ Charles está com os nervos a flor da pele, ele nem ao menos sabe como responder à pessoa que o deixa nervoso.

- Não farei objeções a sua imposição, mas, se você continuar a proibir que eu veja a minha menina, terei que fazê-lo à força, garanto-lhe que não irá gostar nada!

_ Afirmando a sua ameaça, a pessoa do outro lado da linha desliga abruptamente, deixando Charles tremendo em cima dos seus sapatos cuidadosamente limpos, ele está tão nervoso que não percebe quando a sua filha entra no escritório, ele está visivelmente atordoado e pálido.

- Pai?

_ Questiona Gabriela ao entrar no escritório, mas, sem perceber que o seu pai acabara de desligar o telefone.

- Oi, filha, a quanto tempo você está aí? Ouviu a minha conversa?

_ Charles pergunta com desconfiança.

- Não pai, acabei de chegar, mas, vejo que o senhor não está nada bem, o que houve? Más notícias do trabalho?

- Não! Digo, sim!

_ Responde Charles completamente confuso com as suas próprias palavras.

- Bom, é que o meu chefe ligou, terei que fazer uns trabalhos extras no feriado e acho que não poderemos viajar, sinto muito!

_ Charles tenta disfarçar com uma desculpa sem nenhum sentido, mas, ele consegue felizmente. Gabriela não chegou a ouvir nada dessa conversa, ou a mesma teria questionado algo a respeito. Charles conhece a sua filha, sabe que a menina tem um dom para descobrir coisas ocultas e dessa vez, ele acabou se saindo bem.

- Pai, apenas vim trazer o seu chá e também uns biscoitos para acompanhar, tome os seus remédios, não quero que tenha mais malestares.

_ Gabriela está visivelmente preocupada, então, Charles concorda e agradece, ele pega o chá, o prato com os biscoitos e senta para comer, enquanto a sua filha entrega os remédios e se despede, seguindo para a faculdade. Ao sair do escritório do pai, Gabriela nota em como ele se preocupou por ela ter ou não escutado a sua conversa ao telefone, mas, ela não deu muita importância ao fato, seguiu o seu caminho e foi encontrar com o seu melhor amigo, Lucian. Gabriela conhece o Lucian desde a sua infância, eles tinham 8 anos quando se conheceram na escola, estudam juntos desde a segunda série, se tornaram amigos e desde então, não se separaram mais. Lucian tem hoje 19 anos, assim como Gabriela, mas, ele faz uma faculdade diferente, ele quer ser médico Veterinário, enquanto Gabriela quer ser Oncologista, uma especialidade deveras difícil, mas, que ela vai passar com firmeza, pois, o seu sonho é um dia poder encontrar uma cura para o câncer.

_ Gabriela senta no banco da praça em frente a sua faculdade, ela espera por Lucian ali, todos os dias no mesmo horário, como ele mora em um quarteirão à frente do que ela reside, eles combinam sempre de se encontrar em frente ao Campus. Por algum motivo ela estranha a demora de Lucian a chegar ao local de encontro, ela pega o telefone e está prestes a ligar, quando sente mãos quentes no seu rosto, tampando os seus olhos.

- Adivinha quem é?

_ Pergunta Lucian bastante empolgado, esperando que Gabriela tenha um pouco de dificuldade em saber quem a surpreende. Ele faz uma careta sorridente e altera a voz enquanto aguarda a resposta de Gabriela, que em um tom brincalhão finge não saber quem é, mas, ela sabe.

- Ora, não sei, quem é? Pode falar novamente para saber quem me surpreende? Ou será um estranho à quem eu não tive o prazer de conhecer?

_ Lucian ri, a sua face cora diante da brincadeira, ele sabe que ela não sente o mesmo que ele, mas, mesmo ao estar perto dela, sente que não consegue suportar o amor imenso que poderia oferecer-lhe. Então por sua vez, ele tenta ser mais insinuante, de uma maneira mais sutil, talvez o resultado seja diferente.

- Se acertar, ganha um beijo!

_ Diz em um tom mais calmo e sério, mas, com muito carinho em sua voz. Por sua vez, Gabriela se afasta lentamente, ela retira as mãos de Lucian do seu rosto suavemente, olhando bem para os seus olhos azuis, ela não sabe como falar com ele sem machucá-lo, ela já disse uma vez, quando de surpresa ele a beijou, mas, aquela vez foi diferente, ela achava que apenas era uma ilusão da sua parte, mas, pelo visto ela se enganou redondamente, pois ele tenta de tudo há dias para que ela o note como homem, o que não é difícil, pois ele é lindo, alto, de pele morena clara, seus olhos azuis e penetrantes, cabelos pretos como a noite e um sorriso lindo e encantador, mas, infelizmente o sentimento não é mútuo, ela já não sabe o que dizer para que ele pare de insistir. Então, ela apenas pensa em uma opção. dizer que já tem alguém, mesmo não sendo verdade, isso pode fazer com que ele pare de tentar.

- Lucian, olha, eu não sei mais o que dizer a você, eu simplesmente não posso ficar com você, sei o quanto gosta de mim, mas, eu não sinto mesmo, você é como um irmão para mim, não quero magoar você, entenda por favor!

_ Lucian não aceita a premissa de que ela não possa gostar dele do mesmo jeito um dia e rebate:

- Gabi, não me diz isso, olha, eu sei que você pode, sei que pode sentir algo por mim, sei que sente algo, só basta dar uma oportunidade para nós, você não pensa nisso?

_ Para dizer a verdade, Gabriela pensou, já pensava neste assunto há dias, mas, ela não viu nenhuma possibilidade de ter algo mais que uma amizade com ele, pois ela não sente aquele frio na barriga, tampouco aquela emoção de um novo amor quando o vê, ela apenas o vê, ele é o seu amigo, confidente, aquele que está com ela nos bons e maus momentos, não mais que isso.

- Lucian, eu gosto de outra pessoa.

_ Resolve Gabriela dizer-lhe, para conter esse amor desenfreado que ele sente por ela, que pode fracassar se ela ceder, ela sabe que não irá a lugar nenhum. Então ela continua com a sua explicação, para que ele não sofra e consiga entender o que ela está tentando falar.

- Lucian, eu não quero estragar a nossa amizade, ela já vem de muitos anos e não posso arriscar perdê-la, eu estimo demais a nossa amizade, para mim é muito mais que amor, mas, não da maneira que você sente, que, na verdade, acredito ser apenas uma ilusão.

_ Lucian, desolado e triste não responde, apenas sai e a deixa ali, sem saber o que fazer, ele não olha para trás e ela se preocupa de que ele possa fazer algo que vá machucá-lo ainda mais. Mas, ela decide deixá-lo sozinho por um tempo, talvez, ao término da aula ele esteja mais tranquilo e volte a falar com ela. Após horas de longas e cansativas aulas, já está quase anoitecendo e Gabriela desce para esperar por seu melhor amigo, mas, após quarenta longos minutos de espera, ela enfim desiste e pega o caminho para sua casa, sozinha e um pouco assustada. Gabriela muda a sua rota de destino e decide parar em um restaurante, ela pede comida para ela e o seu pai, logo que paga, segue para a porta, mas não percebe o quão deserto está nas ruas, ela segue por uma pequena viela para cortar caminho, mas, ali, um perigo reside, ela não tem ideia do que a persegue.

_ De repente, sente uma mão tapando a sua boca para não gritar, ela não tem mais ação, a não ser se debater com toda a força que encontra nas suas pernas, mas, todo o seu esforço é em vão, ela não pode com aqueles braços em torno da sua cintura, está quase perdendo as forças completamente quando sente uma dor aguda no seu pulso, ela grunhe e sente algo quente descendo por seu braço, escorre como a água quente por todo o seu braço, mas, no seu inconsciente, ela sabe que está ferida e aquilo não pode ser água. Com a intensidade do susto, ela desmaia, apagando ali mesmo e sem ter ideia do que acabara de passar.

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