
Meu Doutor - Envolvida no Amor Proibido
Capítulo 3
Mônica Fontenelle
Finalmente, pisando em terras europeias novamente. Como estava com saudades de casa, e claro, da minha mãe também. Já havia pensado em me transferir para Londres quando, alguns meses atrás, entrei em contato com a Clara, minha amiga de infância que ajudava minha mãe enquanto eu permanecia fora. Ela me disse que dona Alice estava com alguns problemas de saúde. Apesar de ainda ser jovem, com seus quarenta e oito anos, ela sempre trabalhou muito e mal cuidava de si mesma. Por isso, decidi que era a hora certa para voltar.
Fiz todos os procedimentos de transferência da faculdade, o que acabou levando um tempinho, porque eu tinha que entregar algumas matérias. Também comprei minha passagem de volta, mas ainda não contei para minha mãe. Ela não sabe, porque, se eu tivesse contado, ela nunca teria me deixado fazer isso. Ela conhece todo o esforço que tive para entrar em Harvard e manter meu lugar lá. Então, quero que seja uma surpresa para ela. Confesso que estou bastante ansiosa para revê-la.
Cheguei ao aeroporto já tem alguns minutos. Clara disse que iria se atrasar, pois não está conseguindo vaga próximo à entrada. Marcamos um ponto de encontro, e estou aqui parada, quando ouço uma doida gritar:
- Môooooniiiiiiii...
Olho para o lado e vejo minha amiga correndo como uma seriema, na minha direção, com os braços levantados e os cabelos cacheados e vermelhos esvoaçando. Ela corria de forma desajeitada, mas era minha melhor amiga, e eu a amava exatamente assim. Começo a caminhar com passos largos e apressados para encontrar-me com ela. Quando nos encontramos, finalmente, abraçamo-nos. Minha mana, como eu sempre a chamei, era alguns centímetros mais alta que eu; ela era linda, uma ruiva cheia de sardas espalhadas pelo rosto, um corpo lindo, de dar inveja a muitas mulheres, e um humor maravilhoso, sempre sorrindo e fazendo as pessoas ao seu redor sorrirem também.
- Amiga, que saudade eu estava - falo, apertando-a em meus braços.
- Eu também, amiga. Desde que foi embora, não veio nos visitar mais, e isso já tem quase sete anos.
- Estava focada nos estudos. Faculdade de medicina não é fácil.
- Uma nerd me dizendo isso, fazendo-me me sentir uma burra agora, amiga. Você sempre foi a melhor da sala, estava sempre acima de tudo e todos, enquanto eu repeti dois anos. - Ela faz uma cara feia de desgosto, e eu sorrio para ela.
- Não diga isso, mana! Você só precisa encontrar o seu lugar.
- Ahh... isso eu já sei. Meu lugar é ao lado do meu chefe, lindo e gostoso. - Ela reúne ambas as mãos e as coloca em seu coração e, suspirando, faz uma cara de apaixonada.
- Nunca se envolva com o chefe, não dá certo.
- Diz isso, porque ainda não conhece o doutor Jullian maravilha.
- Jullian o quê?! - Olho para ela com uma cara engraçada, e ela ri.
- Ele é maravilhoso em tudo o que faz, por isso o apelido.
- E tenho certeza de que ele nem faz ideia disso, né?
- Claro que não, amiga! Apesar dele ser maravilhoso, é um ótimo profissional e gosta de tudo muito certo.
- Isso é o mínimo, né!? Mas me diz, como está dona Alice? Guardou segredo que eu estava chegando?
- Claro, Môni! Você me pediu para não contar. E ela está bem, só precisando de férias. Ela trabalha demais.
- Ela se sente essencial dessa maneira. Já havia falado com ela para parar um pouco. Com os meus estágios, estou conseguindo mantê-la bem.
- Eu também já conversei com ela, mas dona Alice gosta de ser independente. Ela te criou sozinha. A casa onde vocês moram, conquistou sozinha também, então eu a entendo.
Neste momento, já estamos organizando as malas no bagageiro. Retorno para guardar o carrinho que peguei para carregá-las e volto, entrando no carro para irmos embora. Seguimos direto para casa, ouvindo Guns N' Roses, um estilo de música que sempre amamos ouvir juntas. Estamos próximas de casa, Clara abaixa o volume do som e estaciona na porta. Um misto de emoções me invade; não tinha ideia do quanto senti falta daqui. Estou parada, apenas observando, e tudo está como antes: nossa casa, que era linda, com um jardim imenso na frente, todo colorido, onde minha mãe cultivava seus lírios, dálias e rosa-silvestres.
Retornei na primavera, a época que eu mais amava. As lembranças invadem a minha mente, e regresso para antes da faculdade, quando, apesar de frio, eu me sentava em nosso balanço, que ficava no meio do jardim, e observava os pássaros que ficavam ali. Às vezes, bebendo água de uma pequena fonte que tinha no meio do gramado, ou em algum galho de uma árvore, ou até mesmo passeando entre as lindas e coloridas flores.
A nostalgia me bateu, e percebi que ali era o meu lugar, onde cresci, com a presença da minha mãe e dos nossos vizinhos. Estou paralisada ainda no portão, quando vejo a porta sendo aberta e minha mãe saindo dela. Está com sua bolsa a tiracolo, provavelmente indo comprar algo para o café da tarde, que era o costume de todos os dias.
Abro o portão devagar e entro. Minha mãe para no alto da pequena escada e procura algo dentro da pequena peça que está em sua mão. Então eu a chamo:
- Mamãe!! - Ela paralisa seus precisos movimentos e olha para cima, não acreditando no que está vendo.
- Ah, meu Deus, filha, é você mesmo?
- Sim, mamãe, sou eu.
Corro para o lado dela, querendo sentir seu carinho, seu cheiro, tocá-la e ver como realmente estava. Quando eu a abracei, senti todo aquele calor gostoso que só um abraço de mãe transmite. Como estava sentindo falta disso! Me afastei dela e a olhei da cabeça aos pés. Mamãe era assim como eu: baixa, cabelos castanhos, olhos castanhos quase pretos, uma pele branca e magra. Entretanto, ela estava muito magra.
- Ah, mamãe, quanta saudade eu estava de você. Me perdoe por não poder vir antes. Estava estudando para poder te dar o melhor - digo com lágrimas nos olhos, acariciando o rosto magro de dona Alice. Ela retribui o carinho com um olhar fraterno e cheio de amor.
- Eu sei, minha filha. Você é uma ótima menina e fez tudo o que podia de longe. Mas estou bem, e agradecida por ter uma companheira maravilhosa. Eu também estava com muita saudade. Mas... você veio para me visitar, e seu curso, que está quase terminando, não irá atrapalhar ter saído assim? - Ela pergunta com um semblante de reprovação.
- Calma, mamãe, eu me transferi para cá. Agora permanecerei mais pertinho da senhora. Eu vim para ficar - dou um enorme sorriso para ela, porém, o que escuto em seguida não era o que eu esperava.
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