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Capa do romance Minha advogada

Minha advogada

Lua é uma advogada focada em seus sonhos que tenta superar um passado sombrio. Após um evento beneficente, ela reencontra Donovan, um homem imponente que decide financiar seu projeto. Enquanto Lua luta contra o que sente por ele, David surge com segundas intenções, vendo nela a presa ideal para satisfazer seus desejos profissionais e íntimos. Em meio a medos profundos e novas alianças, ela terá que descobrir se encontrará paz ou se perderá de vez o fôlego.
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Capítulo 2

Caminho ansiosamente até a sala de reuniões. Uma segunda-feira nunca me deixou tão perturbada antes. Meus passos parecem confiantes sob o salto, quando, na verdade, meu coração pulsa na garganta.

Estou indo apresentar a proposta à empresa Donovan Office, uma das maiores no ramo de investimento burocrático do país.

Não seria um sonho estar tão próxima do topo?

Não pude receber muitas informações por telefonema, à dois dias atrás, porém entendi que o Sr. Donovan tem um escritório de advocacia na Califórnia, e o mesmo irá apoiar a causa em questão. Não posso evitar a pontada de dúvida que me atinge cada vez que penso sobre o assunto. Este escritório tem tratado de assuntos estupefatos, que alcançam a aclamação da mídia, e agora ajuda crianças presidiárias? O que faz sentido?

Passo as mãos pelo tecido liso da saia antes de entrar na sala. Olho para Chloe, secretaria do Michel, em sua mesa, perguntando silenciosamente se posso entrar, se todos estão na sala, me esperando para lhes dizer o que tenho em mente.

Ela acena com a cabeça e, no mesmo instante, eu abro a porta. Um aglomerado de ternos sofisticados e rostos impacientes dominam minha visão. Chego a me perguntar se eu estaria colocando minha dignidade em risco ao sair correndo da sala, ao invés de entrar e discutir o contrato com eles.

-"Senhores, Lua Lopes" Michel me anuncia, como em um leilão. Caminho para a cadeira reservada para mim, em meio aos oito senhores entre trinta e cinquenta anos, em média. Não deixo de notar os olhares predatórios sobre mim, levando em consideração a fenda frontal da minha saia. Varro os olhos por todos na sala antes de me sentar, buscando um olhar milionário para julgar ser o Sr. Donovan.

-"Não estávamos esperando alguém tão jovem" um dos homens comenta.

Wow, uma jovem não pode ir tão longe?

-"a qualificação compensa a idade" garanto, antes de Michel dizer algo agradável aos ouvidos do comentarista. Olho para ele antes de continuar, tentando captar se passei dos limites.

-"Bem, o projeto exigiu muito esforço e dedicação da minha parte, por isso, garanto que minha idade não será um problema profissional" suavizo minhas palavras anteriores com um sorriso educado. Não preciso ter minha bunda chutada para fora da sala antes mesmo de iniciar esta conversa.

-"me parece bom" um homem, o mais jovem aparentemente, diz divertido. Gosto da forma sutil que ele sorri para mim, como se dissesse que está tudo bem com o que eu disse.

-"eu me chamo Liam, sou o agente pessoal do Sr. Donovan, e os cavalheiros atuam em diversas áreas interligadas a constituição. Estamos aqui para ouvir sobre sua capacitação, e os benefícios do seu projeto. Ouvimos coisas boas referentes à você, por isso todos acordaram cedo, vestiram seus ternos e vieram aqui. Por favor, conte-nos uma boa coisa, e torne val nosso tempo" ele emenda. Seu tom parece amigável, e seu rosto bonito também, o que me incentiva a sufocar minha insegurança e falar.

Eu trabalho por isso à mais de um ano, por que me intimidar agora?

-"Bem, esta causa não se trata de tempo gasto, ou ternos caros. Acredito que a situação se dá à humanidade, para além do egocentrismo. Os cavalheiros podem negociar muitas vezes em muitos dias, mas não por outras pessoas, se não por si" paro por um momento, olhando nos olhos de cada um dos oito homens.

-"façamos algo que revele um coração sob tecidos de capitalismo" digo.

-"Está, deliberadamente, nos chamando de egocêntricos e capitalistas em uma mesma frase?" O homem, ou melhor, o comentarista, pergunta.

Traga uma guilhotina, e ele voltará para a Idade Média!

-"Não foi a…" Michel começa, porém, eu percebo que não preciso da nuvem de fumaça que ele está tentando fazer para encobrir minhas intenções.

-"Se eu estou errada, por que sou a única californiana pensando em presidiários, e não em quantos números irão aumentar na minha conta bancária após isso?" Atiro novamente.

Homens e sua capacidade de atingir a fúria sensível em mim…

Michel aperta os papéis do contrato provisório que serão assinados hoje, possivelmente. Ele está nervoso com a hipótese do meu nervosismo estragar um passo importante para o projeto, do qual ele agarrou como seu.

-"Michel nos disse muito sobre você, mas não sobre uma língua muito precisa" Liam comenta. Não posso distinguir entre a diversão e repreensão em sua voz, mas gosto de como ele, dentro todos, parece estar cômodo com a situação.

-"um verdadeira caixa de surpresas" um dos senhores murmura encarando significativamente Liam. Busco entender quando a comunicação se tornou analógica, e menos clara.

-"Se me permite dizer, Lua tem trabalhado muito neste projeto. Toda sua destreza vem da eficiência" Michel complementa, orgulhoso em certo ponto.

-"As crianças costumam espelhar o que veem, e eu digo pois fiz o mesmo. O que acontece em suas vidas reflete toda uma história, que pode terminar em violência. A causa principal é uma geração menos traumática, e a única forma de abraçar este resultado é abrindo mão do egocentrismo" sinto a necessidade de me abrir, contar como esta situação me afeta pessoalmente. É mais do que um acordo com uma grande empresa, são vidas!

-"É bonito que alguém esteja disposto a se doar por outros" um senhor em seus cinquenta anos e cabelo parcialmente grisalho diz. Este comentário me cativou, pois eu sei que ele tem história suficiente para dizer que conhece pessoas altruístas, porém, ele está falando sobre mim! Ele escolheu a minha versão para chamar de bonita.

-"Os elogios não foram mentirosos" o mesmo senhor brinca. Faço uma nota mental para me lembrar de perguntar ao Michel o que ele disse ao meu respeito.

-"O que vi foi suficiente para garantir que é verdade, mas, você sabe, eu não tomo decisões" Liam diz. Claro, Donovan toma as decisões, seja lá quem for. Eu o imagino como um senhor com terno alinhado, cabelo embranquecido e algumas rugas, despreocupado com a idade quando se tem uma conta invejável.

-"Eu esperava uma resposta neste encontro" Michel apoia os cotovelos na mesa e se inclina para frente. Liam tem toda sua atenção agora.

-"Terá amanhã à noite, no baile beneficente da Donovan Office"- eu me atento à ele para ouvir sobre o baile, do qual eu não sabia até então- "É uma festa menos formal que acontece na Mansão Donovan, um projeto pessoal para arrecadar fundos e fazer doações destinadas à diferentes instituições. Recebe o nome de baile pois este era o evento em questão, à vinte anos atrás, com Rubens Donovan" Liam explica toda a trajetória do evento, e todos os quesitos para que as pessoas sejam convidadas. Resumidamente, apenas alguns milhões, amigos influentes e uma esposa troféu. Michel possui os caracteres pedidos.

-"Nós viemos com o objetivo de avaliar a situação, e, se fosse plausível, os convidar para o baile…" ele toma uma respiração prolongada enquanto me avalia com os olhos intrigantes, duvidando da minha capacidade de apenas ouvir.

-"e, para mim, o projeto é plausível, merece o convite. Amanhã você poderá mostrar ao Dr. Donovan o que tem em mente, e torcer para que ele goste" suas palavras são totalmente direcionadas à mim. Ele está insinuando que não posso convencer seu chefe? Porque, se ele estiver, eu certamente estou pronta para desistir.

-"Obrigada por nos convidar, significa muito que tenha gostado" Michel diz, quando percebe que eu estou em todos os lugares, exceto nesta reunião.

-"eu sou apenas o peão" Liam sorri sarcástico, fazendo apologia ao jogo de xadrez.

-"Costumamos usar estes para chegar ao rei" encontro minha voz após me perder em meus pensamentos, rebatendo seu comentário sobre o jogo.

●●●

A reunião dura apenas um par de horas. Para quem passou cinco anos em uma faculdade, apenas ouvindo informações acumuladas, é um período suportável. Uma breve pausa para o café sucedeu-se após meu comentário sobre peões em jogos de xadrez, o que abriu espaço para conversas paralelas. O acordo provisório foi assinado, e, se não houver a aprovação do "rei", será rasgado muito em breve. Suspiro com a possibilidade disto.

E se eu falhar, quando cheguei tão perto?

Afundo ainda mais no couro da poltrona atrás da minha mesa. Estar sozinha na minha sala depois de toda a pressão na sala no andar de cima me traz alívio. Eu finalmente posso pensar.

Um baile beneficente foi marcado, o que quer dizer vestido novo, maquiagem, sapatos impecáveis e cabelo alinhado. Eu preciso desesperadamente de ajuda!

Pego meu celular e busco o contato de Marie. Ela é especialista em todas as coisas femininas, que uma mulher deve ou não usar. Envio uma mensagem, marcando um encontro no shopping depois do expediente. Espero que ela esteja disponível, mesmo tento uma leve impressão de que ela está fazendo ruídos com seu namorado na nossa casa, e não estou falando de ruídos inocentes.

Me encontre no shopping às 17, se não estiver ocupada

Jogo o celular sobre a mesa, e afundo as mãos no cabelo. Em pensar que ontem eu estava em paz porque o projeto havia evoluído, e hoje estou em meio ao furacão.

Conhecer o magnata Donovan, convencer o homem ao lançar seu dinheiro em crianças desconhecidas, sorrir educadamente para homens ricos...coisa alguma nesta festa me parece agradável!

Bem, o que posso fazer? Eu me lancei do avião, e agora espero que o paraquedas funcione.

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