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Capa do romance Minha Vingança, Nosso Recomeço

Minha Vingança, Nosso Recomeço

Condenado injustamente pela morte da filha após ser traído pela esposa, Isabella, e pela própria mãe, o promotor Lucas morre na prisão. Contudo, ele desperta três anos no passado, no dia em que a conspiração começou. Com sede de justiça e memórias do futuro, Lucas decide inverter o jogo. Ele não será mais a vítima das mentiras de sua família; agora, agirá como um caçador implacável para proteger Sofia e destruir aqueles que planejaram sua ruína.
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Capítulo 2

O cheiro de desinfetante hospitalar e o som monótono do monitor cardíaco eram a trilha sonora da minha morte. Na pequena televisão pendurada na parede da cela da enfermaria, um repórter falava sobre o meu caso com um entusiasmo doentio. "Lucas, promotor público outrora respeitado, condenado por abuso e maus-tratos que levaram à trágica morte de sua própria filha, Sofia."

Minha filha. Morta.

E eu, o culpado aos olhos do mundo.

Tudo por causa da mulher que eu amava, Isabella, e da minha própria mãe, Dona Ana. A traição delas me destruiu, me jogou neste inferno. Fechei os olhos, sentindo o veneno que eu mesmo injetei começar a fazer efeito. O frio subia pelas minhas pernas. Era o fim. Um fim injusto, solitário.

Mas então, uma luz forte explodiu atrás das minhas pálpebras. Um som agudo, como um grito metálico, rasgou o silêncio. Meu corpo foi sacudido com uma violência absurda, e a escuridão me engoliu.

Abri os olhos.

Eu estava no meu escritório. A luz do fim de tarde entrava pela janela, iluminando a poeira que dançava no ar. Minhas mãos estavam sobre a mesa de mogno, firmes, sem tremores. Meu coração batia forte, mas era um ritmo saudável, vivo.

Olhei para o calendário na parede. A data era de três anos atrás. O dia em que tudo começou.

Meu celular vibrou sobre a mesa. O nome no visor fez meu sangue gelar.

Isabella.

Era a ligação. A mesma ligação. Na minha vida passada, eu atendi, ouvi suas mentiras sobre Sofia estar doente, corri para casa e caí direto na armadilha que ela e minha mãe armaram. Elas me doparam, forjaram as provas, e no dia seguinte, minha vida acabou.

Desta vez, não.

Deixei o celular vibrar até o silêncio voltar. Respirei fundo, sentindo o ar encher meus pulmões. O ar da liberdade, o ar de uma segunda chance. A raiva, uma brasa que a morte não conseguiu apagar, explodiu em chamas dentro de mim.

Levantei-me, peguei as chaves do carro e saí do escritório sem dizer uma palavra. Dirigi para casa, não com a preocupação de um pai, mas com a frieza de um carrasco.

A porta se abriu antes que eu pudesse usar minha chave. Isabella estava ali, com uma expressão de falsa preocupação.

"Lucas, querido! Por que não atendeu? Eu estava tão preocupada! Sofia..."

"Onde ela está?" minha voz saiu rouca, um som que nem eu reconheci.

"No quarto dela, dormindo. Ela está com um pouco de febre, eu..."

Passei por ela sem olhar em seus olhos. Fui direto ao quarto de Sofia. Minha pequena estava dormindo, o rosto sereno, as bochechas rosadas. Nenhum sinal de febre. Nenhum sinal de maus-tratos. Ela estava perfeita. A visão dela, viva e segura, quase me fez desabar. Mas eu me segurei.

Voltei para a sala. Isabella estava parada no meio do cômodo, os braços cruzados, uma ponta de irritação em seu rosto por eu ter ignorado seu teatro.

Ela abriu a boca para falar, para começar a tecer a teia de mentiras que me prenderia.

Eu não dei a ela a chance.

Agarrei seu pescoço com uma mão e a prensei contra a parede. Seus olhos se arregalaram em choque e medo. Um medo real, desta vez.

"Lucas! O que você está fazendo? Ficou louco?" ela engasgou, as unhas arranhando meu pulso.

"Você não vai tocar na minha filha," eu disse, cada palavra carregada com o ódio de três anos de inferno. "Você não vai destruir minha vida. Não de novo."

Apertei mais. O rosto dela começou a ficar vermelho, os olhos saltando. Eu queria matá-la. A vontade era tão forte que meus dedos doíam. Eu vi o corredor da prisão, senti o frio da solidão, ouvi o veredito do juiz.

Mas matá-la agora seria fácil demais. Seria a minha palavra contra a dela. Eu precisava de mais. Eu precisava que o mundo inteiro visse a verdade.

Afrouxei o aperto. Ela caiu no chão, tossindo e ofegando, lágrimas escorrendo pelo rosto.

"Você... você me agrediu! Eu vou chamar a polícia!" ela gritou, a voz trêmula de pavor e raiva.

"Chame," eu disse, dando um passo para trás. "Eu espero."

Ela pegou o celular, os dedos tremendo enquanto discava. Em poucos minutos, o som das sirenes encheu a rua. Dois policiais entraram com as armas em punho, encontrando-a chorando no chão e a mim, de pé, esperando calmamente.

"Ele me atacou! Ele tentou me matar!" Isabella gritou para eles.

Os policiais me algemaram. O metal frio nos meus pulsos era familiar, mas desta vez, não havia desespero. Havia um plano.

Na delegacia, minha mãe, Dona Ana, chegou. Ela correu para me abraçar, o rosto uma máscara de preocupação e amor. A mesma máscara que ela usou enquanto me visitava na prisão, me garantindo que acreditava na minha inocência, enquanto secretamente celebrava minha ruína.

"Meu filho! O que aconteceu? Isabella me ligou, ela estava histérica!"

"Ela mentiu, mãe," eu disse, olhando fundo em seus olhos, procurando qualquer sinal, qualquer vacilo. "Ela disse que Sofia estava doente, mas não estava. Ela estava armando para mim."

"Oh, meu querido," ela afagou meu rosto. "Isabella está sob muito estresse. Casamentos têm fases difíceis. Vocês vão superar isso."

Ela estava me testando. Vendo se eu era o mesmo Lucas ingênuo de antes.

"Onde está Sofia?" perguntei, minha voz dura. "Eu quero que ela fique com você. Não a deixe com Isabella. Por favor, mãe. Proteja minha filha."

A preocupação em meus olhos era genuína. Sofia era a única coisa que importava. No meio de todo o ódio e desejo de vingança, o medo de perdê-la novamente era a minha maior tortura.

"Claro, meu filho. Claro que eu cuido da minha neta. Não se preocupe com nada," ela disse, com a voz suave e tranquilizadora.

Eu sabia que ela estava mentindo. Ela era parte da conspiração. Mas eu precisava que ela acreditasse que eu confiava nela. Era parte do jogo.

Eu a afastei gentilmente e disse: "Mãe, diga a Isabella que eu não vou dar o divórcio a ela. E nem um centavo. Diga a ela que se ela quer guerra, ela vai ter."

Fui levado para uma cela de detenção. As grades se fecharam. Eu estava preso de novo. Mas desta vez, era diferente. Na minha vida passada, eu fui uma vítima.

Agora, eu era o caçador.

Eu ia expor todos eles. Isabella, minha mãe, e o filho bastardo do meu pai, Ricardo, o cérebro por trás de tudo. Eu ia desenterrar cada segredo sujo, cada mentira. Eu ia proteger Sofia e garantir que os verdadeiros culpados pagassem.

A justiça não seria cega desta vez. Eu mesmo seria a espada dela.

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