
Meu vizinho mafioso - máfia escolar
Capítulo 3
Nicole
Acordo cedo no outro dia, mal consegui dormir a noite anterior … Tenho certeza que dormi talvez duas ou três horas só, meu corpo está um caco, me sinto mais cansada ainda, tudo por causa daquele… sem vergonha.
Não acredito que aquele maldito vizinho fez aquilo a noite passada, e ainda por cima daquela altura, fico vermelha de vergonha só de lembrar...
— É melhor eu me levantar, tenho muitas coisas para resolver hoje...
Penso alto comigo mesma, dou um pulo da cama e a arrumo, deixo tudo dobrado.
Vou até o banheiro lavar o meu rosto e escovar os dentes, ao olhar no espelho posso ver que Estou com olheiras e o rosto bem cansado.
— Maldito!
Eu dou um grito baixinho..
— Eu vou matar esse idiota!
Fico com raiva só de pensar nele.
Respiro fundo e tento me acalmar, tenho que focar em organizar minhas coisas hoje.
Após lavar meu rosto vou até a cozinha, para arrumar algo para comer.
Tudo que tenho no momento é Café! Não comprei nada para comer hoje..
Suspiro fundo, enquanto penso na ordem das coisas que preciso fazer hoje..
Tenho que comprar algo para comer, ir até o banco e levar as documentações para a
faculdade, fico cansada só de imaginar em tudo que terei que fazer..
Faço o meu café rapidamente, e o tomo na varanda, olhando para a linda paisagem da praça que fica perto, de certa forma relaxo-me um pouco, nada melhor que o bom e velho cafezinho..
Termino de tomar, e coloco a xícara na pia, irei lavar assim que chegar, já estou atrasada, a noite passada tirou toda minha energia…
Corro para o banheiro para tomar uma ducha rápida, coloco uma roupa que já havia deixado separada, uma roupa simples, como uma calça jeans e uma regata e um tênis..
Não sou de usar roupas muito decotadas, acho lindo, mas não sei se combina comigo… Mas posso descobrir se comprar algumas roupas mais… femininas talvez.
Pego a minha mochila, coloco as documentações necessárias para a inscrição na faculdade, olho tudo para não esquecer nada.
Checo tudo e então, tranco a casa...
Queria muito tirar satisfação com o tarado que mora no andar de cima, sorte dele que estou atrasada.
Desço correndo as escadas, aparentemente não tem ninguém acordado ainda.
Quando saio pela porta, vi que as lojas estão abrindo, não vejo a hora de comer algo, estou faminta, espero encontrar uma padaria no caminho do banco, uma padaria barata, estou com pouco dinheiro em mãos no momento, pois preciso passar no banco ainda.
Pego minha carteira e saio contando quanto tenho disponível para gastar com o lanche antes de ir ao banco.
— Droga! Tomara que dê pra comprar algo gostoso com isso!
Falo comigo mesma, desapontada com o valor que consegui juntar.
Enquanto ando, eu vejo que do outro lado da rua tem uma lanchonete, talvez lá vendesse algo barato.
Atravesso então a rua chegando a porta da lanchonete, na entrada posso ver uma moça fumando.
--- Essas horas da manhã... Credo.
Penso comigo mesma enquanto olho passando por ela, então entro logo em seguida ao entrar vejo que havia algumas pessoas lá dentro, alguns garotos com notebooks tomando café.
Espero não passar vergonha aqui, tenho apenas 3€.
--- Ola mocinha, o que vai querer?
Diz o atendente que já era um senhor, parecia ser o sono do local..
— Ola..... bem, preciso tomar um café da manhã… o mais barato..
Falo baixinho para que as pessoas dentro do estabelecimento não ouçam..
— Quanto você tem?
Pergunta de forma grosseira e alta, parece de propósito para que todos ouvissem, posso ouvir algumas risadas..
— Bem...
Começo a falar, já meio estressada com a situação, se continuarem eu vou mandar todos irem a merda… droga, o meu segundo dia já for assim, vou ficar louca mesmo.
Um dos garotos sentados, se levanta e vem até mim, ficando ao meu lado de frente para o atendente.
--- Eu pago o café dela!
Diz o garoto colocando 4€ em cima do balcão.
Eu olho meio surpresa para ele, não preciso que paguem nada para mim… não quero ser rude, mas, eu mal o conheço.
Dou uma olhada em volta e as pessoas olhavam, não quero que pensem nada errado.
— Obrigada, mas, pode deixar que eu mesma pago.
Falo colocando os 3€ também no balcão.
— Vou querer um café com leite e um pão com tomates.
— Ah sim, são 2,75€ já vou pegar o seu troco e trazer o seu café.
Fala o atendente rabugento, eu então me viro para o garoto que estava com os olhos arregalados do meu lado. Ele tem cabelos curtos e negros em um topete, está me olhando sorrindo, de orelha a orelha. Eu digo olhando para ele.
— Desculpe, mas está tudo bem, posso pagar por isso..
Ele então pega o seu dinheiro de volta e assente com a cabeça.
— Não queria parecer intrometido, mas acabei sendo.. desculpe. Só queria ajudar de qualquer forma. Meu nome é Fernando, prazer.
Diz ele meio cabisbaixo. E sorrindo torto para mim após se apresentar.
— Sem problemas. E obrigada.
Digo a ele enquanto ele volta para sua mesa. Não quis dizer meu nome, ele é um desconhecido de qualquer forma, melhor não dizer meu nome a qualquer um que eu ver.
Após algum tempo esperando no balcão, o velho volta com meu pedido e meu troco.
— Obrigada!
Digo de forma séria, mostrando para ele que não foi nada legal da parte dele falar alto daquele jeito, irei me lembrar desse velhote!
Pego o pedido, e já saio da lanchonete, estou muito atrasada, terei que comer enquanto ando. Vou comendo e está uma delícia o café e esse pão com tomates, eu estava mesmo com fome, está uma delícia mesmo, termino de comer lambendo os beiços...
Passo por algumas ruas, e finalmente chego ao banco.
Entro e vou direto para o caixa eletrônico, precisava retirar um pouco de dinheiro para comprar algumas coisas para a casa nova.
Após terminar, saio pela porta da frente, do lado de fora posso perceber a quantidade de becos que tinha pelas ruas, pensei que era apenas perto de casa, mas aparentemente tem por vários locais.
Agora e hora de ir para a faculdade, fazer minha inscrição, estou tão nervosa, tomara que dê tudo certo, e uma faculdade com o preço muito bom, é sempre foi meu sonho fazer faculdade de gastronomia, não posso perder essa oportunidade. Ainda mais, que sempre amei cozinhar, mas quero me aperfeiçoar, e também, abrir um negócio futuramente. Seria perfeito.
Ando por mais um pouco, chegando na universidade, aparentemente todos estavam em aula pois não vi ninguém fora das salas, fui para a secretaria, levar minhas documentações.
Por um instante, a noite passada vem a minha mente, eu não sei se fico com vergonha ou com raiva… Espero não estar feia com essas olheiras, quem sabe compro um pó compacto depois, não quero mais passar por isso por causa de um vizinho tatarado que nem me deixou dormir. Ele me paga. Penso enquanto sigo a secretária.
— Tomara que dê tempo de voltar cedo, aquele cretino vai ter que se desculpar por ter arruinado meu sono!
Penso alto..
— Senhorita ?
Ouço uma voz vindo do meu lado, era uma das atendentes, ela vestia um traje comum de secretária, era mais baixa que eu, aparentava ter mais de trinta, bom eu adoro adivinhar as idades das pessoas.
— Olá… vim fazer a inscrição para o curso de gastronomia.
Digo meio assustada, tomara que ela não tenha me ouvido falar sobre meu vizinho.
— Ah sim! Pode vir comigo..
Diz ela com um sorriso simpático no rosto seguindo em direção a uma sala.
— Sente se, você trouxe toda a documentação necessária?
Ela pergunta enquanto se senta à minha frente, era uma sala bem bonita, tinha quadros, armário e a mesa que ficava perto da entrada.
— Sim!
Respondo animada enquanto pego os papéis na minha bolsa.
— Aqui está!
Ela começa a folhear por um tempo.
— Parece que está tudo certo… senhorita… Nicole?
Ela diz enquanto lê meu nome nos papéis.
— Isso!
Graças a Deus, estava preocupada com a papelada.
— Está tudo certo! Pode começar amanhã, mas se quiser conhecer a universidade hoje fique a vontade, a cobrança será enviada para seu endereço cadastrado.
Um sorriso toma conta do meu rosto, não acredito que finalmente estou matriculada.
— Muitíssimo obrigada!
Digo sorrindo apertando a mão da secretária.
— Meu nome é Lúcia, sempre que precisar de algo pode vir me procurar.
Ela responde com outro sorriso, ela é muito simpática, espero me dar bem com todos aqui, não vejo a hora de começar…
Me despeço dela então, e vou ao pátio central, quero ver como é a universidade, quero conhecer tudo para amanhã estudar despreocupada.
Vou até o pátio, havia algumas pessoas lá, tinha uma área de exercícios também, um refeitório com algumas lojinhas com lanches, laboratórios, locais para aulas práticas de vários cursos.
Nunca vi tanto coisa, estava tão animada para começar, não consigo parar de sorrir.
Me sento então em um banco que fica no pátio, entre a grama e as árvores, era um local bem quieto, parecia até mesmo escondido, o local era enorme!
Me relaxo no banco, esparramado meu corpo tentando me relaxar.
Me assusto ao ver um garoto passando por perto, rapidamente conserto minha postura.
Ele usa uma blusa de frio longa com capuz, tem a pele clara, seu cabelo não consigo ver ao certo mas parece meio ruivo, suas sobrancelhas são grossas, ele tem uma cara de bad boy, ainda mais usando esses óculos escuros, e por debaixo da blusa consigo ver o volume de seus músculos.
Fico envergonhada de imaginar essas coisas, ele passa perto de mim e me olha, eu tento ignorar por conta da vergonha, não acredito que estou pensando no corpo dele… deve ter sido por conta da noite anterior, vou matar aquele vizinho quando chegar.
O garoto passa, e some da minha vista, eu então dou um suspiro, e tento me acalmar..
— Certo! Nada de paquerar Nicole, meu foco não é esse.
Digo pra mim mesma enquanto me levanto do banco e passo a mão em minhas roupas tentando desamarrotar.
Me levanto e vou para a cantina, irei comprar algo para comer, já é hora do almoço, então acredito que todos já estão comendo.
Quando chego vejo que tem muitas pessoas lá, está lotado, não sei nem como fazer para entrar.
Talvez seja melhor só comprar algo simples mesmo, evitar essa multidão seria bom!
Tenho que pensar como vou fazer amanhã, as aulas são em horários diferentes, em alguns dias da semana são à tarde e outras a noite, mas tenho que ver como vou fazer quando for na parte da manhã… Ainda bem que recebi o horário na secretaria, assim posso me organizar melhor.
Vou então a uma daquelas máquinas de pegar batatinhas e refrigerante.
Coloco a nota e então escolho, é mais simples do que eu pensava.
Pego meu lanche e vou me sentar novamente naquele banco, achei o lugar bem discreto.
Vou sem prestar muita atenção em volta, então após chegar me sento no mesmo lugar.
Da onde estou posso ver outros bancos, consigo ver o garoto de mais cedo sentado, ele está fumando…
Que triste, um garoto tão bonito e gostoso…
Estou fazendo de novo! Céus….
— Tenho que focar!
Falo pra mim mesma balançando a cabeça tentando mudar de pensamentos.
Abro as batatinhas e o refri, o som da lata de refrigerante faz o garoto notar minha presença.
Eu tento não fazer contato visual com ele, mas ele olha diretamente pra mim.
Começo a ficar vermelha de vergonha, ainda mais depois de ter pensado nessas coisas.
Por um momento quase me engasgo.
Dou umas tossidinhas e me levanto.
— É melhor eu sair daqui, está muito quente!
Penso alto enquanto me abano com a mão.
Acho que irei ao banheiro, e depois quando tocar o sinal irei embora, tenho coisas para resolver em casa…
Aparentemente a aula de hoje acaba no horário do almoço, então irei embora junto dos outros estudantes.
Vou ao banheiro, limpo meu rosto com água, estou vermelha… melhor me acalmar um pouco antes de sair..
Após alguns minutos, sai e posso ouvir o sinal tocar, todos estão saindo de suas salas.
É melhor eu sair antes, não quero ser atropelada por eles…
Fico na entrada escorada na parede, vendo a movimentação e o pessoal saindo.
A partir de amanhã essa será minha rotina.
Fico lá por um tempo, olhando e imaginando minha futura rotina, e então aquele garoto vem a minha mente… e no mesmo instante ele passa por mim, tão perto que posso sentir seu cheiro.
Eu então olho para ele e ele olha para mim, em simultâneo.
Ele tem um cheiro muito bom…
Eu volto a mim e vejo que estou ficando vermelha novamente.
É melhor eu ir logo, não quero passar vergonha aqui… estou até parecendo uma tarada, meu Deus.
Eu então começo a andar, em direção a minha casa.
Vou suspirando tentando controlar minha respiração.
A cada dia nesse lugar as coisas ficam mais estranhas.. Ontem foi aquilo no prédio, e agora na faculdade…
Espero que amanhã não veja esse garoto de novo! Estou ficando doida com isso.
Quando penso em atravessar a rua e olho para frente vejo que o garoto está andando no mesmo caminho que o meu…
Eu tento ver melhor, mas realmente é ele..
E agora? Ele não vai achar estranho eu andando assim, logo atrás dele? Será que devo parar? Esperar um pouco ?
Enquanto penso continuar a pensar.
Ele então vira e me vê, com certeza ele deve saber que era eu na faculdade…
Tento desviar o olhar e fingir que não estou o vendo..
Após alguns passos ele virá em um beco.
Graças a Deus!
Penso..
Estava ficando nervosa já!
Continuo a andar, sem dar importância para o que aconteceu, melhor esquecer e tentar ignorar esse garoto..
Quando de repente quando passo ao lado do beco, algo me puxa me prendendo na parede..
— Ai! O que é isso?
Falo enquanto o garoto me pressiona, me prendendo na parede segurando meus pulsos..
— Quem mandou você ficar me seguindo?
Diz ele com seu rosto perto do meu, quase sussurrando em meu ouvido. Ele diz ríspido me olhando.
Não sei o que senti na hora, uma mistura de raiva, medo, vergonha, por ele estar tão perto assim de mim.
— Eu não estou te seguindo! Eu sou aluna da faculdade!
Falo pra ele tentando mostrar que ele estava enganado. Como se eu fosse seguir alguém assim, até parece, ele responde ainda sério.
— Eu nunca te vi lá..
Ele fala mais perto do meu ouvido, apertando cada vez mais meus pulsos.
— Me inscrevi hoje! Começo a estudar amanhã… Está doendo, me solta!
Falo com a voz firme olhando diretamente para seus olhos o enfrentando, eu não vou deixar ele fazer o que quiser!
- É mesmo é?
Diz ele com um sorriso no rosto, aproximando seu corpo do meu, quase deixando colado, posso sentir que ele tem algo duro na calça mas não sei se é realmente o que estou pensando, será? Ele não pode ser tão pervertido assim, não é? Nossos olhos estão perto, posso ver a cor deles.
Nesse momento do outro lado do beco, posso ouvir o som de motos…
Eles param meio distante, o garoto então olha para eles, e eu consigo ver um pouco.
Elas dois homens um em cada moto.
Eles então começam a falar enquanto tiram revólveres de suas calças..
— Estamos atrapalhando os pombinhos?
Diz um dos homens, ele usava uma roupa estranha, lembrava aquelas roupas de praia, nada combinando.
O outro começou a falar também.
— Namoradinha bonita Edgar, não quer dividir com a gente?
Ele fala passando a língua em seus lábios, parece tentar provocá-lo.
Eu começo a entrar em pânico quando os vejo com as armas, e começo a tentar sair me forçando contra o garoto, parece que seu nome é Edgar…
— Me deixa sair daqui seu doido!
Eu grito com ele, tentando fazer ele me soltar.
Ele me segura de uma forma mais fraca agora, e sussurra em meu ouvido.
— Parece que você estava dizendo a verdade, mas por hora, para sua segurança é melhor fazer o que eu digo, é melhor pra você se pensarem que temos algo.
O'Que? Penso comigo, eu não entendi…
Eu olho confusa pra ele quando ele termina de falar, e então no mesmo momento, ele começa a me beijar, comigo ainda presa na parede, sendo pressionada pelo seu corpo.
Eu congelo, meu rosto fica vermelho, e meu corpo esquenta na hora. Eu só fecho os olhos e deixo ser beijada por esse estranho, eu não devia, mas achei melhor do que ser pega por esses caras que chegou agora.
Posso sentir sua língua em minha boca, seu corpo colado ao meu… mesmo não querendo, é tão bom, sentir o gosto dele na minha boca, esse tal de Edgar tem pegada, meu Deus…
Minhas pernas ficam bambas, e eu começo a desequilibrar, ele segura meu corpo então, soltando meus pulsos.
— Agora corre! – Ele diz sussurrando.
Qual ele diz isso, olhando para meu rosto, eu não tive outra reação, a não ser correr.
Sem olhar para trás, estava desesperada, sem saber o que estava acontecendo.
Tudo que ouvi foram sons de tiros.
Corri o máximo que pude, até chegar na praça que ficava do outro lado da entrada do prédio.
Sentei no chão escorada na parede, as pessoas olhavam, mas tudo que eu pensava era naquele momento.
Minha cabeça estava a mil.
O que será que aconteceu? Quem são eles e o que queriam? São tantas perguntas, confesso que tive medo, nunca passei por nada assim na minha vida.
Tento controlar a respiração, e me acalmar.
Tenho que pensar em algo, amanhã tenho que voltar lá na universidade… e preciso que coisas assim não aconteçam mais, mas como aqueles caras me viram, se eles me perseguir? É disso que tenho medo, meu segundo dia aqui está sendo mais agitado do que pensei.
Aquele garoto…. Edgar…. Tenho que falar com ele! Temos que resolver sobre o que aconteceu, não quero que o pior aconteça.
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