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Capa do romance Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei

Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei

Seraphina, uma loba sem animal, viveu dez anos em um casamento frio com o Alfa Kieran. Quando sua irmã retorna e o divórcio é selado, ela parte em silêncio. No entanto, a descoberta de que sua condição é um dom raro muda tudo. Agora, enquanto segredos do passado surgem, Kieran e outros Alfas iniciam uma caçada para reivindicá-la. Mas Seraphina não aceitará mais ser controlada e desafia o homem que a negligenciou por uma década inteira.
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Capítulo 2

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

O silêncio frágil foi despedaçado por um grito agudo que ecoou pelo corredor estéril.

"Papai! Onde você está?"

Todos viraram a cabeça ao mesmo tempo. Meu estômago despencou quando a Celeste apareceu, com seus cabelos dourados voado atrás dela e as bochechas ruborizadas de tanto correr. Seus olhos estavam cheios de lágrimas, mas sua beleza permanecia absolutamente estonteante.

Após dez anos, o aparecimento repentino da minha irmã me atingiu como um golpe físico.

Quase instintivamente, me virei para o Kieran, cuja boca estava escancarada, olhando para a Celeste como se ela fosse um sonho do qual ele tinha medo de acordar. O desejo puro em seus olhos era suficiente para responder à pergunta que me atormentava há uma década: seu coração nunca foi meu.

"Me diga que não cheguei tarde demais," implorou Celeste, sua voz se despedaçando. Quando ninguém respondeu imediatamente, seus joelhos fraquejaram.

Kieran se moveu mais rápido do que qualquer lobisomem. Ele a segurou antes que ela tocasse o chão, aconchegando-a contra seu peito enquanto minha mãe e meu irmão se juntavam ao abraço. Os membros entrelaçados e soluços compartilhados pintavam o retrato perfeito de uma família da qual eu nunca tinha feito parte.

Um pensamento me estrangulava: eu também tinha perdido meu pai, não tinha direito ao luto?

Mas esse era o mundo da Celeste. Sempre tinha sido. Desde o momento que deu seus primeiros passos, todos a observaram, admiraram, amaram. Enquanto a Celeste brilhava, eu me tornava uma sombra.

E agora, enquanto os soluços dela enchiam o ambiente, eu parecia ser invisível.

A saída me chamou. Seria melhor partir com o pouco de dignidade que me restava do que esperar pela rejeição inevitável.

Nenhuma cabeça se virou enquanto eu saía discretamente.

Minhas lágrimas já haviam secado quando cheguei em casa, deixando rastros salgados nas bochechas, mas o vazio no meu peito parecia que iria ficar para sempre.

Minha primeira parada foi no quarto do Daniel para ver como ele estava.

Fiquei surpresa ao ver luz embaixo da porta dele e, quando a empurrei, encontrei meu filho de nove anos encolhido com os joelhos contra o peito, como uma pequena fortaleza contra o mundo.

"Mamãe?" A voz dele era muito baixa e tinha um tom de reconhecimento.

Sentei na beirada da cama em forma de carro de corrida. "Querido, por que você tá acordado?"

Ele mordeu o lábio inferior, preocupado. "Tem algo errado com o Vovô Edward, né?"

Senti o ar fugir dos meus pulmões. Como eu contaria para esse menino de olhos brilhantes que o homem que o ensinou a rastrear cervos no último verão se foi? Alisei seu joelho coberto pelo pijama. "Querido, houve... um incidente esta noite. O vovô se machucou..."

"Ele morreu." O sussurro de Daniel tinha uma certeza assustadora. "Nosso vínculo... se quebrou."

Minha mão parou. Aos nove anos, ele não deveria ser capaz de sentir a ruptura dos laços da Alcateia. E, ainda assim, ali estava ele, demonstrando a sensibilidade de lobo que eu passara a vida inteira dele rezando para que ele herdasse.

Alívio e assombro lutavam em mim. Ele não seria como eu, não carregaria a vergonha de ser a filha defeituosa do Alfa, uma lobisomem cuja loba nunca se manifestou.

"Vem cá, meu menino corajoso." Eu o aconcheguei, respirando seu cheiro de xarope de mel e suor infantil. Por mais que eu lamentasse os acontecimentos desastrosos daquela Caçada da Lua de Sangue, nunca me arrependi do milagre que ela me deu.

Daniel era a única coisa pura na minha vida, a única pessoa que me amava acima de tudo.

Enquanto eu arrumava o cobertor de foguetes sobre os ombros dele, ele me olhou com aqueles olhos profundos, as miniatura dos olhos do Kieran.

"Você e o Papai vão estar sempre aqui, né?"

A pergunta atravessou meu coração. Passei os dedos pelos cabelos dele, do jeito que fazia quando ele era um bebê lutando contra o sono. "Oh, meu amor..."

Como eu poderia explicar que o pai dele nunca foi verdadeiramente meu? Que o jeito como o Kieran olhou para a Celeste naquela noite, como se o sol tivesse nascido depois de uma década de escuridão, era um olhar que ele nunca me deu? Que o abraço deles no corredor do hospital foi mais íntimo do que qualquer coisa que o Kieran e eu compartilhamos em dez anos de casamento?

"A Mamãe não vai a lugar nenhum", prometi, dando um beijo em sua testa franzida. "Seu Papai e eu amamos você mais do que tudo," sussurrei. "E nada vai mudar isso."

Seu sorriso sonolento me emocionou. "Boa noite, Mamãe."

"Doces sonhos, meu amor." Beijei a testa dele, demorando um pouco mais do que o necessário, antes de sair do quarto.

As luzes fluorescentes da cozinha faziam um leve zumbido enquanto eu mexia distraída na geladeira. Garrafas de vidro tilintaram e congelei onde estava ao ouvir o som da porta da frente.

Kieran tinha chegado em casa.

Eu imaginei que ele passaria a noite no hospital, confortando-a, reconectando-se com ela.

Ele se movia pela casa escura como uma sombra e seus ombros largos preencheram o vão da porta da cozinha. A luz da lua destacava os ângulos rígidos do seu rosto enquanto seu olhar passava por mim, vazio. Sempre vazio.

A geladeira zumbiu entre nós enquanto ele passava o braço por cima do meu ombro. Seu cheiro de cedro e chuva me envolveu por um breve e traiçoeiro momento antes dele se afastar, abrindo uma garrafa de água.

"Você... quer algo para comer?" Minha voz soou fraca no silêncio. "Você não jantou."

Nada. Apenas o som da garganta dele enquanto engolia a água, os músculos se flexionando sob a barba por fazer que eu nunca tive permissão de tocar. O som da garrafa plástica sendo jogada na lixeira me fez estremecer.

Ele se apoiou no balcão, a cabeça abaixada como Atlas carregando o mundo. Eu conhecia essa dança de cor. Eram dez anos falando com um fantasma.

"Eu só vou..." Eu me movi lentamente em direção à porta.

"Seraphina."

Meu nome na boca dele sempre era um choque, como ser mergulhada em água gelada.

Me virei devagar. A luz da lua esculpia sombras sob as maçãs do rosto dele, sua expressão ilegível como sempre.

"Precisamos conversar."

As palavras frias enviaram uma onda de pavor pelo meu corpo. O aperto no balcão fez os nós dos dedos dele ficarem brancos como ossos.

Sem cerimônias. Sem abrandar. Apenas o Kieran com sua eficiência brutal, como sempre.

"Quero o divórcio."

Dez anos. Dez anos eu esperei que esse machado caísse.

Engraçado como ainda me cortou como uma surpresa.

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