
Meu primo
Capítulo 2
Eu já estava prestes a confirmar para a minha mãe que o primo estava realmente muito gato, mas ouvi o meu celular tocando no quarto, saí correndo para atender.
Ligação on
— Oi, Giulia!
— Vamos sair hoje para comemorar a chegada do meu irmão.
— Não estou com ânimo para sair.
— Eu passo aí as 21 horas, beijo.
Ligação off
Como a Giulia era insistente, e eu boba, sempre fazia as vontades dela. Retornei novamente para cozinha.
— Quem era, filha?
— A Giulia, me chamando para sair hoje. — eu disse desanimada.
— Por que esse desânimo todo?
— Não estou a fim de sair.
— Vai se divertir, filha você é nova tem que sair mesmo. — disse enquanto me entregava um pedaço de torta.
Gustavo narrando
Assim que desembarquei do avião, fui andando e olhando para ver se via a minha mãe, mas não avistei ela em lugar nenhum, só vi uma garota bonita acenando com a mão.
Será que é comigo? Mas eu não me lembro dela...
A garota chamou pelo meu apelido “Gu” me aproximei e quase não acreditei de quem se tratava... Era a minha prima Luana... Nossa! Como ela ficou gata!
— Luana, é você? — perguntei surpreso.
— Não me reconhece mais Gustavo? — disse sorrindo.
— Você está diferente. — falei olhando ela inteira.
— Eu não mudei tanto assim.
E como mudou! A pirralha da minha priminha se tornou um mulherão.
Logo a minha mãe e a minha irmã chegaram, elas me abraçaram, fizeram a maior festa com a minha chegada. No caminho para casa foi impossível não ficar olhando para aquele rostinho lindo e delicado da minha priminha, aquela boquinha dela me fez ficar até com água na boca, eu estava com o olhar tão fixo nela que Luana começou a notar, e me olhou de volta mostrando confusão, eu disfarcei e fingi que estava olhando para a vista na janela.
Ao chegar na minha casa, encontrei o meu pai no sofá, ele me deu um abraço frio, eu e meu pai não nos davamos bem, o meu pai queria que eu trabalhasse no restaurante que ele trabalhava, como gerente, queria me controlar, achava que estava em dívida com ele, por ter me ajudado em um erro que comenti no passado, mas já disse a ele que vou tocar a minha vida do jeito que eu achar melhor.
Após trocar algumas poucas palavras com o meu pai, fui para o meu quarto, ao entrar vi que estáva tudo igual. Deixei a minha mala no chão, depois me joguei na cama, observei a minha irmã entrando no quarto.
— Hoje tem baladinha? — disse animada se jogando na minha cama.
— A Luana também vai? — perguntei me levantando, sentando na beirada da cama.
— Não sei. Por que? Ficou encantadinho pela prima? — perguntou me olhando desconfiada.
— Ela tá muito gata. — eu disse me jogando para trás, caindo de costas sobre a cama.
— Sossega a periquita, Gustavo a prima tem um namorado. — Giulia disse me encarando.
— Tá falando sério, Marrenta? — perguntei decepcionado.
— Claro que sim! — ela disse tranquila.
Então eu percebi que ela estava mentindo, pois quando mentia mexia de um jeito estranho a ponta do nariz.
— Para de mentir. Conheço quando está mentindo, peste! O seu nariz de Pinóquio mexeu demais. — eu disse pegando na ponta do nariz dela.
Giulia deu uma gargalhada.
— Você me pegou. Estou zoando, a prima está solteira.
— Que bom! Também se tivesse namorando, azar do cara. — falei tranquilo.
— Acha mesmo, que a Luana ia te dar bola se estivesse namorando, Gustavo?
— Claro! Eu sou irresistível. — eu disse dando um sorriso de lado.
— Acho que ela não vai te dar brecha não maninho, a prima é muito devagar.
— Devagar como?
— Ah! Você sabe.
— A prima é do time das santinhas?
— Não exagera! Vou ligar e convidar ela pra balada. — disse mexendo no seu celular.
— Coloca no viva voz? — falei cochichando, pois a Luana já havia atendido a ligação.
E no fim, a minha irmã meio que "intimou" a prima sair com a gente.
— Pronto, você ta me devendo uma. — Giulia disse me encarando.
— Começa não, em Marrenta. Passa o número da Luana pra mim?
— Eu preciso primeiro perguntar a ela, se posso.
— Por que não poderia? Eu sou o priminho dela. — Giulia me encarou por alguns segundos em silêncio.
— Ta bom! — ela disse me dando o seu celular. — Deixa eu te falar... tem um carinha que as vezes a Luana da uns pega.
— Quem é o zé ruela? — perguntei devolvendo o celular para ela.
— Ele vai ta no role de hoje. Ele é esse aqui? — Giulia disse entrando no perfil do cara no WhatsApp, em seguida ela me mostrou a foto.
— Aí que gato, amiga!
— Que besta! — disse rindo.
— Não é assim que vocês falam, quando acham que o cara é bonito. — eu disse rindo.
— Lógico que não, seu palhaço! — ela disse me dando um tapa de leve. — Você não vai conversar com o papai?
— Eu não. Você viu como ele me recebeu? — falei emburrado.
— Por que você não faz...
— Pode parar Marrenta, não vou deixar o pai mandar na minha vida, não adianta, já falei que não quero trabalhar em restaurante nenhum. — falei seriamente.
— Tá bom, mas tenta conversar com ele, não custa nada.
— Já conversei mil vezes com ele Giulia, mas não adianta, o pai é cabeça dura.
— Acho que o papai só quer ter você por perto.
— Você sabe se a mãe falou com ele a respeito da minha estadia aqui?
— Não sei, Gu.
— Fodeu. — eu disse enquanto passava uma das mãos sobre os meus cabelos.
O celular da Giulia tocou, ela pegou ele e sorriu.
— Vou atender no meu quarto, é o meu bebê. — falou animada, saindo do quarto.
Eu permaneci sentado ainda na beirada da cama olhando para a minha bagagem, depois me levantei, e comecei a tirar as minhas roupas para guardar no meu guarda roupas. Após guardar todas as minhas roupas deitei na cama, peguei o meu celular e mandei uma mensagem para a Luana.
WhatsApp on
— Boa noite!
— Boa noite! Quem é?
— Ninguém importante, só alguém que te acha linda.
— Eu vou te bloquear.
— Nossa! Para de ser mau.
WhatsApp off
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