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Capa do romance Meu viúvo protetor

Meu viúvo protetor

Após perder a esposa, um homem amargurado vive apenas pela filha, a pequena Lara. Seu mundo cinzento e sem esperança muda drasticamente com a chegada de Bianca. Estudante de artes focada em seus sonhos, ela aceita trabalhar como babá para financiar seus estudos. A conexão com a criança é imediata, mas Bianca não esperava que o pai da menina fosse um homem tão intimidador quanto fascinante, capaz de despertar sentimentos que ela jamais imaginou sentir.
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Capítulo 1

Bianca Maria

- Bibi!

Renata me cutuca as costelas me oferecendo com confeito de caramelo, pego na hora, afinal que rejeitaria doces? Essa pessoa não sou eu, ainda mais se eu estiver ansiosa, e hoje minha ansiedade está alta, tenho uma entrevista de emprego após a aula.

Chupo meu confeito enquanto o professor finaliza sua aula de fotografia, minha cadeira preferida.

Sou estudante de Artes e estou no terceiro período, quando me decidi por artes, pensei em trabalhar com pintura, mas a fotografia me pegou em cheio, eu amo a faculdade de artes por sua diversidade, amo música, teatro, dança, cinema e principalmente fotografia! Também sou muito boa com caricaturas!

Me chamo Bianca, mas todo mundo me conhecem por Bibi! Estudo na faculdade federal do Rio de janeiro, o que me falta em dinheiro eu tenho em inteligência e esforço. Renata e Murilo são meus melhores amigos do mundo todo, embora eu seja amiga de todo mundo, porque eu conheço bastante gente nessa faculdade, fui diagnosticada com imperatividade e sou muito comunicativa, Renata é filha de um empresário da moda e Murilo é filho de médicos, eles estudam comigo, diferente de mim meus amigos são podre de ricos, mas não são aqueles riquinhos metido a besta, são gente fina e por isso estamos sempre juntos.

Eu moro na comunidade do caracol, vivo com minha tia Rosângela e meu irmão Vitor, Vitinho é tudo para mim, faço tudo por esse garotinho, minha mãe morreu a quatro anos, em um confronto com a polícia e bandidos do morro, Vitinho não lembra dela, ele só tinha dois anos e eu dezessete, então eu e tia Rosângela irmã da minha mãe Rosa criamos Vitinho.

Vitor e eu não somos filhos do mesmo pai, meu irmão é moreno de aparência mestiço, tem olhos puxados e os cabelos cheios de cachinhos, o pai do meu irmão é um vagabundo que não trabalha e só registrou o filho por medo da justiça, mas nunca deu um saco de leite, já eu sou loira dos olhos verdes, não é algo muito comum uma loira natural em comunidade, mas minha mãe se envolveu com um gringo no carnaval e eu nasci, mamãe sempre falou do meu pai com admiração, que ele era lindo e parceria um príncipe foi paixão a primeira vista dos dois lados, eles ficaram juntos até ele ter que voltar ao seu país, prometendo voltar para buscar minha mãe, mamãe não sabia que estava grávida e ele nunca voltou, tudo que eu sei do meu pai é que ele se chama Roberto e mora na Alemanha.

A morte da minha mãe foi muito difícil para mim e mesmo com toda minha tristeza eu entendi que essa foi a vontade de Deus, eu decidi que daria orgulho a minha mãe, onde ela estivesse eu tinha certeza que ela estaria olhando por mim.

Então me dediquei a estudar, não é muito comum se vê favelado na faculdade, ainda por cima em faculdade federal, onde as notas para entrar são altas, mas eu me dediquei estudando, queira ser uma fotógrafa profissional, fazer fotos de noivas, aniversário, paisagem, mas quando conseguir passar na faculdade me apaixonei por pintura, traços que se formam e expressam seus sentimentos mais secretos, ou retratar uma bela paisagem em uma linda tela.

No dia que passei no vestibular aos dezoito anos, foi uma festa aqui na comunidade, até a bandidagem comemorou! Sim, todos me conhecem e somos amigos, não amigos de andar juntos até porque eu nunca pegaria em um fuzil embora veja um toda hora, basta abrir a porta de casa, mas batemos papos rápido sem falar que nasci e cresci aqui no caracol.

Quando a aula termina, já vou para perto de Renata.

- você trouxe a blusa?

Ela diz que sim.

- estão falando mal da vida de quem?

Murilo pergunta passando a mão no meu ombro.

- de ninguém, não gosto de fofoca!

Ele olha para mim fazendo uma cara engraçada.

- você me respeite Murilo, eu não sou fofoqueira, apenas comento alguns acontecimentos da vida alheia.

Rimos juntos e fomos até o banheiro, Murilo ficou esperando por nós do lado de fora.

- amiga nem sei como agradecer.

- não precisa, essa blusa é um presente meu para você!

- tem certeza? Não precisa, afinal parece ter sido bem cara.

- claro que eu tenho certeza é sua, pode ficar!

- obrigada amiga, coube certinho!

Digo me olhando no espelho, a camisa branca de manga comprida com um tecido muito bom me veste perfeitamente e com certeza é a roupa mais cara que já pus em meu corpo, me olho no espelho e acho que estou bem, eu não queria ir nessa entrevista com uma roupa velha, queria causar boa impressão, afinal preciso passar nessa entrevista.

Meus cabelos loiros e lisos estão presso em uma trança, estou usando uma calça jeans clara, uma sapatilha verde limão nos pés e no meu rosto apenas passei um gloos nos lábios, no ombro carrego minha inseparável mochila de couro vagabundo, dentro dela eu carrego um arco-íris inteiro, folhas, mini telas, pincéis, lápis coloridos e tintas de todas cores, na minha mochila tem uma mancha vermelha que fiz com tinta óleo e a tinta não sai por nada, não importa o quanto eu lave a mochila, tornando-se minha mancha de estimação.

- esse sua sapatilha não vai passar despercebida.

- eu amo minha sapatilha!

Falo e eu acho linda, gosto de cores e brilhos, ela está dando todo toque no look, as pulseiras de bolinhas coloridas que amo suar eu guardei para passar um ar de seriedade, mas a sapatilha fica.

- mais uma vez obrigada por me indicar a esse emprego amiga..

Renata que me indicou essa vaga de emprego, ela viu minha luta diária para conseguir um trampo, o homem para quem vou trabalhar é amigo do pai dela, desde que fui demitida a quinze dias do bar que trabalhei a quase um ano, eu chutei as bolas de um cliente bebo, que queria pegar meus peitos! Foi demitida sem choro nem vela.

Não dá só para fazer faculdade e não trabalhar, não sou rica e não sou herdeira, tenho que pegar ônibus todos os dias para vim à faculdade e passagem não é nada barato, tem os gastos com a faculdade e também tenho que ajudar em casa, não vou deixar a tia Rô bancar a casa inteira, como esse emprego é meio expediente será perfeito, vou poder vim a faculdade pela manhã e trabalhar no fim da tarde.

- não agradeça, mas não esqueça do que lhe falei sobre o Senhor Afonso.

Renata fala e faço uma careta, ela falou que o senhor Afonso não é muito sociável.

- mas ele não fará a entrevista, com certeza vai mandar uma secretaria, porém tenha em mente que ela vai está acompanhando a entrevista por câmeras em algum lugar.

Porque ele não acompanha a entrevista pessoalmente? Esse Afonso deve ser um riquinho cheio de manias estranhas, mas eu estava precisada e o salário oferecido é ótimo.

Quando saímos do banheiro, o Murilo ainda está por lá nos esperando.

- boa sorte Bibi.

- obrigado Murilo, vou precisar!

Agradeço, Renata vai me dar uma carona até o condomínio do Afonso, pois eles moram no mesmo condomínio de luxo.

Estou me candidatando a uma vaga de babá de uma menina de seis anos, o nome dela é Lara e seu pai está procurando uma babá! Renata falou que a última não durou dois meses, eu rezo com toda fé que tenho dentro de mim, para conseguir essa vaga e poder organizar minha vida financeira que só vive no vermelho e conseguir me formar, algo dentro de mim dizia que tudo daria certo, talvez não tão certo assim.

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