
Minha Pequena Felicidade - Especial mês das mães
Capítulo 3
Estes eram um jardim e uma casa onde ele poderia se es¬quecer de si mesmo, perdido em preocupações sobre conser¬tos da casa e em passar óleo nas tábuas do deck. E que tal um barco? Seria muito melhor preencher o tempo livre que tinha reformando a casa ou ao ar livre, passeando de barco na baía, do que confinado às linhas modernas e polidas daquele aparta¬mento ou queimando sua energia interminável numa piscina com raia! Pela primeira vez em muito tempo, Ben se viu inte¬ressado em algo que não era trabalho, e encarando a casa, ele quase podia vislumbrar um futuro, um verdadeiro futuro... Por isso, em vez de fechar negócio e se mudar para o luxuoso pré¬dio de apartamentos, para o aborrecimento óbvio do corretor, Ben assumiu o risco: colocou seus móveis num depósito e alugou uma das unidades de decoração barata no outro extremo da rua, preparado para esperar pacientemente até que a casa estivesse à venda.
Foi realmente vantajoso, Ben pensou naquela manhã, en¬quanto caminhava ao longo do caminho de acesso à praia até a frente da casa. Em um curto espaço de tempo, o mercado imobiliário despencara e as incorporadoras estavam tendo problemas para vender os apartamentos de luxo. O preço já havia caído alguns milhares, assim, se nada acontecesse com a casa...
À Venda por Leilão
Ele viu a placa e deu um sorriso ao ler que o leilão seria em breve, na verdade, em apenas algumas semanas. E havia uma "visita para inspeção" prevista para o fim de semana. Cami¬nhando de volta para a praia, desta vez ele prestou atenção no magnífico céu e na quietude da manhã, nas gaivotas sentadas como patos na água tranqüila, no cão que correu para a água e as afugentou. E então ele a viu, em pé no oceano vítreo, a água na altura de seus joelhos, pernas afastadas e alongando-se, suas mãos estendidas em direção ao céu. Ela ficou parada e manteve a posição para depois, vagarosamente, abaixar seus braços. E começou a fazer tudo de novo. Deus! Ben revirou os olhos. Ele estava em grande forma e tentava de maneira vaga se manter assim, confiando principalmente em caminhar mi¬lhares de quilômetros dentro da Emergência do hospital e en¬tão esgotar-se com natação, mas isso que a mulher estava fa¬zendo era "Nova Era" demais, aquele tipo de atividade feita para saudar o dia, ou coisa parecida... Por favor!
Ainda assim, Ben admitiu que havia alguma coisa de espe¬tacular sobre sua falta de inibição, e algo sobre ela fez Ben sorrir enquanto caminhava.
E então, ela se virou e o sorriso dele desapareceu quando ela se inclinou... dobrou-se em duas na verdade. Ben viu o abdômen inchado dela e percebeu que ela estava grávida e visivelmente com dor. Ganhando velocidade, caminhou rapi¬damente pela areia, tentando não parecer muito afobado, já que aquilo também poderia apenas ser parte da rotina de exer¬cícios dela. Mas não era, ela estava caminhando com visível desconforto para fora da água rasa, ainda curvada num ângulo estranho, e Ben começou a correr, até alcançá-la na beira do mar. Ele viu os cachos escuros no alto da cabeça dela enquan¬to ela, ainda dobrada, agarrava seus próprios joelhos.
— Você está bem? — Ben perguntou, preocupado.
— Ótima — ela gemeu, e então olhou para ele. Os olhos dela eram cor de âmbar, usava grandes brincos prata e estava rangendo seus dentes muito brancos. — Ioga idiota!
— Você está tendo uma contração? — Ele a estava exami¬nando, mas não quis se aproximar e colocar a mão na barriga dela. Ele achou que precisava se apresentar primeiro. — Meu nome é Ben, e eu sou médico.
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