
Minha Culpa é te Amar
Capítulo 3
Ligou o rádio do carro numa tentativa desesperada de afastar os pensamentos conflituosos que martelavam sua mente. A música ecoava no interior do veículo, mas seu coração ainda batia descompassado, refletindo a batalha interna que travava. Quando percebeu, o hotel estava ali, imponente diante dela, como um cenário pronto para o desfecho de seus loucos planos.
Cada passo em direção à entrada era como um mergulho num oceano de incertezas, onde a coragem lutava para sobrepujar o medo. Suas mãos tremiam, seus lábios se curvavam num sorriso nervoso, mas no fundo, havia uma determinação inabalável, uma certeza de que não havia mais volta. O frio cortante da Irlanda parecia penetrar sua alma, deixando-a ainda mais emotiva e nostálgica, como se cada gota de chuva fosse um eco dos seus próprios sentimentos.
A música na rádio parecia prever seu destino, suas palavras ecoavam em sua mente como um prenúncio do que estava por vir.
"Olhos fechados pra te encontrar, não estou ao seu lado, mas posso sonhar. Aonde quer que eu vá, levo você no olhar"...
As letras da música se entrelaçavam com seus pensamentos, como se a própria melodia fosse um eco dos seus sentimentos mais profundos.
Ao sair do carro, a chuva forte castigava seu rosto, mas ela não conseguia distinguir se eram as gotas de chuva ou lágrimas que rolavam por suas bochechas. O vento soprava, como se tentasse empurrá-la para trás, mas algo dentro dela a impelia para frente, rumo ao desconhecido.
Decidiu parar de pensar, deixar de lado a racionalidade que tanto a aprisionava, e se deixar levar pelo instinto, pela emoção crua que pulsava dentro dela. Era hora de agir, de seguir em frente, mesmo que isso significasse enfrentar o desconhecido de mãos dadas com o amor que ardia em seu peito.
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