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Capa do romance Meu Marido Herói, Meu Monstro

Meu Marido Herói, Meu Monstro

Breno Wallace era o herói que abdicou da carreira para salvar Helena Forte. Contudo, a chegada da mística Celeste transformou o marido dedicado em um monstro cruel. Ele permitiu a morte do sogro e roubou um rim de Helena para servir à amante. Após ter o luto profanado, ela forjou a própria morte em um voo para escapar do pesadelo. Cinco anos depois, vivendo sob nova identidade, Helena é rastreada pelo bilionário, que agora vive consumido pelo remorso.
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Capítulo 3

Um som rasgou minha garganta.

Não foi um grito ou um soluço. Foi uma risada crua, quebrada, tingida de histeria e desespero absoluto. Lágrimas escorriam pelo meu rosto, mas eu estava rindo. Rindo do monstro em que meu marido havia se tornado. Rindo da minha própria estupidez por ter acreditado em seu amor.

"Você faria isso?", perguntei, minha voz um sussurro rouco. "Você realmente faria isso?"

Os olhos de Breno eram pedras frias. Ele não precisava responder. Eu vi em seu rosto. Ele faria, e não sentiria nada.

A luta se esvaiu de mim. A raiva, o ódio, a vontade de resistir — tudo se esgotou, deixando uma casca oca.

"Tudo bem", eu disse, minha voz entorpecida e distante. "Eu vou fazer. Vou lavar os pés dela."

Afastei-me dos seguranças, que me soltaram com olhares de pena. Caminhei, tropeçando como uma bêbada, em direção à cozinha. Eu não sentia nada. Era como se estivesse assistindo a um filme sobre alguma outra mulher pobre e patética.

Enchi uma bacia de porcelana com água morna, minhas mãos se movendo automaticamente. Levei-a de volta para a sala de estar. Celeste agora estava sentada em uma poltrona de veludo macio, parecendo em tudo uma rainha triunfante. Breno estava ao seu lado, a mão repousando protetoramente em seu ombro.

"Ajoelhe-se", ordenou Celeste, sua voz pingando satisfação.

Meu corpo tremia. Cada instinto gritava para eu jogar a bacia na cara dela, para correr, para lutar. Mas a imagem do túmulo do meu pai, de seu lugar de descanso final sendo destruído, me paralisou.

Fechei os olhos, respirei fundo e me ajoelhei no chão de mármore frio. A humilhação era um peso físico, esmagando o ar dos meus pulmões.

Minhas mãos tremiam enquanto eu alcançava seus pés. Eram macios e perfeitamente cuidados. Eu os mergulhei na água morna. Minhas lágrimas caíam silenciosamente na bacia, misturando-se com a água que eu usava para lavar os pés da minha algoz.

Assim que comecei a esfregar suavemente, Celeste chutou.

A bacia voou das minhas mãos, quebrando-se no chão. Água e cacos de porcelana se espalharam por toda parte. Uma onda de água morna encharcou a frente das minhas roupas.

"Inútil!", ela gritou, o rosto contorcido de raiva. "Você não consegue nem realizar uma tarefa simples! A água está muito quente! Você está tentando me queimar? Você fez isso de propósito!"

A água estava mal morna. Era apenas mais uma desculpa para me atormentar.

"Ela merece uma punição de verdade, Breno", disse Celeste, virando-se para ele com um beicinho. "Algo para fazê-la lembrar de seu lugar." Ela se inclinou e sussurrou algo em seu ouvido.

Breno assentiu lentamente, os olhos fixos em mim com uma assustadora falta de emoção.

"Celeste está certa", disse ele. "Sua desobediência está se tornando um problema. Você precisa de uma lição de disciplina." Ele se virou para os guardas. "Levem-na para fora. Ela ficará de joelhos no pátio até o amanhecer. E repetirá, em voz alta, 'Eu sou indigna. Estou aqui para servir.'"

Meu sangue gelou. Estávamos no meio do outono. As noites eram congelantes.

"Breno, por favor", sussurrei, as palavras presas na minha garganta. "Está frio. Eu..."

"Então talvez você pense duas vezes antes de perturbar Celeste novamente", disse ele, sua voz totalmente desprovida de calor.

O ódio que havia sido extinto reacendeu, um fogo desesperado e ardente. Olhei para ele, para o homem que um dia amei com todo o meu coração, e não vi nada para salvar. Sua alma se fora, devorada por essa mulher e sua própria fraqueza.

Meus olhos, tenho certeza, refletiam esse ódio. Eu o vi recuar, apenas por um segundo.

Ele endureceu sua expressão imediatamente. "Se você se recusar", disse ele, sua voz baixa e ameaçadora, "eu farei aquela ligação sobre o cemitério. Agora mesmo."

O fogo morreu novamente. A luz em meus olhos se apagou, deixando apenas um vazio morto e cinzento.

Não disse mais uma palavra. Deixei os guardas me levantarem e me arrastarem para fora. O pátio era pavimentado com pedras, já escorregadias com o orvalho da noite. Eles me forçaram a ajoelhar. O frio penetrou instantaneamente em minhas roupas finas, uma dor aguda e cortante.

O céu era uma tela escura e sem estrelas. Uma chuva fina e enevoada começou a cair, fria e implacável.

Fechei os olhos e comecei a cantarolar, minha voz um monotônico robótico.

"Eu sou indigna. Estou aqui para servir."

As palavras não tinham sentido. Eram apenas sons que eu era forçada a fazer enquanto meu espírito se retirava para um lugar profundo onde eles não podiam tocá-lo.

Ajoelhei-me a noite toda. A chuva encharcou minhas roupas, colando meu cabelo na pele. O frio se instalou profundamente em meus ossos, uma dor entorpecente e dolorosa. Meus joelhos estavam em carne viva e sangrando contra a pedra áspera. Minha voz ficou rouca, depois rachou, até ser apenas um sussurro arrastado.

"Eu sou indigna. Estou aqui para servir."

Repetidamente. As horas se misturaram. O mundo se resumiu à pedra fria, à chuva congelante e às palavras humilhantes. Meu corpo tremia incontrolavelmente. Meus dentes batiam. Uma febre começou a se instalar, fazendo minha cabeça ficar leve e meus pensamentos divagarem.

Pouco antes do amanhecer, o mundo ficou preto. Caí para a frente, meu rosto batendo na pedra fria e molhada, e não soube de mais nada.

Acordei com o barulho de uma porta de metal.

Por um momento, fiquei desorientada. Eu estava deitada em um chão de cimento frio em um espaço pequeno e escuro. O ar cheirava a umidade e poeira. Conforme meus olhos se ajustavam, vi barras.

Eu estava em uma jaula.

Era um canil grande, montado em um depósito no porão da mansão. Um cobertor fino havia sido jogado comigo. Meu corpo doía com um frio profundo e consumidor, e minha cabeça latejava de febre.

Uma empregada, uma jovem chamada Sarah que sempre fora gentil comigo, apareceu nas grades. Seu rosto estava pálido, seus olhos cheios de pena.

"Sra. Wallace", ela sussurrou, a voz trêmula. "A Srta. Norman disse... ela disse que você estava com febre e precisava ser colocada em quarentena para não infectá-la."

Em quarentena. Como um animal doente.

Sarah passou uma garrafa de água de plástico e duas pílulas brancas pelas grades. "Sinto muito", ela sussurrou, com lágrimas nos olhos, antes de se afastar apressadamente, com medo de ser vista.

Encolhi-me no chão frio, puxando o cobertor fino em volta do meu corpo trêmulo. Olhei para as pílulas e a água. Seria tão fácil simplesmente desistir. Deixar a febre me consumir. Simplesmente... parar.

Mas então pensei no meu pai. Pensei em sua dignidade, sua força silenciosa. Ele não gostaria que eu me rendesse.

Com a mão trêmula, peguei as pílulas. Engoli-as com a água fria, a ação um pequeno e desesperado ato de sobrevivência.

Então, abracei-me, fechei os olhos e deixei a escuridão me levar novamente, uma risada silenciosa e sem lágrimas ecoando nos vazios do meu coração partido.

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