
Morena: O Jogo Sombrio
Capítulo 2
A música alta da festa de 21 anos de Sofia enchia a mansão. Luzes coloridas dançavam nas paredes e nos rostos dos convidados da alta sociedade do Rio de Janeiro. Sofia segurava uma taça de champanhe, o seu vestido branco brilhava, e o seu sorriso era o mais radiante de todos. Ela olhou para Tiago, o seu namorado, o homem que ela amava mais do que tudo. Esta noite, ele iria pedi-la em casamento. Ela tinha a certeza.
O seu pai, o Deputado Afonso Ribeiro, um homem amado por todos, subiu ao pequeno palco. Ele sorriu, um sorriso que sempre acalmava Sofia. Ele pegou na mão dela.
"Minha filha, hoje entrego-te ao homem que amas. Tiago, cuida bem dela."
Afonso desceu do palco e abraçou Tiago. Sofia olhou para Tiago, o coração a bater descontroladamente. Ele caminhou até ela, mas o seu rosto estava diferente, duro, sem o amor que ela conhecia. Ele não tirou um anel do bolso. Ele tirou um par de algemas.
"Deputado Afonso Ribeiro, também conhecido como 'O Doutor'. Matrícula de agente 788. Está preso."
A música parou. O silêncio foi absoluto. Tiago algemou o pai de Sofia na frente de todos. O choque no rosto de Sofia era indescritível. O seu mundo perfeito, o seu amor perfeito, tudo se estilhaçou em mil pedaços. A taça de champanhe caiu da sua mão, quebrando-se no chão de mármore.
A notícia espalhou-se como fogo. "Filha do miliciano." A frase ecoava nos jornais, na televisão, nos sussurros dos antigos amigos. A sua vida estava arruinada. Tiago, o homem que ela amava, era agora o Capitão Tiago, o herói que desmantelou uma poderosa milícia. E ela era apenas um dano colateral.
"Tiago, porquê?", ela gritou, correndo na direção dele enquanto os polícias levavam o seu pai. "O que é isto?"
"Afonso Ribeiro, está preso por liderar uma organização criminosa, tráfico de drogas e múltiplos homicídios", disse Tiago, a sua voz fria e oficial. Ele nem sequer olhou para ela. Ele mostrou uma pasta com fotografias e documentos. "Temos provas de tudo."
Na confusão, um dos seguranças do seu pai, ainda leal, sacou de uma arma. Houve um grito. Um tiro. Uma dor aguda perfurou o ombro de Sofia. Ela caiu, o sangue a manchar o seu vestido branco. Tiago olhou para ela por um segundo, o seu rosto impassível, antes de se virar para dar ordens. Ele não se moveu para a ajudar.
O pai dela, já a ser levado, gritou. "Sofia! Minha filha, perdoa-me!"
Ela tentou levantar-se, tentou ir até ele, mas um polícia segurou-a. Tiago ficou ali, uma barreira entre ela e o seu pai, entre o seu passado e o seu futuro destruído.
Mais tarde, no meio do caos, ela encontrou-o. "O nosso amor... foi tudo mentira?"
Ele finalmente olhou para ela, os seus olhos vazios de qualquer emoção.
"Foi uma necessidade da missão. Lamento."
A palavra "amor" nunca saiu dos seus lábios.
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