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Capa do romance Meus Milhões, Sua Família Parasita

Meus Milhões, Sua Família Parasita

Sou uma neurocirurgiã rica que sustenta o marido militar e sua família abusiva. Após pagar as dívidas deles, planejei uma viagem de luxo, mas meu esposo cedeu meu lugar no jatinho para a ex-namorada dele, alegando que sou forte e ela, delicada. Humilhada por todos e vendo a rival em minha cama, fui obrigada a carregar as malas deles como punição. Sorrindo, decidi dar um fim nisso. Chamei um serviço de incineração para descartar todo esse lixo humano.
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Capítulo 2

O rosto de Caio endureceu. "A Dália é diferente. Ela entende o nosso mundo. Ela é mais família do que sua mãe jamais foi."

O sentimento nas minhas entranhas não era mais apenas raiva. Era algo mais básico, mais animalesco. O impulso de atacar.

Mantive minha voz perigosamente calma. "Então, deixe-me ver se entendi. Você está me mandando, sua esposa, a mulher que financia esta família inteira, em um perigoso voo comercial sozinha."

"O comboio está cheio", disse ele, acenando com a mão de forma displicente. "Tive que cancelar seu lugar para dar espaço para as malas da Dália."

Ele teve a audácia de tentar sorrir para mim, um gesto patético e apaziguador.

"Além disso, você é forte, Juliana. Você é uma sobrevivente. Você aguenta o tranco. Pense nisso como uma aventura."

Eu o encarei, as palavras ecoando na sala silenciosa. Uma aventura. Ele estava chamando uma jornada potencialmente letal de aventura.

"A rota que você reservou para mim", eu disse, minha voz baixando para um sussurro, "passa pelo território mais perigoso do continente."

"E daí? A Dália fica ansiosa em comboios seguros, e você não. Por que ela deveria ficar desconfortável enquanto você viaja com segurança e estilo?", ele perguntou, como se fosse a coisa mais lógica do mundo.

Meus olhos se voltaram para o pai dele, o General Hugo. O homem que supostamente vivia por um código de honra. Olhei para ele, implorando com os olhos para que ele dissesse alguma coisa. Qualquer coisa.

Ele desviou o olhar, ocupando-se com um fio solto em sua jaqueta. Um covarde.

Beatriz deu um passo à frente, colocando a mão no meu braço. Seu toque parecia uma aranha.

"Juliana, querida", ela arrulhou, sua voz pingando falsa simpatia. "Caio é o homem da casa. Ele sabe o que é melhor. Dália é nossa convidada. É justo que a façamos se sentir confortável."

Karina interveio, sua voz cheia da crueldade casual da juventude. "É, Ju. Você é sempre tão durona. A Dália é delicada. Não dá pra esperar que ela passe perrengue."

Uma risada amarga escapou dos meus lábios. Olhei ao redor para seus rostos — meu marido, seus pais, sua irmã.

"Quem é a família aqui?", perguntei, minha voz tremendo com uma raiva tão profunda que parecia que poderia rachar as fundações da casa. "Vocês estão tratando uma estranha, uma convidada, como se ela fosse sua verdadeira família, e a mim, sua esposa, como se eu fosse uma desconhecida."

Apontei um dedo trêmulo para Caio. "Você está tratando ela como se ela fosse sua esposa."

Os olhos de Caio brilharam de raiva. "Para de drama, Juliana."

"É só um arranjo de viagem", ele retrucou. "Pare de fazer tempestade em copo d'água."

"Dália é da nossa família", ele repetiu, sua voz se elevando. "Não posso deixá-la viajar sozinha ou se sentir insegura. É meu dever como homem, como um Vasconcellos, protegê-la."

"Então você vai sacrificar sua esposa para provar que é um bom homem para sua ex-namorada?"

Nesse exato momento, as grandes portas duplas do hall de entrada se abriram.

Dália Ribeiro estava lá, recortada contra a luz da manhã.

Karina gritou de alegria. "Dália! Você chegou!"

Ela correu para frente, jogando os braços ao redor da outra mulher. "Senti tanto a sua falta! Vem, deixa eu pegar suas malas."

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