
Meu lindo professor
Capítulo 2
Kate parou em frente aos portões da prestigiada faculdade de Stanford e suspirou. Agora era a hora de ser feliz e de certo modo ela sentia que tudo estava prestes a mudar na sua vida, até mesmo mais do que já havia mudado. Torcia para que essas transformações fossem boas e por isso sentia-se confiante.
A faculdade era composta por vários prédios, algumas torres com telhas em um formato de cone e pátios enormes, poderia até ser comparada a um castelo; seus prédios eram divididos em várias alas e ao canto haviam os dormitórios, tudo parecia muito antigo ao mesmo tempo que era novo, como um antigo moderno.
Antes de criar coragem para finalmente atravessar os portões da faculdade, Kate observou os jovens universitários caminhando a sua volta e aos poucos analisava as pessoas, havia sido uma dica da psicóloga da sua última escola para que se sentisse segura em um lugar.
Havia uma morena com óculos Gucci pretos passando ao seu lado, com um ar superior e parecia ser mais velha que Kate. Em outro canto, um cara com óculos de grau e muitos livros em mãos derrubou todos e ao se abaixar apressadamente para apanhá-los acabou deixando cair o resto deles, o que o fez bufar de raiva, ela tinha vontade de rir da cena, mas resolveu que apenas o ajudaria.
Deu dois passos na direção do garoto antes de esbarrar em alguém, com a força do impacto ela cambaleou um pouco e isso fez com que derrubou a bolsa e alguns livros que tinha nas mãos. Era a vez dela de bufar com raiva.
Levantou o olhar prestes a reclamar com quem esbarrou nela, mas ficou sem palavras ao ver um homem de terno, do tipo que parecia ter saído de um filme de romance, Kate o encarou por um tempo enquanto os olhos azuis penetrantes do tal homem a olhavam com a mesma intensidade.
Quando se deu conta de que já estava o encarando há muito tempo, decidiu se abaixar e coletar os livros, mas ele se agachou ao mesmo tempo e acabou que os dois bateram como cabeças, rindo em seguida.
Ela encarou novamente seus olhos e por um momento permitiu-se ficar perdida neles enquanto avaliava seu lindo rosto, que mais parecia ser esculpido por anjos.
Ao perceber os pensamentos insanos que tinha em sua mente, ruborizou e olhou para baixo pegando os livros apressadamente. Quando foi pegar o último livro as suas mãos se encontraram e como reflexo os dois as puxaram para trás, evitando o contato.
Kate pegou rapidamente o livro e ajeitou a bolsa no ombro antes de levantar, ele ficou em pé ao mesmo tempo e falou baixo:
-Desculpe-me por isso, eu estava olhando o jornal e acabei não vendo você no caminho. Eu te machuquei? -Perguntou, falando rápido, parecia estar com pressa.
-Tudo bem. -Kate sorriu brevemente para o homem, não estenderia uma conversa com um completo estranho.
-Mesmo? -Ele perguntou sem parecer convencido.
-Sim, não precisa se preocupar. Acho que os únicos que sofreram algum dano foram os meus livros. -Ela fez uma brincadeira e ele sorriu.
-Desculpe-me, de verdade. Preciso aprender a olhar por onde ando. -O homem parecia constrangido.
-Acontece. Se você não os derrubasse, com certeza eu os derrubaria logo, logo. -Ela sorriu abertamente.
Queria continuar ouvindo a voz daquele homem, por mais estranho que isso fosse. Ele também sorriu, seu sorriso era maravilhoso.
-Bem, já que está tudo em ordem, eu já vou. -Ele falou ainda constrangido.
-Ok.
-Até mais, senhorita. -Ele piscou.
-Até o próximo esbarrão. -Só depois de pronunciar a frase que ela viu como isso soou ridículo, mas havia conseguido arrancar outro sorriso dele.
Nunca mais o veria, estava certa disso. Esse era o carma da sua vida, coisas interessantes acontecem apenas por alguns minutos e depois nunca mais. Suspirou antes de voltar a andar em direção aos prédios principais, por sorte tinha um pequeno mapa que indicava onde ficava a ala de cada curso.
Depois da aula, Kate iria para o seu dormitório, segundo a reitora da universidade, ela iria dividir o quarto com mais uma garota, Tracy Fell, e o número do seu quarto era o 7c.
Ela havia pego as chaves no dia anterior, pois perdeu-se com os horários e acabou esquecendo-se das aulas inaugurais e como não queria incomodar um colega de quarto pela tarde do dia anterior, preferiu passar a noite em um hotel e deixou a mudança para o dia seguinte após a aula.
Esperava não estar encrencada por ter perdido a aula inaugural. Ela andou por poucos minutos até encontrar uma placa que indicava o local das salas.
MEDICINA.
MEDICINA AVANÇADA.
ANATOMIA.
BIOLOGIA.
Além dos nomes, haviam setas enormes apontando para várias direções, a de Medicina apontava para cima, ela subiu as escadas chegando ao segundo andar e pouco depois viu um corredor, seguiu por ele por alguns minutos até encontrar a sala cuja placa estava escrita Medicina, entrou no local onde quase não havia ninguém.
Poucas pessoas estavam sentadas nas carteiras e no quadro negro estava uma mulher já de idade, ao canto estava escrito Sra. Carther.
Kate toma o cuidado de sentar-se em uma das cadeiras que ficavam no meio da sala. Na sua concepção quem sentava nas cadeiras do meio queriam dizer: "Eu sou descolada e ainda sim estudo", assim como quem sentava nas da frente queria dizer: "Eu sou uma nerd" e como quem sentava nas do fundo queria dizer: "Eu não quero nada com nada". Ou talvez não, ela só estava pensando como era no colegial, só por terem chegado ali na faculdade e estarem onde já estava queria dizer que estavam dispostos a estudar. Ou no caso dos jogadores de futebol americano, chegou ali por serem bons atletas, mas isso não se via em Medicina, ou pouco se via.
A sala rapidamente ficou cheia, todos calados, uns olhando e rabiscando algumas coisas em seus cadernos, outros mexendo em seus celulares e alguns apenas parados olhando para professora, que se levantou e começou uma breve introdução sobre o que eles iriam estudar.
-Bem-vindos, eu me chamo Elisabeth Carther, mas vocês só podem me chamar de senhora Carther. Nós vamos começar a estudar a Semiologia ou Semiótica, o que vocês preferirem. Alguém sabe o que significa? -Ela perguntou e ao ver que ninguém responderia voltou a explicar. -Semiologia é a parte da Medicina que estuda os métodos de exames clínicos, pesquisa os sintomas, indica o mecanismo e o valor deles, apurando todos os elementos para construir o diagnóstico e deduzir o prognóstico. -Ela terminou de falar e alguns alunos pareciam meio confusos, Kate decidiu pegar o livro e marcar as partes em que ficava com dúvidas para estudar depois.
A professora parecia sabre decorado o livro por que as falas eram exatamente iguais. Dando prosseguimento à aula, a senhora Carther ainda explicou sobre as divisões da semiologia e suas diferenças. Ao final da dissertação a professora falou um pouco sobre os outros professores e sobre como as aulas seriam, algumas à tarde, algumas de manhã e outras à noite.
A aula continuou por alguns minutos, na saída da sala, Kate acabou conhecendo alguns de seus colegas de turma e marcou com uma das meninas de fazer um grupo de estudos caso estivessem com dúvidas.
Depois que deixou o recinto, decidiu ir até o estacionamento e pegar suas coisas, que ficaram no carro, desceu as escadas lentamente com o seu celular em uma das mãos e na outra os livros, por um momento ela se distraiu com o aparelho e acabou tropeçando no último degrau e se desequilibrando, quando estava prestes a desabar no chão, sentiu as mão de alguém na sua cintura, pena que a pessoa não conseguiu salvar os seus livros que acabaram caindo de novo, esses livros não durariam um semestre se continuasse naquele ritmo, ela ouviu aquela mesma voz rouca dizer:
-Cuidado, mocinha.
-Obrigada. -Respondeu Kate enquanto levantava o rosto para ver quem a segurou.
Era o cara de terno em quem havia esbarrado pouco antes de entrar na faculdade, ela o olhou e viu que ele ainda tinha as mãos em sua cintura, de repente o rubor crescer em seu rosto, como se percebesse o homem afastou as mãos da cintura dela, meio constrangido, olhou-a uma última vez antes de se abaixar para pegar os livros, quando terminou de pegá-los, entregou todos nas mãos de Kate e voltou a olhá-la.
-Acho que há um padrão se formando aqui. -Ela falou sorrindo timidamente. Sentia vontade de puxar assunto.
-Estou começando a desconfiar disso também.
-Você sempre esbarra nas calouras pelo campus? -Ela perguntou com um tom de ironia e viu um lindo sorriso se formar nos lábios do belo homem.
-Só quando elas são lindas. -Ele entrou no jogo dela e a fez ruborizar.
-Licença. -Um rapaz falou e só naquele momento os dois percebam que estavam impedindo a passagem na escada.
Eles se afastaram para o canto, ao lado da escada.
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