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Capa do romance Meu Filho, Minha Força

Meu Filho, Minha Força

Após dez anos amando Pedro, Sofia descobre que ele e sua meia-irmã, Juliana, planejam roubar sua fortuna e seu filho. Grávida e traída, ela escapa de uma clínica clandestina com a ajuda de Dona Rosa, uma parteira piedosa. Ao forjar a própria morte, Sofia deixa para trás a ingenuidade. Anos depois, ela ressurge como uma empresária poderosa. Agora, seu único objetivo é proteger o pequeno Rafael e buscar vingança contra aqueles que tentaram destruir sua vida.
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Capítulo 2

Eu amei Pedro por dez anos, uma década inteira da minha vida dedicada a um homem que eu acreditava ser o meu destino, o meu futuro marido.

Ele era um jogador de futebol famoso, o tipo de homem que todas as mulheres desejavam, mas ele, ele me escolheu.

Ou assim eu pensava.

A promessa de casamento ainda ecoava na minha cabeça, doce e calorosa, mas a realidade era um balde de água gelada que me atingiu com a força de um furacão.

Eu estava do lado de fora do quarto, com a mão na maçaneta, pronta para entrar e contar a ele a notícia mais feliz das nossas vidas, que eu estava grávida.

Mas a voz que ouvi do outro lado da porta me paralisou.

Não era a voz dele. Era a voz da minha meia-irmã, Juliana.

"Pedro, meu amor, você tem certeza de que isso vai funcionar? E se a Sofia descobrir tudo?"

A voz de Pedro soou preguiçosa, cheia de um desdém que eu nunca tinha ouvido antes.

"Relaxa, meu bem. Sofia é uma idiota. Ela me ama tanto que faria qualquer coisa por mim, ela acredita naquela história ridícula de amnésia, não acredita?"

Um riso baixo e cruel preencheu o silêncio.

"Ela vai continuar pensando que eu perdi a memória e que ela é a única pessoa em quem posso confiar. Enquanto isso, ela vai trabalhar como uma mula naquela boate para pagar as minhas dívidas de jogo."

O ar sumiu dos meus pulmões.

Amnésia.

A dívida de jogo.

A boate.

Cada palavra era uma peça de um quebra-cabeça medonho que se montava na minha mente.

Juliana riu de novo, um som agudo e venenoso.

"E o bebê? O que vamos fazer com o bastardo que ela está esperando?"

O coração parou no meu peito. Como ela sabia? Eu tinha acabado de descobrir.

"Aquele bastardo não vai nascer" , disse Pedro, com uma frieza que me fez tremer. "Vamos forçá-la a abortar. Depois, vamos pegar o dinheiro dela e criar o nosso filho, o verdadeiro herdeiro."

Nosso filho.

O filho deles.

Juliana soltou um suspiro satisfeito.

"Ah, Pedro, você é tão mau. Eu adoro isso. Finalmente, aquela sonsa vai ter o que merece. Desde que a mãe dela roubou o meu pai da minha mãe, eu jurei que ia destruir a vida da Sofia. Ela vai pagar por tudo."

A voz dela era puro veneno, uma destilação de anos de um ódio que eu nunca soube que existia.

"Ela vai pagar, e nós vamos ficar ricos. O dinheiro que ela ganhar na boate vai ser todo nosso, para sustentar nosso filho e nossa vida de luxo."

Senti o chão desaparecer sob os meus pés.

Dez anos de amor, de dedicação, de sonhos.

Tudo era uma mentira.

Uma farsa cruel, um plano arquitetado por ele e pela minha própria irmã.

A mão que segurava o resultado positivo do teste de gravidez tremia tanto que o papel caiu no chão.

Lágrimas geladas começaram a escorrer pelo meu rosto, mas não havia som. Era um grito silencioso, uma dor tão profunda que rasgava a minha alma em pedaços.

Eu não era o amor da vida dele.

Eu era um peão. Uma ferramenta. Um cofre ambulante para financiar a vida dele com a minha irmã e o filho deles.

O amor que eu senti por uma década se transformou em cinzas, e no lugar dele, uma semente de ódio começou a brotar.

Eu tinha sido enganada, usada e descartada.

Eu tinha dado a ele todo o meu dinheiro, acreditando que o estava ajudando a se recuperar, a reconstruir sua vida depois do "acidente" que lhe causou a "amnésia".

Cada centavo que eu dei, cada sacrifício que eu fiz, foi para sustentar a mentira deles.

A consequência das minhas ações, da minha fé cega, estava ali, nua e crua.

Eu estava grávida, sem dinheiro e presa em uma teia de traição que ameaçava me consumir por inteiro.

A porta se abriu de repente.

Pedro e Juliana me viram ali, parada, com o rosto banhado em lágrimas e o papel do teste de gravidez aos meus pés.

O sorriso deles desapareceu, mas não havia pânico em seus olhos.

Apenas a fria e calculista constatação de que o jogo havia mudado.

Eles não precisavam mais fingir.

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