
Mr.X : Volume II
Capítulo 3
— Tiago.
— Não… Lorenzo.
— Não.
— Murilo.
— Não… Ramon…
— O nome do meu pai não… deixa eu ver…
— Pablo — diz Carlos tocando na minha barriga. Ele se ajeita em nossa cama me olhando — É um bonito nome.
— Pablo? Pablo é tão comum — argumento olhando para o livro de nomes — Além disso, você sabe o que significa Pablo? Significa “pequeno” ou “de baixa estatura”. Meu filho não será um anão.
— Tudo bem… — diz Carlos — Qual sugere?
— Carlos — respondo olhando para ele. Ele sorri sem graça, está prestes a me contrariar — Além de ser o seu nome, achei o significado lindo. Significa “homem”, “guerreiro” ou “homem do povo”. É assim que desejo que seja meu filho.
— Eu aceito… com uma condição. — diz Carlos, enigmático.
— E qual seria? — pergunto, desconfiada.
— Se o primeiro nome for Juan. Então ele se chamaria Juan Carlos… o que acha?
— Deixa eu ver o significado — respondo — Significa “Deus é cheio de graça”, “agraciado por Deus” ou “a graça e misericórdia de Deus” e “Deus perdoa”.
— Então…? — pergunta Carlos passando a mão na minha barriga. Ele se aproxima dela e sussurra — Vai, filhão, dá uma ajuda pro papai.
— Ahahaha, o que pensa que o nosso filho fará para me persuadir? — pergunto, sorrindo.
— Se ele der um chute, esse é o nome — diz Carlos — Se ele não chutar, escolhemos outro.
— Tudo bem — concordo, nós dois sabemos que ele nunca me chutou e não será agora. Ajeito na cama e digo — Juan Carlos.
Minha barriga nem se mexe, olho para Carlos e dou com os ombros, não será esse nome, hora de escolher outro.
— Juan Carlos — chama Carlos. Então sinto uma pontada… o primeiro chute do Juan Carlos.
Ficamos por horas chamando o nome do Juan que chutava prontamente. Foi um dos melhores dias da nossa vida... Mas nem tudo são flores. Completei cinco meses de gestação e continuava enjoando sem parar ficando cada vez mais magra, adquiri alergia a ouro e fui obrigada a tirar minha aliança de casamento, fiquei intolerante a lactose e ácidos e para fechar com chave de ouro: voltei a morar com os meus pais até o Juan nascer. Indo em casa somente para abrir minhas correspondências e buscar as roupas. Tomamos essa decisão por conta do hospital ser bem perto da casa deles.
***
Três meses depois...
Oito meses de gestação, olho para o espelho e tudo o que vejo é minha imagem magra com um barrigão. Pelo menos os enjoos foram controlados, mas ainda moro nos pais e não comprei nada para o meu filho até agora. Um dos motivos é o fato de estar na casa deles e o outro é que não sou bem o tipo que descobriu que está grávida e já vai logo comprar o sapatinho do bebê. No quesito compras, sempre sou prática, quando comprarei algo, sei exatamente o que quero e não gosto de andar por várias lojas. Contudo, agora sinto que o Juan está prestes a nascer e preciso comprar as coisas dele.
— Mas ainda falta um mês — argumenta Valéria deitada na cama.
— Sim, mas acredito que o Juan nascerá antes — explico. Toco em minha barriga e falo — Coisa de mãe.
— Tudo bem, eu vou com você — cede minha irmã — Mas só porque eu não quero ficar com tersol.
Fomos ao shopping e já fui direto a loja de artigos para bebê, onde comprei tudo: desde roupas a berço, fraldário, banheira, cadeirinha. Só ficou faltando mesmo o carrinho, já que meu sonho de consumo era ter um de três rodas. Assim que voltamos, só queria deitar em minha cama e descansar, pois, minhas costas estavam me matando.
Depois de algum tempo Carlos chega super empolgado no quarto e me enche de beijos, deitando ao meu lado.
— Então, como foi as compras?
— Boas, só não consegui comprar o bendito carrinho de três rodas — digo, irritada. Quero muito esse carrinho.
— Hummm... tenho a solução para os seus problemas — diz Carlos se levantando. Ele vai até à porta do quarto e a abre trazendo o carrinho de três rodas para dentro do quarto — Tcharãn!
— Não acredito! — exclamo levantando da cama. Carlos comprou o carrinho que eu tanto queria — Como você…?
— Hoje tirei folga a tarde e fui atrás dele para você — explica Carlos sorrindo. — Sou ou não o melhor pai do mundo?
— Eu te amo , amor — declaro abraçando meu marido — E sem dúvida é o melhor pai do mundo.
Mesmo talvez não sendo o pai biológico do Juan…
***
Um mês depois… ou 40 semana de gravidez…, ou nove meses de gestação
Rúbia me examina cuidadosamente, já tenho 40 semanas e nada do Juan Carlos nascer, o que me preocupa muito. Ela termina e troco de roupa imaginando o que poderia estar errado.
— Bom, aparentemente está tudo dentro do normal — explica a obstetra — Apesar de que esse mocinho já deveria estar aqui fora e não ainda se divertindo na barriga da mamãe. A minha ideia é esperar mais uma semana e caso não nasça até lá, induziremos o parto.
— Tudo bem, mas o Juan está bem? — pergunto.
— Seu filho está perfeito. Sabe, é normal a criança não sair na data prevista. Existem casos de crianças que só nasceram com doze meses de gestação.
— Nossa, mas é muito tempo — digo, preocupada. Um ano com o Juan dentro de mim, é demais, por mais que eu o ame, não dá mais para ficar carregando ele dentro da minha barriga.
— Não se preocupe, esse rapazinho sem dúvida nascerá bem antes disso — diz Rúbia. — Caso sinta dores, com uma frequência de cinco minutos, vá para o hospital imediatamente e peça para me acionar.
Deixei o parto marcado e fui para casa acreditando que o bebê nasceria na próxima semana. Cheguei em casa, contei a novidade a todos e meu marido então desistiu de tirar as férias por agora, já que ainda ia demorar algum tempo pro bebê nascer.
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