
Minha Liberdade, Meu Divórcio
Capítulo 3
Levantei-me com dificuldade, o peso da barriga e do desprezo a tornarem tudo mais difícil. Fui até ao nosso quarto para trocar de roupa. As lágrimas ameaçavam cair, mas engoli-as. Não lhes ia dar esse gosto.
Quando o Ricardo finalmente entrou no quarto, alguns minutos depois, eu já tinha vestido uma t-shirt velha e umas calças de fato de treino.
"Estás mais confortável?" ele perguntou, casualmente, como se nada tivesse acontecido.
"Confortável? Ricardo, tu viste o que aconteceu lá em baixo?"
Ele suspirou, a habitual impaciência a surgir na sua voz.
"Clara, foi um acidente. A Sofia não fez por mal. Estás a exagerar."
"A exagerar? Ela derramou vinho em cima de mim e tu nem sequer olhaste para mim! Corres-te para ela como se ela fosse a vítima!"
"Eu só queria ter a certeza que ela estava bem. Ela ficou assustada. Tu és forte, sabes lidar com estas coisas."
"Forte? Ricardo, eu sou a tua mulher! Estou grávida do teu filho! E tu preocupas-te mais com os sentimentos da tua ex-namorada do que comigo?"
Ele passou as mãos pelo cabelo, um sinal de que estava a ficar irritado.
"Não comeces com ciúmes outra vez, Clara. A Sofia é uma amiga. E a minha mãe gosta muito dela. Não há nada entre nós, já te disse mil vezes."
"Não se trata de ciúmes, Ricardo! Trata-se de respeito! Trata-se de prioridades!"
A porta do quarto abriu-se e a Sónia entrou, sem bater.
"Está tudo bem aqui? Ouvi vozes alteradas."
O Ricardo olhou para mim com um ar de "vês o que fizeste?".
"A Clara está um pouco sensível por causa do incidente com o vinho, mãe. Nada de mais."
A Sónia olhou para mim com desaprovação.
"Clara, querida, não podes culpar a Sofia. Ela é uma boa rapariga. E o Ricardo tem razão, foi um acidente. Não vale a pena fazeres uma tempestade num copo de água, especialmente no teu estado."
Senti-me encurralada, como se fosse louca por esperar o mínimo de consideração do meu próprio marido e da minha sogra.
"Eu só queria que o meu marido se preocupasse comigo," murmurei, sentindo-me derrotada.
"Claro que ele se preocupa, não sejas tonta," disse a Sónia, dando uma palmadinha condescendente no meu braço. "Agora, recompõe-te e volta para a festa. Os convidados estão à tua espera."
Ela saiu, seguida pelo Ricardo, que me lançou um último olhar de aviso antes de fechar a porta. Fiquei sozinha, mais uma vez, com a certeza de que as minhas necessidades e sentimentos não importavam para eles.
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