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Capa do romance Meu Irmão Adotivo

Meu Irmão Adotivo

Após anos nos Estados Unidos, Samantha decide fugir de conflitos familiares e um término difícil retornando ao Brasil. O reencontro com o pai traz uma surpresa: Rafael, o filho adotivo de sua madrasta. Três anos mais velho, o rapaz desperta nela sentimentos que ignoram os laços familiares. Agora, os dois enfrentam o desafio de lidar com essa atração proibida e o inevitável julgamento da família diante de um romance inesperado e complexo.
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Capítulo 2

Hana desligou o celular com um sorriso largo, sentindo o coração leve como há tempos não sentia. Desde criança, ela cresceu com o vazio de uma presença que sempre lhe faltava: seu pai. Agora, o simples fato de ouvir sua voz e sentir que ele estaria por perto outra vez parecia preencher esse buraco que ela carregava. Ela sabia sobre Rafael, o irmão que nunca conhecera, e isso a enchia de uma curiosidade ansiosa. Ramiro, seu pai, sempre arrumava uma desculpa para prolongar suas viagens de negócios e passar mais tempo com ela, e isso lhe aquecia o coração. Ele ficava em um hotel próximo, só para garantir que poderiam estar juntos sempre que possível. E agora, Hana estava pronta para dar o próximo passo.

Naquela noite, após enviar o e-mail pedindo a transferência da faculdade, Hana ajeitou seus pensamentos e foi dormir com um misto de ansiedade e alívio no peito.

No dia seguinte, o sol mal havia surgido no horizonte quando Hana se levantou. Fez suas higienes pessoais e escolheu uma roupa casual, mas confortável: uma calça jeans preta, uma blusa neutra e uma jaqueta jeans clara por cima. Nos pés, um sapato simples. Soltou os cabelos, deixando-os cair sobre os ombros, e aplicou uma maquiagem leve, o suficiente para se sentir bem consigo mesma. Com tudo pronto, desceu para tomar café com a mãe, Samara, que já estava à mesa.

- Bom dia, mãe - cumprimentou Hana, sentando-se.

- Bom dia, filha. Dormiu bem? - Samara perguntou, embora seu olhar denunciasse uma preocupação que ela tentava esconder.

- Sim, e você? - respondeu Hana, enquanto pegava uma xícara.

- Também... - Samara hesitou, como se escolhesse as próximas palavras com cautela. - E... o que seu pai disse sobre essa ideia maluca?

Hana respirou fundo. Sabia que essa conversa não seria fácil.

- Ele me apoiou. Disse que entende e que eu posso ir. Vou arrumar tudo agora pela manhã, e à tarde estou indo para o Brasil - disse, tentando manter a calma.

- Você só pode estar brincando comigo, Hana! - a mãe exclamou, o tom já carregado de frustração.

- Não estou brincando, mãe. Eu viajo hoje à tarde, e não tem nada que você possa fazer para me impedir - Hana respondeu, a voz ficando mais firme. Ela estava cansada das constantes tentativas da mãe de controlar suas decisões.

- E a faculdade? Vai jogar tudo fora? - Samara disparou, tentando encontrar um argumento que fizesse a filha mudar de ideia e ficar com ela .

- Já cuidei disso. Pedi transferência e vou continuar meus estudos em São Paulo - explicou Hana, levantando-se da mesa, disposta a encerrar aquela discussão.

- Eu não acredito que você está fazendo isso... - a mãe murmurou, mas Hana já estava se afastando.

- Se me der licença, tenho mais coisas para resolver.

- Hana, espera! - a voz de Samara ecoou pela sala, mas Hana já estava indo em direção à porta.

- Desculpa, mãe, mas estou com pressa - disse Hana, sem olhar para trás.

Ela chamou um táxi e, durante o trajeto até a faculdade, parou em uma padaria para comprar um café. Enquanto bebia seu café quente, tentou organizar seus pensamentos. Encontrou algumas amigas na entrada da faculdade e sorriu ao vê-las.

- Oi, meninas! - cumprimentou, forçando uma leveza que não sentia totalmente.

- Hana! - As amigas a envolveram em abraços apertados, e ela retribuiu com carinho.

- Como vocês estão? - Hana perguntou, tentando disfarçar a turbulência em seu interior.

- Estamos bem! E você? - uma delas perguntou.

- Ah... mais ou menos. As brigas com minha mãe por causa do Maicon continuam. Então, decidi dar um tempo... - disse, com um suspiro.

- Tempo? Como assim? - outra perguntou, curiosa.

- Vou morar com meu pai por um tempo. Faz tempo que estou pensando nisso, e finalmente tomei a decisão. Vou hoje à tarde.

- O quê? Você vai nos abandonar? - perguntou uma delas, com uma expressão triste.

- Claro que não! Nossa amizade vai continuar. A gente se fala por chamada de vídeo, e vocês podem me visitar sempre que quiserem - Hana disse, tentando amenizar o impacto.

Abraçou cada uma das amigas, prometendo que nada mudaria. Mas, no fundo, sentia um aperto no coração, temendo que as coisas nunca mais fossem as mesmas.

- Tomara que nossa amizade não mude... - uma delas disse, com os olhos marejados.

- Nunca vai mudar - Hana sorriu, mesmo com o nó na garganta.

Nesse momento, uma das amigas olhou por cima do ombro de Hana e fez uma careta.

- Hana... o Maicon acabou de te ver.

O estômago de Hana afundou. Ela revirou os olhos.

- Não quero falar com ele - disse, com firmeza.

Maicon se aproximava, como sempre fazia, insistente. Hana sabia o que ele queria, mas ela estava decidida.

Após se despedir das amigas, foi até a diretoria para pegar sua transferência. No caminho de volta, distraída com o celular, esbarrou em alguém. Ao levantar o olhar, viu Maicon e seus amigos. O ar pareceu ficar mais pesado.

- Desculpa... - começou a dizer, mas parou ao perceber que era ele.

Maicon, sem perder tempo, a puxou pela cintura.

- O que você está fazendo? - perguntou Hana, afastando-se com um empurrão.

- A gente precisa conversar, Hana - insistiu ele, a voz cheia de urgência.

- Eu não tenho nada pra falar com você, Maicon - respondeu ela, irritada.

- Por favor, me dá mais uma chance. Eu não aguento ficar longe de você, eu te amo! - ele implorou tentando se aproximar mais ela se afasta dizendo :

- Isso não é amor, Maicon. O que você sentia por mim... não era amor - Hana disse, com uma calma inesperada.

- Eu mudei, Hana, por favor! - ele insistiu.

- Eu cansei, Maicon. Cansei de viver aquilo, de me sentir sufocada. Aproveita sua vida de solteiro.

- Você está sendo egoísta, Hana. Tem tantas garotas que dariam tudo para estar no seu lugar! - ele respondeu, a voz cheia de ressentimento.

- Não é egoísmo querer o melhor para mim. E o melhor para mim não é você. Agora, com licença, eu preciso ir - concluiu ela, se afastando com passos firmes, sem olhar para trás, enquanto ele a observava com uma mistura de tristeza e raiva nos olhos.

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