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Capa do romance Meu CEO

Meu CEO

Após um encontro casual na rua, a vida de Ian vira um caos. Conhecido por sua arrogância, o novo CEO recupera seu celular perdido e passa a trocar mensagens com uma mulher misteriosa e direta. O grande conflito surge quando a identidade da desconhecida é revelada: ela trabalha em sua própria empresa. Agora, o chefe impopular precisa lidar com essa conexão inesperada que desafia sua autoridade e transforma sua rotina de forma irreversível.
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Capítulo 2

— Quem é Ian Novack? — questionei.

— Lembra do homem por quem você me perguntou ontem e

eu também não sabia quem era? — Afirmo com um aceno de

cabeça. — É ele, o novo chefe. Dizem que é muito arrogante.

Ian é muito famoso por essa atitude, no entanto não parecia

ser um brutamonte quando falei com a piranha no telefone.

— Entendi. Então, você pode entregá-lo?

— Pedirei para que Mila entregue. Ela é secretária dele.

— Coitada! — Rimos.

Sigo para o meu posto.

Não quero ver o homem pessoalmente. Provavelmente, ele

vai querer me matar quando souber o que fiz.

Ian

Meu dia foi cheio para a merda e minha cabeça está doendo.

Tive duas reuniões demoradas e ainda tenho papéis para ler e

assinar.

Olho para o relógio e constato que são sete e meia. Está na

hora de eu ir embora e nem está perto de terminar o que tenho para

fazer. Sendo assim, acabo optando por deixar o restante dos

afazeres para amanhã.

Esse trabalho está me matando e ainda tem a preocupação

com meu pai, que está em coma há dois meses. Os médicos não

têm uma previsão de quando — e se — ele acordará. Não quero

perdê-lo. É um bom pai e sempre esteve ao meu lado, mesmo

quando eu cometia algum erro. Agora, a minha obrigação é cuidar

dos negócios da família. Algo que está me estressando muito. Vivo

com dor de cabeça e com as preocupações invadindo minha mente,

fazendo-me perder a razão.

Notei que aqui, na empresa, todos estão correndo de mim.

Também... Estou sempre dando ordens e de mau humor. Com toda a

certeza, eles me odeiam. E, olha que só estou aqui há uma semana.

Ontem mesmo esbarrei em alguém e nem parei para ajudar a

pessoa. Estava tão cheio e atrasado para uma reunião, que isso não

tinha passado pela minha cabeça. Até agora.

Escuto batidas leves na porta e vejo minha secretária entrar.

Ainda não decorei seu nome. Na verdade, não decoro nomes de

mulheres, porque costumo sair com tantas, que todos se misturam.

Ela está com um pacote na mão e eu tento, a todo custo, não

apreciar as curvas do seu corpo no vestido azul-escuro.

— Senhor Novack, alguém pediu para que lhe entregassem

isto. — Coloca a caixa sobre a mesa.

— Quem pediu? — Estou pensativo.

O pacote é estranho e eu não sabia que receberia algo hoje.

— Não sei, senhor. Foi entregue na recepção. A pessoa nem

quis entrar para entregar e demonstrava estar chateada. — Exibe

preocupação no rosto.

Olho para a caixa com curiosidade. Quem me entregaria isso?

A mulher sai da sala, fecha a porta e eu a abro. Fico surpreso ao ver

um celular. É igual ao que perdi depois de esbarrar naquela pessoa.

A capa rosa cheia de glitter chama a minha atenção e me leva a

pensar que alguém está pregando uma peça em mim.

É tudo muito estranho. Quem me entregaria um pacote tão

desleixado contendo dentro um aparelho cheio de purpurina? Pego-

o, ligo-o e me surpreendo quando vejo meu papel de parede. É o

meu próprio celular, o qual deixei cair, sendo devolvido para mim.

Está cada vez mais esquisita a situação.

Curioso, desbloqueio a tela e vejo se tudo está como deixei,

porém me surpreendo ao descobrir que a tal pessoa bagunçou tudo

nele, trocando os nomes dos contatos e editando fotos com frases

irônicas. Quem fez isso?

A minha preocupação passa a ser de que tenham roubado

alguma informação minha, prejudicado alguns dos meus projetos ou

até mesmo pegado dados importantes.

Mais surpreendente do que receber meu celular de volta com

um possível roubo de dados, é ler a mensagem que acabou de

chegar.

“Então, bundão... Gostou do que fiz no seu celular? Talvez,

na próxima vez, preste mais atenção e não esbarre em pessoas

aleatórias na rua, deixando-as com a bunda no chão.”

Não sei se é pela ironia ou pelo cansaço em meu corpo, mas

rio do que leio. Seja lá quem for, tem bom humor. Contudo, logo noto

que pode se tratar de alguém perigoso que me hackeou para

conseguir informações minhas.

“Você, estranho, está tentando me chantagear para me roubar

mais coisas?”

O mais irônico de tudo é que comando uma empresa que

tenta evitar esse tipo de situação. Se o dono foi uma vítima, imagine

os clientes. Talvez a pessoa esteja querendo me derrubar ou provar

que não fazemos um bom trabalho. O que não posso permitir.

O engraçado é que não sou respondido. O meu tom de

rispidez deve ter assustado o provável hacker.

Decido deixar essa história um pouco de lado. Estou cansado

e não penso muito bem quando minha cabeça está cheia.

Coloco o celular no bolso e entro no elevador, segurando os

papéis que eu deveria deixar para lá, mas decidi levar para casa.

Quero concluir alguns trabalhos antes que cheguem mais na manhã

seguinte.

Como um idiota curioso, pego o telefone às pressas assim

que o sinto vibrando.

“Senhor bundão, se eu quisesse prejudicar você ou roubar seus

dados, não precisaria me esforçar tanto. Além do mais, devolvi seu

aparelho. Deveria me agradecer por ser mais gentil que o senhor.”

Não sei se isso me tranquiliza. Apesar de louca, essa pessoa

pode estar certa. Dentro deste aparelho tem contatos de gente

importante na minha agenda. O que seria o bastante para me dar

uma bela dor de cabeça.

“Não posso agradecer a uma pessoa que não conheço e que,

principalmente, mudou tudo no meu celular.”

Não obtenho resposta.

Assim que chego no térreo, meu motorista já está à minha

espera. Entro no carro, ainda pensando no acontecido. Minhas

roupas estão cheias de glitter. E, pensando bem nos detalhes, quem

está fazendo esse jogo comigo deve ser uma mulher. Glitter, capa

rosa... Sem falar da pequena estatura da vítima que foi ao chão no

dia anterior.

Como se esse acontecimento fora do comum já não fosse

preocupante, ainda tenho a preocupação com o meu pai, que está

em uma cama de hospital. Não se vai ou não acordar. Desde o seu

acidente, martirizo-me por não ter lhe ajudado da forma como queria

e por não ter sido mais presente. Algo que, provavelmente, teria

evitado todo esse problema. É por isso que estou tão dedicado

agora.

“Posso até sentir sua arrogância de onde estou. Entendo que é

um homem ocupado, mas deveria ser mais gentil às vezes. Assim,

talvez, fosse procurado por afeição, e não por interesse de piranhas

siliconadas.”

Sinceramente, estou com alguma coisa errada na cabeça,

pois rio do seu sarcasmo. Não foi nada demais, apenas uma

provocação descabida, porém é algo que me alegrou.

“Quem é você e qual é o seu nome? Estou achando que é uma

adolescente rebelde que acha que pode brincar com um estranho.”

“Alguns diriam que, de acordo com minha estatura e tipos de

roupas que uso, poderia ser realmente uma adolescente. Mas, não

se preocupe! Não será processado por abuso de menores. E, quanto

ao meu nome, nunca saberá. Não quero nem que sua boca suja o

pronuncie. Para meios de comunicação, pode me chamar de

Birdpink.”

“Que raio de nome é esse? Aposto que não é muito criativa.”

“Não sou. Por isso falei algo que estou vendo em um pôster, no

metrô.”

“Acha que conversar de forma irônica comigo vai me punir pelo

que fiz? Porque não estou exatamente irritado. Achei que fosse

alguém perigoso, mas vejo que é apenas uma mulher que deseja um

pouco de atenção. E, para falar a verdade, estou me divertindo.”

“Está me chamando de egocêntrica? É você quem está se

aproveitando do meu tempo.”

“Foi você quem começou a mandar mensagens, passarinho.”

“Foi uma péssima ideia.”

A conversa que começou estranha está me distraindo do dia

tedioso que tive. Acho que o passarinho está mais irritado do que eu.

“Desculpe-me por ter a derrubado ontem. Foi uma grosseria não

ter a ajudado. Na verdade, isso teria acabado com o mistério,

passarinho. Você me deixou curioso para saber qual é o seu rosto.”

Ela não me responde imediatamente e eu me surpreendo pela

minha espera ansiosa. Nem tinha notado que o carro já estacionou

na garagem do prédio e devo confessar que quero continuar a troca

de mensagens.

No elevador, fico tentando imaginar a mulher com quem me

esbarrei. Se eu não tivesse sido tão desatento e, como ela mesma

disse, um bundão, poderia saber sua identidade. Talvez seja uma

estranha que, ocasionalmente, estava passando pela TEC

Corporation ou uma funcionária. Mas não acho que algum

funcionário teria coragem de fazer tal coisa. Eles parecem me odiar.

Mas se for, seria interessante conhecê-la.

Assim que abro a porta, Hunter vem muito feliz ao meu

encontro. Esse Poodle foi um presente da minha mãe para mim. Ela

disse que eu era muito solitário. Claro... Não sabia sobre as visitas

femininas frequentes a este apartamento.

Como um idiota, pego o aparelho telefônico assim que ele

vibra. Apesar de não gostar do que a mulher fez com ele,

surpreendentemente, ela está me cativando.

“Está, mesmo, pedindo desculpa?”

“Nem sempre sou um bundão. E admito que errei. Se nos

encontrarmos novamente, posso até te pagar um café como um

pedido de desculpa.”

“Não vai rolar. Mas, talvez, se chamar algumas das muitas

mulheres de sua agenda, elas poderão te fazer companhia.”

“Não se preocupe! Meu interesse é puramente investigativo. Não

quero que me interprete mal.”

Minha curiosidade, de fato, está ficando aguçada. Essa

mulher conseguiu me prender em uma conversa enquanto as outras

só falam em roupas e bolsas caras.

“Fico feliz. Eu nunca iria querer ser mais uma em sua lista.

Uma longa lista. E não pensei nisso, mas devo continuar no

anonimato.”

Eu rio, sento-me no sofá e encaro o celular como se, em

meses, estivesse fazendo a coisa mais empolgante.

Esse passarinho acha que conseguirá resistir a mim?

“É impressão minha ou está com medo?”

“Não conte piadas, bundão! Não tenho medo de você.

Acontece que prefiro me manter a uma distância segura.”

“Claro. Porque tem medo de não resistir.”

“O seu egocentrismo chega na atmosfera, bundão.”

O mais interessante de tudo é que não desejo parar de falar

com ela. Ainda nem tirei os sapatos ou afrouxei a gravata; só consigo

olhar para a tela e esperar pela sua resposta.

“Torço para me esbarrar em você outra vez, somente para te

ouvir falar essas coisas olhando em meu rosto.”

“Espero que isso nunca mais volte a acontecer. Não sou

alguém confiante o bastante para dizer na cara tudo que penso.”

Essa mensagem me faz rir.

“Tenho que ir, senhor bundão. Amanhã acordarei cedo, e

ainda tenho que terminar um trabalho.”

“Logo agora, que estava ficando animado.”

“Boa noite, senhor bundão!”

“Gostou mesmo da minha bunda. Não para de falar dela.”

“Já vi melhores.”

“Vou acreditar em você.”

A falta de resposta me deixa frustrado, no entanto acabo me

lembrando do quanto isso é ridículo. Nem faço ideia de quem é a

mulher e já quero ser amigo dela?

Deixo o celular de lado e vou para o banho a fim de esfriar

meu corpo e buscar relaxamento. Em nenhum momento a minha

cabeça deixa de pensar na estranha com quem me esbarrei.

Comecei o dia pensando que ele seria mais um estressante e

chato, mas até que a surpresa me deixou feliz.

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