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Capa do romance Meu Pequeno Arco-íris

Meu Pequeno Arco-íris

Bianca é o retrato da resiliência materna em meio ao sofrimento. Após escolhas que a conduziram por caminhos tortuosos, ela prova que ser mãe transcende qualquer definição biológica ou idade. Sua verdadeira força interior é testada quando seu bebê recém-nascido luta para sobreviver, enfrentando as graves consequências de um atendimento médico negligente. Nesta jornada emocionante, ela busca esperança e superação enquanto lida com as marcas de um erro fatal.
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Capítulo 2

Minutos depois sua mãe ligou avisando que já havia acabado de chegar na cidade. Informando por que não chegou mais cedo, o carro do seu pai havia dado um problema mecânico no caminho. Notando a preocupação da sua mãe na linha, Bianca tentou acalmá-la, ao agradecer seu deslocamento, encerrando a chamada em seguida.

A enfermeira entrou para examiná-la novamente, desta vez veio com ela o aparelho para ouvir os batimentos do bebê... Bianca imaginou que devido às suas fortes dores, não estava conseguindo ouvir os batimentos do seu filho direito. Foi o que ela pensou.

— Está tudo bem? — Bianca perguntou ao ver a enfermeira recolhendo o aparelho com uma expressão estranha.

— Os batimentos do bebê estão diminuindo, talvez o doutor opte por uma cesariana. — A mulher sorriu para ela gentilmente. — Mas não se preocupe, vai ficar tudo bem.

Bianca não acreditou nela, a enfermeira parecia tranquila, mas seus passos eram rápidos... Minutos depois outra entrou empurrando uma cadeira de rodas, sabendo que havia chegado a hora e que ela passaria por esse momento sozinha, Bianca se levantou com a ajuda da mulher. Quando deu um passo em direção à cadeira, um líquido escorreu por sua perna, formando uma possa de água no chão, sua bolsa havia se rompido. Estava escrito que seu filho iria nascer naquele dia.

— Cadê o doutor? — Bianca olhou para si e depois para a enfermeira que a ajudou a se sentar.

— No momento ele está tomando café. Ele vai nos encontrar na sala. — Respondeu à enfermeira, enquanto empurrava a cadeira com Bianca sentada em direção ao centro cirúrgico.

As dores de Bianca se intensificaram, ela estava gemendo baixo e apoiando seu baixo ventre, lagrimas silenciosas, escorriam por suas bochechas, ela ansiava pelo seu marido, ela estava de olhos fechados, desejando que ele chegasse logo, ela precisava do seu apoio, mas até o momento Kaike não apareceu, com a ajuda da enfermeira, Bianca se deitou sobre a cama e apoiou suas pernas abertas, suas dores estavam ficando cada vez mais intensas, seus gemidos estavam saindo mais alto a medida em que ela sentia, algo a dilacerando por dentro.

Era uma dor inimaginável, na verdade, ninguém havia preparado ela antes. A dor que ela estava sentindo ia além das que tentavam representar. Sem nem mesmo o apoio dos médicos, Bianca observava apenas duas enfermeiras que estava com ela. Uma delas estava ao seu lado, falando para ela empurrar o bebê com força e a outra estava lá aguardando o bebê, Bianca implorava pelo médico, para acabar logo, mas ele não aparecia.

— Você tem que fazer força, Bianca! — A enfermeira que estava ao seu lado falou. E em um movimento rápido ela empurrou a barriga da garota para baixo, quase subindo sobre o seu peito. Com esse movimento, Bianca gemeu mais alto de dor. Fazendo a enfermeira olhá-la. — Não precisa gritar! — a mulher completou.

Bianca se calou imediatamente, o momento que deveria ser magico para ela, estava sendo o mais vergonhoso e assustador da sua vida. Até que ela ouviu a outra enfermeira falando.

— O bebê já está passando próximo do canal retal. A resíduos de fezes. Cadê o doutor? — Os olhos de Bianca se arregalaram, ela sentiu vontade de fazer coco, mas não sabia que estava fazendo ao sentir a enfermeira a limpando. — Estou vendo o cabelinho dele, cadê o doutor?

Bianca estava tremendo e cogitando parar de fazer forças, pois ela não sabia de onde tirar, ela olhou para cima e algumas lágrimas caíram dos seus olhos, lágrimas de vergonha, medo e insegurança. Naquele momento tanto o bebê, quanto a mãe, estavam sem forças. Seu pequeno anjo não estava mais ajudando sua mãe, seu bebê não estava mais forçando para sair. Foi nesse momento que o doutor chegou correndo, ainda se preparando, mas ao se posicionar para receber o bebê, ele não nascia. Bianca empurrou, fez força, mas seu filho não saía.

— Vou fazer um leve corte!

Quando Bianca ouviu a voz do doutor, ela sentiu uma ardência em sua parte íntima, antes que ela pudesse dizer qualquer coisa a enfermeira empurrou sua barriga para baixo novamente, foi então que Bianca forçou com a dor e sentiu seu filho passando por seu canal. Algo que saiu do tamanho maior ao menor de uma vês. A dor imediatamente parou enquanto sua cabeça caiu para trás em alívio, ela suspirou. Aguardando ouvir o choro do seu filho, mas ele não alcançou seus ouvidos.

Seu corpo estava tremendo tanto, Bianca pensou que iria morrer naquele momento, ela não tinha nenhum controle sobre isso. A enfermeira falou que era normal, até ela perceber uma movimentação estranha, passos rápidos, mas seus olhos não conseguiam alcançar. Bianca tentou perguntar, mas havia apenas ela e o doutor na sala, ela sabia disso devido ao silêncio assustador que se formou depois, enquanto ela sentia a linha que ele costurava sua pele intima, Bianca estava sem forças até mesmo para informar que estava sentindo tudo.

Após o final do procedimento, Bianca foi levada até seu quarto, sua mãe já estava a aguardando, ao abraçá-la assim que a viu, mesmo deitada. Sua mãe passou em seu abraço todo o conforto que Bianca estava ansiando. Bianca, após o tremor, estava enrolada em vários lençóis e sentindo seu fluxo saindo com uma certa intensidade a deixando melada, mas ainda não era hora do seu primeiro banho, ela tinha que permanecer assim. Ela sorriu fraco e perguntou:

— Mãe, cadê o Gabriel? — Sua voz saiu falha, ela sabia que estava acontecendo alguma coisa, mas não queria acreditar.

— Ele está no berçário filha! — sua mãe respondeu escondendo completamente a emoção de sua voz. Ela sorriu, se virou rapidamente e mexeu em sua bolsa, enquanto disfarçava suas lágrimas as enxugando rapidamente.

As horas foram se passando, o que estava deixando Bianca em pânico, ela não tinha nenhuma notícia do seu bebê. E ninguém vinha lhe falar nada. Quando um enfermeiro entrou para colocar remédio em seu soro, Bianca perguntou:

— Minha mãe disse que levaram meu bebê para o berçário! Quando vão trazer ele para mim? — ela sorriu docemente.

— Berçário? — O enfermeiro olhou para a mãe de Bianca e depois seu olhar retornou lentamente para ela. — Ele está na UTI. De lá, só saem vivos ou mortos...

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