
Meu filho é seu!
Capítulo 3
Assim que Olivia chegou a casa ela desmoronou no sofá, afundando a cabeça entre as mãos, o que ela tinha feito? Tinha mesmo encarado um homem tão poderoso quanto Otavio Prestames frente a frente? Ela só podia ter surtado, ele a esmagaria, neste instante Freya correu até ela com um lindo desenho colorido nas mãos.
- Mamãe! Mamãe, você chagou! Olha o desenho que eu fiz!
Olivia levantou o rosto das mãos e pegou o desenho cuidadosamente, era lindo, Freya tinha muito talento.
- Você estava chorando mamãe?
Olivia suspirou, podia mentir, mas Freya não era tola, ela não acreditaria.
- Estava, mas não importa, já passou, sempre que vejo você minhas dores desaparecem.
Disse pegando a menina no colo e lhe dando um beijo carinhoso na face, ficou ali por algum tempo embalando ela em seus braços e cheirando o doce perfume que vinha dos seus cachos dourados, ela tinha um cheiro tão bom que era capaz de acalmar qualquer agonia que pudesse estar sentindo naquele instante, por sua filha ela seria capaz de tudo até mesmo de derrubar o poderoso bilionário Otavio Prestames.
Freya tinha nascido em inicio de Outubro, na época Olivia já não estava mais com Otavio, na realidade hoje ela percebia que eles nunca estiveram realmente juntos, o que para ela era um relacionamento para ele nunca passou de uma diversão, quando Olivia descobriu a gravidez ela chegou a acreditar que ele mudaria, que ficaria animado com a ideia de ser pai, que pararia de se envolver em confusões e em meio aos seus delírios românticos, chegou a acreditar em casamento, porém nada disso aconteceu, Otavio nunca respondeu suas ligações insistentes, ou suas inúmeras mensagens, nunca visualizou as fotos enviadas por ela, dos exames, do pré natal ou dos primeiros meses de vida de Freya, com o passar do tempo ela começou a se conformar com o fato de que ele não se importava e então passou também a não se importar, ela era autossuficiente e sua filha não precisava de um pai que não queria saber da existência dela, foi quando ela começou a seguir com a própria vida, até se envolveu romanticamente com outros homens e tudo foi seguindo seu curso normal.
Quando Olivia, porém completou dois anos de idade algo estranho começou a acontecer, manchas roxas começaram a marcar o corpo da menina , que vivia cansada, não queria brincar e apenas dormia, de inicio os pediatras acreditaram ser apenas uma anemia, coisa muito comum em crianças, mas com o passar dos meses e o aumento dos sintomas logo perceberam que não era algo tão simples, Freya tinha nascido com a doença de gaucher.
A doença de gaucher é uma doença genética e hereditária, causada pela deficiência na produção da enzima glicocerebrosidase, essa enzima é responsável pela digestão da glicocerebrosideo, um tipo de gordura facilmente encontrado nos alimentos, com o passar do tempo essa gordura que não é diluída passa a acumular e causar inúmeros problemas de saúde.
Acreditasse que apenas uma a cada 100 mil pessoas possua essa doença o que a torna muito rara, essa doença que afeta não apenas o sistema digestivo como também o baço e o fígado pode ser a precursora de outras doenças como o câncer, quando Olívia descobriu seu mundo perdeu as cores, ela desmoronou totalmente, faria tudo que estivesse ao seu alcance para ser sua pequena bem e curada, porém logo foi bombardeada com a notícia de essa ser uma doença crônica, ainda sem cura.
De inicio Freya foi submetida a um tratamento quinzenal para a reposição das enzimas necessárias para o funcionamento correto da digestão, mas com o passar do tempo aquilo já passou a não dar mais tanta resposta como no inicio, agora com ela chegando aos quatro anos de idade, a situação só tinha se agravado cada vez mais.
Suzan, médica de Freya e amiga de Olívia a chamou para um almoço certo dia, enquanto a pequena brincava no jardim com os filhos da amiga, Olívia questionou o que poderia fazer para tentar curar Freya.
- Sabe que não há cura não é?
- Mas deve existir alguma coisa, algo que possa ser feito, além das injeções...
- Bom, na verdade há, mas está em fase de testes ainda, existe um tratamento experimental com o uso de células tronco hematopoiéticas, porém não é nada comprovado.
- Certo, ainda que não seja certo, eu preciso tentar, como faço?
Suzan segurou a mão dela sobre a mesa.
- Olivia querida, tem falado com o pai de Freya?
- Quem? Otavio? Não! Deus me livre, eu o quero morto, ele nunca se importou com ela, nunca quis saber dela, nós não precisamos dele.
- Na verdade precisam sim.
- Como é?
- Um tratamento eficaz seria usar as células tronco de um bebê recém-nascido com material genético igual ou similar ao de Freya, se você fosse casada eu diria, tenha um segundo filho com o pai dela, mas nesse caso, acho que não seria um bom conselho.
Naquela noite, ao chegar a casa, ela colocou Freya para dormir e se acabou de tanto chorar sobre a cama, não queria que sua filha a visse assim, mas como faria para reencontrá-lo se ele tinha feito questão de sumir do mundo dela? Como encontrar alguém que não a queria, que não amava e como ter um segundo filho se ele nem ao menos tinha aceitado a primeira? Seu mundo desmoronou, ela encontraria outra forma, teria que haver outra forma.
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