Capa do romance Meu Presente

Meu Presente

8.3 / 10.0
Noan busca um recomeço em isolamento absoluto, priorizando a conexão com a natureza para superar traumas de seu passado. Ele planejava uma vida solitária por tempo indeterminado, mas seus planos são interrompidos por uma visita inesperada. Uma mulher de pele clara, cabelos negros e lábios vermelhos surge como um presente vivo em sua porta. Diante dessa figura que remete à Branca de Neve, ele conseguirá manter seu exílio ou aceitará essa mudança em seu destino?

Meu Presente Capítulo 1

Ansiedade é a palavra que me define nesse momento! A cada passada que dou sinto-me ainda mais feliz, então seguro com força o buquê de rosas brancas e a caixinha contendo o anel que eu a entregarei depois de fazer a pergunta que eu venho treinado a semana toda para fazer.

— Samanta, você quer se casar comigo?"

 Hoje é o grande dia! O dia em que daremos o passo mais definitivo no nosso namoro. Pedi dispensa do trabalho essa tarde porque sei que hoje ela não tem plantão no hospital, passei na joalheria e em seguida na floricultura, suas flores preferidas também participarão desse momento.

Entro em casa com meu largo sorriso costumeiro, subo as escadas e...

 — Ann que delícia amor! Vai mais fundo! - os gemidos da minha noiva tomam conta da casa.

— Aah Samanta! Você me deixa louco! - ouço uma segunda voz, no qual eu reconheço no exato momento.

Abro a porta de uma vez apenas para confirmar que meu melhor amigo, André está em cima da minha agora ex noiva.

— Meu amor! O que você está fazendo aqui a essa hora? - Samanta pergunta tentando se recompor.

— Cara eu... - André tenta falar.

 — Não digam nada! Desculpa atrapalhar, apenas continuem. - digo já me virando para deixar o local.

 — Amor espera! - a safada ainda me chama.

— André, ela toda sua, e pode ficar com isso aqui também. - digo jogando o buquê e a caixinha com o anel em cima da cama. — Cortesia da casa.

Deixo aquele local com duas certezas na cabeça. Eu não tenho mais noiva! Também não tenho mais o meu melhor amigo.

(...)

Duas semanas depois O céu do campo é bem mais limpo do que o da cidade, aliás, tudo aqui é mais limpo, as árvores são mais verdes, e tem esse cheiro de mato que me faz muito bem, faz uma semana que vim para esse xalé.

 Pois encontrar minha namorada Samanta na cama com o meu melhor amigo André acabou comigo, foi um golpe duplo, que me despedaçou por dentro, e mesmo duas semanas depois ainda não consegui me recuperar. Meu padrinho me chamou para passar todo o verão no campo com ele, Jhon tem uma rede de xalés, e casais apaixonados e famílias felizes sempre vem passear com seus filhos, meu padrinho me convidou para ficar em seu xalé particular, mas sinceramente eu não sou uma boa companhia no momento, então decidi vir para o xalé mais isolado e no meio do mato, fica cerca de dez quilômetros de distância dos outros xalés, e confesso que estou adorando, já chega os olhares de compaixão, ou sorrisos de deboche, tudo o que eu mais quero no momento é sossego e tranquilidade, além de um tempo sozinho.

(...)

Assim que terminei a minha corrida diária ao redor do enorme lago em frente ao xalé, voltei para a pequena propriedade e tomei um banho, depois peguei um livro, não um dos livros do meu padrinho é claro, não tô no clima de ler nenhum livro erótico, pego um dos clássicos de "Alan Poe" e sento na varanda do xalé, o clima sombrio do livro não combina nem um pouco com a bela paisagem à minha frente, isso causa um contraste muito interessante e me faz ter ainda mais interesse pela leitura.

O resto do dia se baseou como todos os outros desde que estive aqui, com poucos mantimentos no armário resolvi preparar um lamem pro almoço e o resto da tarde e à noite passei assistindo filmes, meu padrinho Jhon não veio me incomodar, o que me deixou muito satisfeito, na moral, eu adoro o meu padrinho, mas não estou muito no clima para ouvir suas histórias pervertidas. Eu não estou afim de papo com ninguém.

(...)

Mais um dia rotineiro no coração da floresta! Isso que é vida! Longe de toda a porcaria que é o mundo lá fora, sinceramente, estou pensando seriamente em prolongar minhas férias por tempo indeterminado, morar na mata, e viver na natureza, sobrevivendo com tudo o que ela tem para me oferecer. Digo isso porque agora mesmo estou voltando do rio que passa logo atrás do chalé com um enorme peixe, que tiro as escamas coloco sal e depois o asso com o calor da fogueira que eu mesmo criei, eu sou o próprio cara das cavernas! E não estou nem um pouco afim de voltar pra civilização.

 (....)

Faz três dias que meu celular descarregou e eu não o pluguei na tomada, meu padrinho Jhon sabe que eu estou vivo e ele pode noticiar meus pais, aliás, tem uma semana que a meu pedido ele não anda por aqui, mas ele sabe que eu tô respirando por causa da fumaça das fogueiras que eu virei especialista em criar, ele está respeitando o meu espaço e eu estou muito grato por isso.

 (....)

 Já faz um mês que eu estou vivendo na total liberdade! Depois que o sol se posicionou no meio do céu mostrando que estávamos no meio dia, resolvi tomar um banho de rio, e depois que saí pelado da água não senti vontade de vestir minhas roupas, afinal, ninguém vai me ver mesmo.

(...)

Há dois dias que eu estou andando sem roupas e vivendo como Adão só que sem a Eva, coitado do meu antepassado, teve que sair do paraíso por causa de atitudes tomadas por terceiros, me identifico bastante com a sua história, mas no meu caso, foram as atitudes cometidas por terceiros, que me fizeram adentrar ao paraíso. A cidade não me faz falta, conviver com as pessoas não me faz falta, eu nunca me senti tão livre na minha vida, e como a minha avó sempre dizia.

 "É melhor viver sozinho do que mal acompanhado."

 E sinceramente, companhias não me fazem falta, e eu estou vivendo muito bem. Ou estava até agora!

 — Quem é você? - pergunto para a morena de lábios bem carnudos e vermelhos que está em frente a minha cabana, e assim que ela se vira bate o olho diretamente no meu pau.

— Uauu! Quer... quer dizer... o senhor deve ser Noan Rocha! - ela diz toda vermelha, tentando focar no meu rosto, mas seu olhar sempre acaba voltando pro meu garoto.

 — Sim! Sou Noan Rocha, e você quem é? - perguntei tentando manter a todo custo meu garoto adormecido, mas esse olhar intenso dela está insistindo em o fazer acordar, agora que cheguei mais próximo, pude perceber que ela está com um laço envolto à cintura fina, que lembra muito esses que se colocam em caixas de presente.

— Sou Ester Fontes! - ela diz com um belo sorriso no rosto. — O seu presente.

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