
~ MINHA RUIVA ~
Capítulo 3
O Rio Chicago
Pensar que nesse imenso Rio foi local que recebia lixo e outros descartáveis, corta o coração. Mas quem ver agora a maravilha deste lugar agradável para relaxar.
O sol e o vento. Gosto dessa sensação de liberdade. Aqui consigo pensar somente em coisas boas, pensamentos ruins não conseguem me atingir.
— Você está gostando? — Mayara pergunta.
— Estou Adorando, tudo isso — respondo alegre.
— Realmente não aconteceu nada lá em casa? — ela tinha que tocar nesse assunto.
— Não estou afim de falar sobre isso, Mayara — mudo meu tom.
— Só quero saber, caso tenha acontecido algo — balanço a cabeça. — Tudo bem! Vamos apenas aproveitar o passeio.
Preciso seguir meu próprio caminho, sei que aqui ainda estou correndo perigo. Mamãe a qualquer momento irá ligar para Mayara para informar sobre meu sumiço, e ela dirá onde estou.
Nunca irei me sujeitar a alguém do jeito que aquele homem quer, jamais. Estou decidida a fugir novamente, quando souber onde estou, o que não demorará muito.
Talvez devesse inventar que ele é um doente, que tentou me estuprar ou sei lá alguma coisa. Não estarei mentindo, já que num miserável dia acordei com peso em cima de mim, para meu desespero era ele quem estava.
Na minha "linda" família tem aquela coisa ainda de quando se perde a virgindade com um homem, você será sempre somente dele. Acredite não é algo religioso e sim doentio.Como seria nos dias de hoje se todos adotassem essa "doutrina".
Não acho errado, casar virgem. O questionamento é da escolha que não temos, de ficar com alguém que gostamos. Nossos pais são quem escolhem. Renner tentou de diversas formas me ter a força, só para não haver escapatória para mim. Quando engano o dele, mesmo se tivesse conseguido me estuprar, fugiria ou pior seria capaz de cortar seu pinto.
Sinto nojo só de lembrar.
— Porque está fazendo essa cara de quem comeu limão azedo? — Mayara bate na minha costa.
— Estava lembrando de um cachorro que foi atropelado na frente de casa.
O cachorro nojento vira lata, Renner.
— Ele morreu, tinha dono? — Mayara é um pouco emotiva.
— Se ele morreu eu não sei, e quanto se ele tinha dono, não deu tempo de perguntar para ele — Mayara me olha confusa.
— Porque cachorro não fala sua panga — bato na sua testa.
Ela começa rir feito condenada, parece uma hiena querendo dar o bo....
— Menina doida! — fala ainda rindo.
— Você que é, eu em! — amarro meu cabelo, desleixada minha correntinha cai na água.
— Aaa não!!
— O que foi?
— Minha correntinha, não posso perder ela.
— É só uma corrente, compro outra pra você.
— Não é só uma corrente Mayara, é a MINHA correntinha que ganhei da vovó.
Mayara nada diz, tenta com o remo pegar ela, meu couro cabeludo pinica em agonia. Estranhamente ela não submergiu, somente estava sendo levada pelo balanço da água
Não estou reclamando, paizinho do céu.
Droga! Aqui tem muita gente não para a gente passar. Vejo novamente minha correntinha que está próximo a uma canoa, ou sabe se lá o que é aquilo, parece o Titanic em versão pequena.
— Ei! Ei! EI! — falo mais alto para o bobão que está falando no seu celular, e a namorada está que nem besta olhando para o horizonte, se fosse eu já tinha batido nele pelo desrespeito de deixar ela "sozinha".
O bobão finalmente me olha e faltou me fazer xixi na calsinha, que homem sem plástica (zoando) ele é muito bonito, seu cabelo se move com o soprar do vento e parece estar num ensaio fotográfico ou no filme com Brad Pitt (não sei se é assim).
— Até aqui os mendigos, perturbam — mesmo falando baixo consigo ouvir o que esse cretino falou
— Oh Latrell versão branca e sem graça, não vim pedir esmola. Seu mané.
Digo irritada, pessoas desse tipo dão uma pena.
O bobão fica me olhando, parece inacreditável o que falei para ele. Tô nem aí que se exploda esse rostinho lindo de quen.
— Você é algum tipo de atração por aqui? Uma palhaça. Não irei te pagar por sua piada ridícula.
— Seu jumento! Sr jumento — mostro língua para ele.
Ele franze a testa e não diz nada só me encara, começo a ficar um pouco constrangida por seu olhar estranho sobre mim. Olho para água e ele também, o filho da mãe pega minha correntinha, fico com esperança dele me entregar.
— Que linda correntinha — fala olhando para mim, como se sua frase fosse para mim e não para corrente.
— Você poderia me dar — peço.
— O que ruivinha?
— Minha corrente — reviro os olhos por seu apelidinho.
— Ah! Ela é sua? Não irei lhe dar — fecha as mãos.
— Me dê seu idiota!
— Ah, garotinha! — seu tom é baixo.
O olho intrigada e com um pouco de esperança. Vovó me deu ela quando criança, antes de morrer pediu para que eu cuidasse dela. Pois assim como ela, através dessa correntinha também encontraria meu verdadeiro amor.
Isso é bobagem "verdadeiro amor" vovô no começo do relacionamento espancava minha vó, e só veio ficar um docinho depois de velho. E eu não quero isso para mim.
Vejo de relance o otário jogar longe minha correntinha. Pelo menos foi o que pareceu.
— SEU BABACA! — grito. Ele abre um sorriso que acharia lindo se não viesse desse sujeito. — Vou te matar, seu filho de cruz credo!
— Calma, May! — Mayara puxa meu braço, nem parecia que ela estava aqui até uns minutos atrás.
— Não me admiro que você conheça essa selvagem, Srta Alves! — eles se conhecem.
— Desculpa...
— Desculpa é o caramba, eu quero.minha correntinha seu porco.
— O rio a engoliu, ruivinha — ainda tá rindo. — Reclame com ele.
Minha paciência com esse mauricinho foi para o além. Olho para dentro da canoa e vejo um balde médio. Tenho uma brilhante ideia.
— MAS O QUE! — fala alterado quando com muita classe lhe jogo a água gelada que estava dentro do balde.
— Para você esfriar um pouco, está muito calor — começo a rir descontroladamente.
— VOCÊ irá se arrepender disso, RUIVA— ameaça, e eu dou de ombros. E começo a dançar.
— Seu namorado é um idiota, moça! —
falo para ela que está na canoa com ele, rindo horrores.
Mayara parece perplexa com a cena. Pego o remo dela e começo a nos afastar deles. Olho para trás e o ogro ainda olha para mim.
******
Quando chegamos perto da ponte, saímos de dentro e começamos a andar. E até agora Mayara nada disse.
— Tem noção do que fez? — porque fui falar.
— Foi pouco.
— As coisas não se resolvem assim, May.
— Vai falar isso para aquele homem, que jogou minha única herança no mar — ela se cala. — Porque defende esse urubu?
— Ele é meu cunhado May — paro de andar. — Ele é o Miguel Lombardo!
Por essa eu não esperava. Não mesmo.
— Posso fazer mas nada, e não tenho com o que me preocupar não sou nada dele.
— Você não tem nada e nem é nada dele, mas eu sou o que acaba sendo algo para ele.
Dou de ombros, fazendo pouco caso.
— Faria de novo e de novo.
Mayara não aguenta e começa a rir.
— Se prepare, acabou de declarar guerra ao Rei de Chicago — bate no meu ombro.
— Como se eu ainda fosse ver esse brucutu — reviro os olhos.
— Amanhã..
— Quê?
— Iremos jantar, com os Lombardo.
Aaaaaaaaaaaaaa! NÃO!!!!!
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