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Capa do romance Morri Três Vezes, Suas Ligações Sem Resposta

Morri Três Vezes, Suas Ligações Sem Resposta

Ao voltar para Campinas, planejei convidar Marcos para meu casamento, mas o encontrei noivo de Clara, minha antiga algoz. Marcos ignorou meu noivado e permitiu que ela me humilhasse, acobertando crimes contra mim. Decidi pagar minhas dívidas e fugir para a Itália. Desesperado, ele tentou impedir minha união na Toscana, mas encontrou uma mulher radiante com Davi. Revelei que, enquanto ele me ignorava, quase morri três vezes sozinha. Agora, seu arrependimento é inútil.
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Capítulo 1

Voltei para Campinas depois de quatro anos, feliz da vida, noiva e esperando convidar meu tutor, Marcos, para o meu casamento.

Mas o que encontrei foi um pesadelo: Marcos estava noivo de Clara D'Ávila, a garota que fazia bullying comigo no colégio.

Ele imediatamente descartou a notícia do meu casamento como uma "mentira", favorecendo Clara cegamente enquanto ela me atormentava sistematicamente.

Ele permitiu que ela armasse para mim, me forçou a pedir desculpas e a deixou roubar minha obra de arte mais querida.

Quando denunciei, ele enterrou a investigação policial, me acusando de "causar problemas" e me confinando em casa.

Seu desprezo cruel e favoritismo cego foram uma traição profunda.

Destruída pela injustiça, decidi cortar todos os laços.

Devolvi cada centavo que ele gastou comigo, deixando um bilhete: "A dívida está paga. Estou indo embora."

Enquanto eu voava para Florença, a ilusão de Marcos desmoronou.

Ele correu através de continentes, frenético para impedir meu casamento na Toscana.

Ele invadiu a cerimônia, desesperado e em lágrimas, apenas para me encontrar radiante.

Com calma, revelei as três vezes que quase morri, sozinha e abandonada, depois que ele me mandou embora – e em cada uma delas, minhas ligações não foram atendidas.

Minha felicidade inabalável com Davi e a verdade fria de sua negligência o destruíram por completo.

Capítulo 1

Os portões de ferro forjado da mansão no Condomínio das Palmeiras Imperiais se erguiam diante de mim.

Quatro anos.

Quatro anos desde a última vez que vi aquela imponente casa de estilo colonial em Campinas, São Paulo.

Marcos Alencar, meu tutor, me colocou em um avião para Florença, na Itália.

Suas palavras ecoavam, frias e finais.

"Elisa, não volte até eu mandar."

Eu tinha dezoito anos na época.

Meus pais, ambos arqueólogos, morreram em um deslizamento de terra quando eu tinha dez.

Marcos, o colega mais novo deles, amigo deles, me acolheu. Ele tinha vinte e oito.

Então, ele encontrou meu caderno de esboços.

Página após página, desenhos dele.

Confissões apaixonadas e tolas do amor de uma adolescente.

Seu rosto se contorceu de raiva, de decepção.

Ele chamou meus sentimentos de inapropriados.

Eu não entendi. Ele não era meu parente de sangue. Apenas meu tutor, bem mais velho.

Ele me mandou embora. De Campinas para Florença. Um mundo de distância.

Agora, aos vinte e dois, eu estava aqui.

Pensei que o tinha superado. De verdade.

Meu celular vibrou. "Meu Davi ".

Um pequeno sorriso tocou meus lábios.

"Meu girassol, o local está reservado para o mês que vem! Já decidiu se vamos fazer a cerimônia aqui em Campinas ou em Florença?"

A voz de Davi, quente e firme.

"Florença", eu disse. Parecia o certo.

"Ótimo! Vou começar os preparativos. E ei, não se esqueça de contar para o seu tutor, o Marcos, tá? Adoraríamos que ele estivesse lá."

"Vou contar", prometi.

Florença.

O primeiro ano foi um borrão de solidão.

A língua, uma barreira. A cidade, linda, mas estranha.

Então, o assalto. Um beco escuro, uma faca, puro terror.

Depois disso, pneumonia. Fiquei deitada em um quartinho alugado, febril, convencida de que estava morrendo.

Liguei para o Marcos. De novo e de novo.

Caixas postais ignoradas. Mensagens não lidas.

Davi me encontrou.

Outro estudante brasileiro no programa de artes.

Ele cuidou de mim. Se tornou minha âncora.

Dois anos. Seu cortejo paciente, sua bondade inabalável.

Eu disse sim.

Marcos finalmente ligou há um mês.

"Você pode voltar para casa. Para o memorial dos seus pais."

É por isso que eu estava aqui. Para visitar seus túmulos.

E para entregar o convite de casamento.

Estendi a mão para o interfone do portão.

Ele se abriu.

Clara D'Ávila.

Minha algoz do ensino médio.

Seu cabelo loiro perfeitamente penteado, suas roupas caras.

"Elisa? Uau, quanto tempo! Achei ter ouvido sua voz."

Sua voz, doentiamente doce, me deu um arrepio.

As memórias me inundaram. Sua crueldade, suas risadas de deboche.

"Clara? O que você está fazendo aqui?" Minha voz era quase um sussurro.

Marcos saiu de trás dela.

Alto, imponente. Seu cabelo escuro penteado para trás, seu terno impecável.

Ele exalava um ar de autoridade fria, exatamente como eu me lembrava.

Ele viu meu rosto, minha reação à Clara.

Uma ruga se formou em sua testa.

"Elisa. Você deveria chamá-la de 'Clara'. Ela é minha noiva."

Noiva?

O ar me faltou.

"Ela? Mas ela costumava..." *me humilhar sem parar. Fazer da minha vida um inferno.*

Marcos me cortou, sua voz afiada. "Costumava o quê?"

Florença. De coração partido e sozinha.

Boatos chegaram até mim. Marcos estava namorando.

Presentes luxuosos. Galas no Jardim Botânico Plantarum. Viagens de jatinho particular para o Vale dos Vinhedos. Compras extravagantes em leilões de arte.

Eu nunca imaginei que seria a Clara.

Engoli as palavras. "Nada."

"Bom", disse Marcos. "Leve suas coisas para dentro. A Clara está se mudando hoje. Vocês duas precisam se dar bem. Visitaremos o memorial dos seus pais na semana que vem."

Ele passou um braço pelos ombros de Clara. Eles caminharam em direção à casa, me deixando parada ali.

Sussurrei para o ar vazio: "Não haverá um 'depois', Marcos. Depois do memorial, eu vou embora para sempre."

Anoitecer. O ar do interior esfriou.

Marcos e Clara voltaram, rindo de alguma coisa.

O convite de casamento parecia um peso de chumbo na minha mão.

Bati na porta do escritório de Marcos.

Clara abriu.

Um brilho malicioso em seus olhos. "Ora, ora. Veio relembrar os velhos tempos?"

Tentei me virar. "Desculpe, hora errada."

Clara agarrou meu braço, suas unhas cravando na minha pele.

"Escuta aqui, sua pobre coitada que vive de favor. Mantenha a boca fechada sobre o colégio, ou eu transformo sua vida num inferno de novo."

Sua voz era um silvo venenoso.

"Você acha que ele não vai descobrir quem você realmente é?" Puxei meu braço, me libertando.

Clara riu, um som áspero e feio. "Veremos. Eu tornei sua vida miserável antes, posso fazer isso agora."

Ela segurava uma xícara de chá fumegante.

Com um movimento súbito, ela "acidentalmente" derramou o líquido escaldante em seu próprio braço.

Ela gritou. Um som agudo, teatral.

Marcos entrou correndo.

Clara desabou em seus braços, soluçando. "Marcos, não culpe a Elisa... ela não fez por mal..."

Marcos se virou para mim, seu rosto uma máscara de fúria.

"Achei que quatro anos longe teriam te ensinado alguma coisa! Você ainda é obcecada, ainda está tentando causar problemas. Estou te avisando, Elisa, isso nunca vai acontecer entre nós!"

Ele achava que eu tinha feito aquilo. Por ciúmes.

A injustiça queimava.

"Eu não fiz! Eu vim te entregar este convi-"

Marcos já estava carregando Clara para fora do quarto, murmurando palavras de consolo para ela.

Terminei minha frase para suas costas que se afastavam.

"...convite. Eu não sou mais obcecada por você, Marcos. Eu vou me casar."

Seus passos sumiram pelo corredor. Ele não tinha ouvido. Ou não se importou.

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