
Meu Presente de Casamento: Sua Execução Pública
Capítulo 3
Ponto de Vista de Elisa Ferraz:
Henrique pensou que eu estava dormindo no sofá quando voltou horas depois, cheirando levemente a um perfume de mulher que definitivamente não era o meu. Ele me pegou gentilmente nos braços e me levou para a nossa cama, seus movimentos praticados e ternos. A pura hipocrisia daquilo fez minha pele arrepiar. Ele me cobriu, beijou minha testa e sussurrou: "Bons sonhos, meu amor."
Os sonhos que vieram foram tudo menos doces. Eram uma montagem caótica do rosto sorridente do meu pai se tornando cruel, das promessas de Henrique se quebrando como vidro e da risada de Carla Penteado ecoando na escuridão.
Acordei tremendo, encharcada de suor frio. Henrique estava dormindo ao meu lado, um braço jogado protetoramente sobre minha cintura. Sua respiração era profunda e regular. Ele parecia pacífico, inocente. Um monstro em repouso.
Gentilmente, deslizei para fora de seu braço e fui à cozinha pegar um copo d'água. O celular dele estava no balcão onde ele o deixara. Foi um ato tolo e impulsivo, nascido de uma necessidade desesperada de confirmação do que eu já sabia. Minhas mãos tremiam enquanto eu o pegava. Não tinha senha. Claro que não. Ele era arrogante a esse ponto.
Suas mensagens de texto com Carla estavam no topo. Rolei a tela, meu coração batendo um ritmo doentio contra minhas costelas. Era pior do que eu poderia ter imaginado. Fotos explícitas, fantasias grosseiras, planos para o próximo encontro. Ele estivera com ela esta noite, em um hotel a apenas alguns quarteirões de distância. Ele me deixou, ferida e supostamente estressada, para ficar com ela.
Houve uma troca que fez o ar faltar em minha garganta.
Carla: Ela é realmente tão chata na cama?
Henrique: Digamos que ela é uma pintura clássica. Bonita de se ver, mas você não quer realmente tocar. Você é um incêndio, meu bem. E eu adoro me queimar.
O celular escorregou dos meus dedos e bateu no chão de cerâmica. Uma pintura clássica. Intocável. A primeira vez que estivemos juntos, ele fora tão paciente, tão reverente. Ele traçara as linhas do meu corpo com as pontas dos dedos e me dissera que eu era uma obra-prima. "Vou passar minha vida te valorizando, Elisa", ele prometera.
Outra mentira. Tudo.
Cambaleei para trás contra o balcão, minhas pernas cedendo. A dor no meu peito era imensa, um peso físico pressionando, tornando impossível respirar. Ele não apenas me traiu; ele profanou cada memória sagrada que compartilhamos. Ele pegou nossa intimidade e a transformou em uma piada para sua amante.
Quem era esse homem? O noivo amoroso que me abraçava quando eu tinha pesadelos? O gênio da tecnologia elogiado por revistas? Ou o estranho insensível que zombava das minhas inseguranças mais profundas para outra mulher?
Eu não conseguia conciliar os dois. O homem que eu amei por seis anos era um fantasma, uma ilusão na qual eu desesperadamente queria acreditar.
O som do celular batendo no chão deve tê-lo acordado. Passos se aproximaram pelo corredor. "Elisa? Tudo bem?"
Eu não respondi. Não conseguia. Estava me afogando em um mar de seu engano.
Ele apareceu na porta, o cabelo despenteado do sono, os olhos cheios de preocupação. Ele viu o celular no chão, depois olhou para o meu rosto. A cor sumiu do dele. Pela primeira vez, vi um lampejo de pânico genuíno em seus olhos.
"Elisa...", ele começou, dando um passo em minha direção.
"Não", sussurrei, minha voz rouca. Levantei a mão, um escudo frágil contra a torrente de mentiras que eu sabia que estava por vir. "Não se atreva a me tocar."
Ele congelou, sua expressão mudando de pânico para uma máscara cuidadosamente construída de contrição. Ele se ajoelhou, não diante de mim, mas para pegar o celular. Ele estava protegendo seus segredos, não implorando pelo meu perdão.
"Amor, não é o que você pensa", disse ele, sua voz baixa e suplicante. "Ela não significa nada para mim. Foi um erro estúpido. Eu estava estressado, o casamento, a pressão..."
Ele já estava girando a narrativa, pintando-se como a vítima. Eu apenas o encarei, meu coração uma coisa morta e pesada no meu peito. Eu não sentia nada além de uma vasta e vazia frieza.
"Sinto muito", ele continuou, dando outro passo mais perto. "Vou terminar com isso. Agora mesmo. Nunca mais falarei com ela. Por favor, Elisa. Não deixe que isso nos destrua. Temos tanto pela frente."
Ele estendeu a mão para mim, e eu recuei como se seu toque fosse fogo.
O olhar de mágoa que cruzou seu rosto foi tão convincente que era quase cômico. Ele achava que algumas palavras bonitas e uma expressão triste poderiam apagar isso. Ele não tinha ideia do que tinha feito. Ele não apenas quebrou uma promessa. Ele estilhaçou a própria fundação do meu mundo.
"Vou ficar no quarto de hóspedes", eu disse, minha voz desprovida de emoção. "Preciso de um pouco de espaço."
Virei-me e fui embora, sem esperar por sua resposta. Podia sentir seus olhos nas minhas costas, mas não olhei para trás. Fechei a porta do quarto de hóspedes atrás de mim e deslizei para o chão, os soluços silenciosos finalmente se libertando, sacudindo todo o meu corpo com sua força. Não era apenas o fim de um relacionamento; era a morte de um sonho. E eu estava completa e totalmente sozinha nos escombros.
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