
Meu Papai
Capítulo 3
Durante o curto caminho até a sala de controle me recordo que o General me deve um favor e chegou a hora de cobrar. Seguro o telefone e levo ao ouvido.
— Major Villin. — Me apresento.
— Sua mãe disse que vai me matar se não tiver notícias suas Monspie. — aflito me questiona — Está tudo bem mesmo com você? É que o Cabo Dante estava bem nervoso na ligação e deu a intender estar escondendo algo importante.
— Você está saindo com minha mãe? É sério isso General?! — o questiono ponderando minha raiva — Responde! — Esbravejo.
— Somos adultos Monspie. — declara como se isso fosse amenizar minha raiva — Me diga quais são os seus planos e desde já meus sentimentos, sei que os Soldados Jard e Raink eram seus amigos.
— Estou bem. Volto pela manhã e obrigado. — respiro exageradamente — Tenho que cobrar um favorzinho, que um certo alguém está me devendo. — Resolvo mudar o foco da conversa.
— Assim que chegar conversaremos melhor. Faça uma boa viagem. — Muda de assunto.
— General, quero levar comigo uma criança daqui de Nad-e Ali. — Informo sem rodeios.
— Que porra é essa Monspie! Está maluco? — suponho que consegui deixa-lo nervoso, fala baixo e exasperado — O que aconteceu, quem é essa criança?
Conto tudo para ele que me nega o pedido, mas prometeu que irá tentar levá-la como emigrante para os Estados Unidos e lá poderei adquirir a paternidade da menina.
— Você não pode se envolver com isso, caso contrário vão alegar ser nepotismo, mas vou mantê-la aí na base. Encontre alguém de confiança que possa cuidar e protegê-la até que venha para ficar conosco. — é sério que ele já pensa ser meu pai?! — Te darei os nomes de cada Soldado de confiança que irá para Bagram e você realizará o resto, através deles mande tudo que ela precisar.
— Ok, outra coisa. Tenho uma pessoa aqui na base que cuidará bem dela. Entretanto, quando for para junto da gente ele deverá ser levado também, já que negou meu pedido ao menos esse você pode né General? — Deixo claro minhas intenções com o doutor.
— Quem é? Não é assim que funciona Major Villin. — Rebate rude acreditando que me amedronta.
— Dr. Enzo. Quero fazer dele um homem rico por tê-la salvado. Você pode realizar isso por nós? Ele é muito importante para mim.
— Quantos anos para ele voltar? — pergunta — Isso posso fazer.
— Dois anos e ficarei muito feliz de ajudá-lo.
— Ok, é americano? — merda, não havia pensado nisso — Se for faço umas ligações e no mesmo voo que ela vier poderá vir junto.
— Não, é europeu, mas deixa isso comigo. — Me despeço e desligo.
Tenho pessoas muito fluentes no exército europeu e um pedido da Izabell ou do Benjamins poderia me ajudar com o Enzo. Estou pensativo quando passo e dou uma olhada a minha volta percebendo todos me vigiando boquiabertos, parece até que nunca presenciaram um Major gritar com um General.
— Sabem o que significa privacidade? — pergunto — Vão trabalhar!
Uns correm e outros se viram para suas mesas. Agora é só informar ao Enzo e deixar tudo pronto. Volto a passos rápidos e escuto uns risinhos vindo do cubículo que serviu de sala cirúrgica para minha Luz. — Como ainda não sei seu nome a chamarei assim.
Adentro no local e os dois estão juntos demais para meu gosto, nada contra, mas tem uma criança ali e isso é inadmissível.
— Atrapalho? — Dante fica de pé nervoso — Vocês podem ficar à vontade a hora que quiserem, porém, longe da minha Luz. Ela é uma criança. — os repreendo — Porra!
— Desculpa Major. — Dante se retrata — Isso não irá se repetir, prometo.
Essa é nova, não sabia que Dante gostava de homem. Enfim, se o próprio não quis dividir com sua equipe creio que isso não é da minha conta. Respiro fundo e me junto ao Enzo que permaneceu sentando.
— Enzo de agora em diante se assim você aceitar, manteremos contatos diariamente. — Dante me dá um olhar de reprovação — Calma porra! — tento explicar o mal-entendido — Estou voltando para casa, contudo infelizmente ela não poderá ir comigo ainda e você se mostrou uma pessoa confiável.
— Do que precisa? — não sei porque, mas vejo lealdade nessa pessoa — Diga Major e farei o que for para ajudar essa menina.
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