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Capa do romance Meu Eros - Série amores em Grego, livro 1

Meu Eros - Série amores em Grego, livro 1

Psiquê, uma jornalista novata em Nova York, busca o furo de reportagem que mudará sua trajetória. O destino a coloca diante de Eros, o maior ídolo musical do planeta, cuja identidade é protegida por uma máscara. Embora uma paixão intensa surja entre eles, a única regra é jamais revelar o rosto do cantor. Agora, Psiquê enfrenta um dilema torturante: trair a confiança do amado para conquistar a fama profissional ou proteger o segredo do homem que roubou seu coração.
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Capítulo 2

— Como assim você conseguiu sua chance? — Eldora perguntou, com sua voz esganiçada e escandalosa, do outro lado da linha. — Não acredito que vão te mandar pra ele!

Psiquê estava em sua casa, a noite já havia chegado e a única companhia que a loira tinha era uma taça de vinho cheia até a metade e seu celular, que estava em sua mão direita. Enquanto bebia, conversava com suas únicas três amigas.

As janelas estavam abertas e a brisa noturna tomava todo o apartamento, tornando o calor que fazia no Brooklin naquela noite quase inexistente.

Pela tela, que se dividia em três espaços distintos, era possível para ela enxergar uma jovem de cabelos ruivos e o rosto cheio de sardas, Eldora, uma outra de cabelos legros que estavam presos num rabo de cavalo mal feito, Janine, e uma última com o cabelo colorido que tinha a aparência mais jovial entre as três, Suzane.

As quatro mulheres haviam se conhecido na faculdade, logo que entraram na New York University. A relação que tinham era complexa, fingiam umas para as outras que eram melhores amigas, mas, bem no fundo, torciam intimamente para serem, do quarteto, as melhores.

Todas desejavam o sucesso profissional, mas não uma das outras, queriam ser as melhores e as invejáveis, mas isso não mudava a influência que tinham umas sobre as outras. Eram as melhores ouvintes e confidentes, apesar da inveja velada que mantinha o grupo de pé.

— Pois é! — a loira confirmou, após mais um gole de vinho. — Ela simplesmente olhou para minha cara e falou “Você tem compromisso no sábado?” — Psiquê imitou a voz grossa de Clio, fingindo uma expressão convencida. — Eu quase surtei!

A gargalhada das quatro encheram a sala e, por um momento, até se esqueceram da competitividade que a oportunidade de Psiquê instigou.

Então, com um brilho no olhar e uma mecha azul enrolada no dedo anelar, Suzane falou:

- Poderíamos ir todas juntas!

A fala pegou as outras três de surpresa que se calaram diante da ideia por apenas um momento, antes de confirmar com muita animação.

Um sábado das meninas em um show de um artista pop?

O que poderia dar errado?

Psiquê não sabia se sentia confortável com a possibilidade das outras três estarem presentes no seu grande dia, mas ela sabia que não era como se qualquer uma tivesse chance de roubar seu furo, o momento era dela e ninguém iria tirá-lo.

Não havia risco algum de sua glória ser ocultada.

— Eu acho que a ideia é ótima! Seria uma noite só das garotas! — confirmou a loira, dando mais um longo gole em seu vinho.

— Olha, me disseram que ele só aceita as mais bonitas — Janine falou com um ar malicioso. — Já sabe o que vai vestir, Psi?

— Ainda não — ela balançou a cabeça, fazendo os fios loiros saírem do lugar. — Mas acho que a Clio vai cuidar disso, ela me mandou ir no escritório dela amanhã cedo, então acho que já deve ter um plano.

— Claro que ela tem, todos os tabloides do estado querem uma notícia dele, a Clio quer sair na frente, ela já deve ter arquitetado tudo —Eldora falava de forma um tanto quanto debochada, mas sabia que a revista CLio e sua líder eram os melhores.

— Tá com inveja é? — Psiquê alfinetou, rindo levemente e vendo a outra revirar os olhos. — Seu momento também vai chegar amiga!

— Vai a merda! — Eldora retrucou, mostrando o dedo do meio. — Eu tenho que ir, diferente da loirinha ai, eu não tenho média com minha chefe!

— Também preciso ir, amanhã o dia começa cedo! Boa noite meninas — falou Psiquê, finalizando o vinho e ouvindo a resposta em coro de suas amigas antes de desligar.

Quando o silêncio voltou a reinar em sua casa novamente, ela encarou a pequena sala do apartamento e suspirou, vendo Perseu, seu gato de estimação, se esticar e bocejar. Ela o chamava carinhosamente de Percy, havia telado todas janelas e a varanda que dava acesso à rua para mantê-lo em casa, porém, vez ou outra ele ainda escapava.

— Boa noite, Percy — murmurou ela, caminhando em direção ao seu quarto e se jogando em sua cama, precisava dormir.

O quarto era pequeno, mas muito bem decorado. As paredes eram brancas e, na parede onde a cabeceira da cama ficava recostada, havia um papel florido e vivido.

Psiquê se deitou na cama, ligando o ar-condicionado e puxando o edredom sobre si, enquanto sonhava acordada com sua ascenção no mundo jornalístico.

Ao passo que o sono chegava para ela lentamente, em Manhattan, a noite começava a ferver. O Madson Square Garden estava lotado, as pessoas se amontoavam, gritavam e pulavam ansiosas para que a atração principal da noite entrasse. Muitos esperaram muito tempo por aquele dia, enfrentaram enormes filas e economizaram muito dinheiro para garantir seu ingresso.

Dentro do camarim, a silhueta do astro da noite refletia no espelho. Sua pele negra brilhava diante da luz do local, o peitoral estava nu, era definido e com músculos perfeitamente delineados, o que contribuia com seu ar sensual e desejável, braços fortes e musculosos, ombros e costas lar. Não se podia ver seu rosto, mas em nada isso ocultava a clara beleza dele, era alto, tinha músculos definidos, cabelos escuros de um tom castanho, baixos e pouco visíveis, e olhos que se assemelhavam ao âmbar.

— Eros, tá na hora — a voz masculina ressoou pelo camarim, chamando atenção do homem que estava em frente ao espelho. — Tem gente pra caralho lá fora.

Eros riu, balançando a cabeça, mal acreditava que aquilo realmente estava acontecendo, não imaginou que chegaria tão longe. Colocou alguns colares no pescoço, acessórios de alguns patrocinadores, e seguiu em direção a saída.

De longe, enquanto caminhava em direção ao palco, ouvia seu nome através de milhares de vozes, que clamavam por ele, que estavam ansiosas para vê-lo, e Eros amava aquilo.

Parou em frente a pequena escada e respirou profundamente, fechando os olhos por um momento e sentindo duas batidinhas em seu ombro, provavelmente Tesse, seu melhor amigo. Então, quando os abriu novamente, o microfone foi posto em sua mão e as luzes baixaram, os gritos se tornaram mais fortes e, depois, cessaram.

Então Eros entrou no palco e fez o que sabia fazer, cantou, seduziu, se permitiu ser livre.

A música parecia sincronizada com seu corpo, com sua voz. Seu timbre era rouco e melódico, sensual de forma que a maior parte da plateia se derretia diante do seu charme natural. Não viam seu rosto, mas ele sabia que seu corpo e sua voz eram o bastante, era disso que gostava.

Enquanto cantavam com ele e imploravam por sua atenção, mesmo que por um segundo, Eros fazia seu Show como se fosse o primeiro e o último. Seu corpo se movia, suas mãos desciam por seu peito e, em algum momento daquela noite louca, ele até puxou uma ou duas fãs para o palco.

Sua performance era perfeita e todos sabiam, por isso investiram tanto nele.

Mas, às vezes, ele surpreendia a todos.

Aquela foi uma dessas vezes.

Enquanto a guitarra fazia seu solo, a plateia foi ao delírio quando, enquanto seu corpo se movia bem colado ao de uma fã, seus lábios se uniram num beijo intenso, sensual e completamente quente. Os lábios dela eram macios, apesar de finos, e tinham um delicioso gosto de menta.

Eros segurou com força a nuca delicada dela, sentindo a pele suave e úmida pelo suor, a puxando contra si mesmo e colando seus corpos enquanto a plateia gritava e pulava ao som do solo de guitarra e ao ver a cena alucinante no palco.

A garota mal conseguia respirar sequer acreditava que aquilo estava acontecendo. O beijo foi, sem dúvida alguma, o melhor que ela recebeu em toda sua vida, era quente e sensual, fazia seu corpo arder em desejo e, quando ele se afastou, ela estava tonta.

Então, no timing perfeito, Eros voltou a cantar, como se aquele fosse somente um detalhe trivial em sua apresentação, como se não fosse nada demais. E de fato não era, mais uma boca beijada, um bom beijo, mas nada além disso.

Então o show continuou e ele se entrou cada vez mais, até que, quando a última música se encerrou e ele saiu do palco em meio a uma nuvem de fumaça, deixando o público pedindo por mais, o sol estava quase nascendo e, com ele, a necessidade que ele tinha de voltar para sua segunda vida.

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