
Meu Filho, Minha Prioridade: A Batalha de Helena
Capítulo 3
Cheguei a casa e encontrei a minha sogra, a Dona Teresa, na sala de estar, a ver a sua telenovela.
Ela mal olhou para mim quando entrei.
"Onde está o Diogo? Ele disse que vinha almoçar."
"Ele teve de ir ajudar a Clara. A mãe dela sentiu-se mal."
A Teresa bufou, os seus olhos ainda fixos na televisão.
"Essa mulher. Sempre a arranjar problemas para o meu filho. E tu deixas. Uma esposa a sério não permitiria tal coisa."
Ignorei o comentário. Já estava habituada. Para a Teresa, eu nunca era boa o suficiente.
Fui para o quarto do Pedro. Ele estava a dormir pacificamente no seu berço. A sua respiração era suave e regular. Vê-lo assim, seguro e saudável, reforçou a minha decisão.
Peguei numa mala de viagem do fundo do armário. Comecei a arrumar as minhas roupas e as do Pedro, de forma metódica e silenciosa.
A minha sogra apareceu à porta.
"O que estás a fazer?"
"Vou passar uns dias a casa da minha mãe."
Ela cruzou os braços, os seus olhos a percorrerem a mala meio cheia.
"A fugir dos teus problemas? Que patético. O Diogo tem um bom coração, ajuda toda a gente. Devias ter orgulho em vez de fazeres birra como uma criança."
"Ele não ajuda toda a gente, mãe. Ele ajuda a Clara."
"E qual é o problema? Eles são amigos. És tão insegura, Helena. É por isso que o Diogo se afasta."
Fechei a mala com um clique alto. O som pareceu ecoar no silêncio tenso.
"Talvez. Mas agora, preciso de me afastar eu."
Peguei no Pedro, que começou a resmungar com o movimento. Embalei-o suavemente até ele se acalmar.
Quando passei pela Teresa na porta, ela agarrou-me no braço. A sua força surpreendeu-me.
"Não te atrevas a levar o meu neto. Se queres ir, vai sozinha. O Pedro fica. Ele é um Álvares."
"Ele também é meu filho."
Puxei o meu braço para me libertar. O seu rosto estava vermelho de raiva.
"Vais arrepender-te disto, Helena. Vais voltar a rastejar. O Diogo é um bom homem. Não vais encontrar outro como ele."
Não respondi. Apenas saí do quarto, desci as escadas e saí pela porta da frente, sem olhar para trás.
O ar fresco da rua encheu os meus pulmões. Senti-me mais leve.
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