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Capa do romance Minha Filha Roubada, Minha Vida Estilhaçada

Minha Filha Roubada, Minha Vida Estilhaçada

Joana Rezende, herdeira em São Paulo, vê seu mundo ruir ao descobrir que Clara não é sua filha. Bruno, seu marido, e Carla, sua melhor amiga, trocaram os bebês no parto e planejam interná-la como louca. Após ser humilhada publicamente e rejeitada pela criança que criou, Joana foge para Lisboa com ajuda da sogra. Determinada, ela inicia uma busca frenética por sua filha biológica enquanto prepara uma vingança implacável contra quem a traiu.
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Capítulo 3

Ponto de Vista: Joana Rezende

A porta da frente se abriu com um clique familiar, e então a voz retumbante de Bruno ecoou pela cobertura. "Joana! Querida, cheguei!" Ele entrou na sala de estar, uma sacola de compras de grife pendurada em uma mão, um sorriso largo e ensaiado estampado no rosto. Ele parecia impecável, quase perfeito demais, como se tivesse acabado de sair de uma sessão de fotos de revista.

Eu estava sentada no sofá, um relatório financeiro aberto no colo, fingindo concentração. Meu coração martelava, uma batida frenética contra minhas costelas, mas minha expressão permaneceu cuidadosamente neutra.

"Bruno," reconheci, minha voz plana, sem levantar o olhar.

Ele atravessou a sala em poucos passos, exalando uma aura de colônia e falsa alegria. "Ainda trabalhando, meu bem? Você trabalha demais." Ele se inclinou, tentando beijar minha bochecha. Eu me movi sutilmente, virando a cabeça para que seus lábios roçassem meu cabelo. Ele parou, um lampejo de algo ilegível em seus olhos, depois se recuperou perfeitamente.

"Olha o que eu trouxe para você," disse ele, erguendo a sacola de compras. "Uma coisinha para compensar minhas noites tardias." Ele tirou um delicado colar de diamantes, as pedras capturando a luz. "Me lembrou dos seus olhos."

Meu estômago se revirou. O colar era lindo, caro. Um suborno. Uma distração brilhante da podridão que se alastrava sob nossa fachada perfeita. Olhei para ele, depois para o colar, meu olhar deliberadamente desprovido de emoção.

"É adorável, Bruno," eu disse, minha voz tão fria e lisa quanto os próprios diamantes. "Mas você sabe que prefiro escolher minhas próprias joias."

Seu sorriso vacilou ligeiramente. "Ah. Certo. Bem, eu pensei..." Ele parou, parecendo genuinamente confuso. Ele estava tão acostumado com minhas reações previsíveis, minha gratidão fingida.

De repente, a campainha tocou. Bruno se virou, a irritação passando por seu rosto.

"Quem pode ser?" ele murmurou, já se movendo em direção à porta.

Meu sangue gelou. Eu já sabia.

Era Carla. Ela estava lá, uma visão em um vestido justo, segurando um pequeno presente embrulhado com cores vivas. Seus olhos, inocentes e arregalados, pousaram em mim, depois no colar que Bruno ainda segurava.

"Bruno! Joana! Me desculpem por invadir. Eu só... vi essa coisinha adorável e pensei na Clara. E por acaso estava no prédio..." Ela parou, seu sorriso sacarino.

Meu olhar piscou para ela, depois de volta para Bruno. Ele ainda segurava o colar, seus nós dos dedos brancos. Notei um hematoma leve e recente em sua mandíbula, quase escondido pela barba por fazer. A briga no beco. A briga em que ele esteve horas atrás, antes de me mandar uma mensagem sobre sua "reunião tardia". Minha fúria explodiu, um grito silencioso e interno. Quantas mentiras eu engoli? Quantas dicas sutis eu perdi?

Os olhos de Carla pousaram no colar de diamantes mais uma vez. "Ah, Bruno, que lindo! É para a Joana? É tão... a cara dela." Seu tom era um pouco entusiasmado demais, um pouco sabido demais. Uma provocação sutil.

Bruno pigarreou, de repente sem jeito. "Sim, bem, parece que a Joana não ficou muito emocionada com a minha escolha."

"Ah, Joana, você é tão exigente!" Carla riu, um som que irritou meus nervos. "Mas é por isso que te amamos, certo?" Ela entrou no apartamento, seu olhar varrendo o espaço luxuoso, um brilho predatório em seus olhos. Ela já estava se mudando mentalmente.

Bruno, tentando parecer indiferente, caminhou em minha direção novamente. "Vamos, querida, deixe-me colocar em você," ele insistiu, estendendo a mão para o meu pescoço.

Eu recuei, quase imperceptivelmente, inclinando-me ligeiramente para trás. "Não, obrigada. Estou ocupada. E com dor de cabeça."

Sua mão caiu, um músculo pulsando em sua mandíbula. Ele estava perdendo o controle da narrativa, perdendo o controle de mim. Ele não gostou disso.

"Bem, se a Joana não quer," Carla começou, seus olhos brilhando, "talvez eu possa pegar emprestado algum dia? Para uma ocasião especial, claro."

Meu olhar se fixou nela. A pura audácia. Ela estava demarcando seu território, bem na minha frente, com meu marido, na minha casa. O ar ficou denso com tensão não dita.

"Carla," eu disse, minha voz perigosamente calma, "acredito que você tenha trabalho a fazer."

Seu sorriso congelou. "Ah. Certo. Só vim deixar um presentinho para a Clara. Eu... eu vou deixar aqui." Ela colocou o presente em uma mesa lateral, seus olhos dardejando entre Bruno e eu. Uma mensagem silenciosa passou entre eles, um olhar rápido, quase imperceptível, que dizia muito. Ele estava dando a ela permissão para sair, para evitar mais confrontos.

"Sim, Carla," disse Bruno, sua voz estranhamente tensa. "Talvez outra hora."

Carla conseguiu um sorriso apertado, depois se virou e saiu, seus saltos clicando suavemente no chão de mármore. Bruno a observou ir, seus olhos demorando em sua figura em retirada, um olhar possessivo e saudoso que eu não podia confundir. O mesmo olhar que eu tinha visto no vídeo granulado.

Meu sangue gelou novamente. Não era apenas o caso. Era o desrespeito flagrante, a intimidade aberta, a maneira como ele olhava para ela mesmo quando eu estava bem ali.

"Bruno," eu disse, minha voz mal passando de um sussurro, "como você pôde?"

Ele se virou para mim, sua expressão confusa, quase inocente. "Do que você está falando, Joana? O que há de errado?"

A hipocrisia era de tirar o fôlego. Minha cabeça começou a latejar. Eu precisava de ar. Precisava de distância. Precisava agir.

"Não estou me sentindo bem," eu disse, levantando-me abruptamente. "Acho que vou para o escritório. Surgiram alguns assuntos urgentes." Peguei minha pasta, meus movimentos rígidos e não naturais.

"Agora? A esta hora?" Bruno protestou, uma nota de preocupação genuína, ou talvez irritação, em sua voz. "Querida, o que há de errado? Você tem estado tão distante nos últimos dias."

Você não faz ideia, pensei, uma risada amarga borbulhando em minha garganta.

Passei por ele, meu olhar fixo na porta. "Apenas trabalho, Bruno. Você sabe como é."

Ao entrar no elevador, ouvi seu suspiro, um som longo e exasperado. "Mulheres," ele murmurou, provavelmente para si mesmo. As portas do elevador se fecharam, cortando-o.

No momento em que as portas se fecharam, uma onda de náusea me invadiu. Pressionei minhas costas contra o metal frio, meus olhos apertados. A imagem de Bruno e Carla, entrelaçados na minha mesa, brilhou por trás das minhas pálpebras. Foi como um golpe físico, um soco no estômago que me deixou sem fôlego.

Cheguei ao meu escritório, minhas mãos atrapalhadas com as chaves. Uma vez lá dentro, tranquei a porta, sentindo uma necessidade desesperada de solidão. Fui direto para minha mesa, o cenário da traição deles. Meus olhos caíram na superfície polida, e senti uma nova onda de nojo. Isso não era apenas um móvel; era um símbolo da minha carreira, da minha ambição, do meu sucesso arduamente conquistado. E eles o profanaram.

Meu olhar pousou no computador. Minha mente, geralmente tão precisa, era uma confusão de emoções cruas. Raiva, sim, mas também uma determinação fria e calculista. Eles pensaram que poderiam me manipular, me dopar, me trancar. Eles pensaram que eu era fraca. Eles estavam errados.

Liguei o computador, meus dedos voando pelo teclado. Naveguei até o sistema de segurança do prédio, meu coração batendo com uma mistura de medo e determinação sombria. Cada escritório, cada corredor, cada canto e recanto do Grupo Rezende estava sob minha vigilância. Incluindo o meu próprio.

Eu precisava de provas. Provas irrefutáveis, inegáveis. Não apenas para mim, mas para o mundo. Para a Sra. Tavares. Para o meu futuro. Para a minha filha.

Encontrei a data e a hora. A filmagem da câmera do meu escritório. Minha respiração falhou. Era isso. O momento da verdade. Meus dedos pairaram sobre o botão de play, e então mergulharam.

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