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Capa do romance Meu  bebê herdeiro

Meu bebê herdeiro

Após dois anos de crise conjugal, Charlotte decide engravidar para salvar sua união, usando material congelado do marido. Contudo, um erro clínico troca as amostras pelo material genético de Henry Castelli, um CEO rebelde que jurou não ter herdeiros após uma traição. Com a morte do esposo e a gestação em curso, Henry ressurge determinado a resolver a confusão. Agora, o bilionário e a viúva enfrentam as consequências de um herdeiro inesperado.
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Capítulo 3

Charlotte.

Retirei-me imediatamente da casa e, envolto no sobretudo, dirigi-me ao apartamento vizinho. Ao me aproximar, percebi que a porta não estava trancada. Abri-a rapidamente, fechando-a logo em seguida, encostando-me nela. Agora, bastava aguardar que David se aproximasse para iniciar minha encenação. Não tinha certeza se funcionaria, mas não custava tentar, não é mesmo?

— Charlotte, abra essa porta agora! — Ouvi-o bater na porta, e um sorriso surgiu em meus lábios.

— Hum... Realmente, você beija muito melhor que meu ex-marido. — Coloquei a palma da mão no peito, simulando um beijo.

— Charlotte! Abra a maldita porta agora! Isso não tem graça, sei que não tem ninguém aí com você. Pelo amor de Deus, a que ponto você é capaz de chegar para evitar que eu me divorcie de você? Chega a ser ridículo!

— Você ouviu alguma coisa, gato? Porque eu não! — Afastei-me da porta, em seguida, bati nela com força, simulando uma pegada. Continuei a encenar uma cena digna de novela, com direito a suspiros e tudo mais.

Foi quando, de repente, as luzes se acenderam, e uma claridade intensa ofuscou meus olhos, obrigando-me a interromper a encenação. Na minha frente, havia um sofá branco, e sobre ele, a silhueta de um homem. Seus cabelos eram negros como carvão, vestia uma jaqueta da mesma cor, seus ombros eram largos, e sua postura parecia rígida.

— Vim atrás do cobre e encontrei o ouro. Obrigado pelo show grátis; foi melhor do que qualquer coisa que eu pudesse pagar e bem mais divertido que qualquer programa cômico. — Sua voz grave ecoou, e então percebi que havia um espelho refletindo minha imagem para ele. Meu corpo estremeceu, assim como meu rosto queimou, quando seus olhos azuis como o oceano me fitaram intensamente, como se estivesse despindo minha alma. Naquele momento, mesmo envolta em um roupão, senti-me como se estivesse nua.

— Eu... eu não sabia que tinha alguém aqui. — Gaguejei nervosa.

— É claro que não, ou não teria protagonizado uma cena daquelas. — Ele se levantou, olhando-me intensamente, e pude perceber a imagem angelical daquele homem, quase sombria. Parecia ser um rapaz jovem, vestindo uma camisa branca por baixo, uma jaqueta preta, calças escuras cheias de detalhes prateados. Seus cabelos eram negros como azeviche, as sobrancelhas grossas destacavam-se em contraste com a pele clara. No entanto, havia algo nele que o tornava misterioso e extremamente atraente, e não podia ser o cigarro em seu dedo, já que eu detestava cigarros.

Pensei em correr, fugir para o mais longe possível dali. Eu era madura o suficiente para reconhecer um problema de perto, e aquele rapaz na casa dos vinte anos exalava problemas, e dos grandes. No entanto, por algum motivo que não conseguia explicar, meu corpo traiçoeiro paralisou no lugar, dando-lhe a oportunidade que precisava para se aproximar. Ele me encarou com um olhar sombrio e cheio de malícia, e antes de soltar uma lufada de fumaça no meu rosto, o que fez meu estômago revirar, sussurrou ao meu ouvido.

— Se realmente deseja provocar ciúmes no seu marido, não acha que seria melhor fazer isso com um homem de verdade? Acredito que posso ser muito mais convincente do que essa encenação fajuta sua. - Comentou sarcástico, e meu rosto queimou violentamente. Não conseguia dizer se era pela vergonha protagonizada ou pela maneira afiada como ele me olhava.

— Muito obrigada, mas se eu estivesse precisando de um homem, eu mesmo encomendava. - Respondi retórica, e ele soltou uma risada debochada.

— Como quiser, mas pelo visto você não parece nem um pouco desesperada, precisando de um homem. Poderíamos nos divertir fazendo o que de melhor nascemos para fazer, quero dizer, não procriar, mas podemos fingir que queremos tentar. - Ele piscou travesso.

— O quê? Nem morta eu dormiria com um desconhecido como você, e muito menos tentaria algo que pudesse gerar uma versão jovem sua no futuro. Meu filho vai ser um grande homem. - Ergui o queixo orgulhosa.

— Bom, então de fato existem pessoas como você? Que não têm uma vida social, ou saberia quem eu sou. De acordo com a genética que se encontra do outro lado da porta, eu duvido muito. Mas boa sorte e até mais. - Ele bateu continência, enfiou o cigarro na boca e se retirou.

— Abusado! - Disse em voz alta, e foi nesse momento que percebi que David estava do outro lado, perguntando algo sobre mim. Saí imediatamente.

— Não aconteceu nada entre nós! - Falei desesperada, e ambos me olharam. David parecia ter sangue nos olhos, enquanto o rapaz desconhecido parecia se divertir com meu embaraço.

— Então o que eu ouvi agora pouco foi uma alucinação? - David afrouxou a gravata, parecendo buscar algum tipo de controle.

— Não, quero dizer sim.

— Sim ou não? O momento que eu tive pareceu bem real para mim, para você não?

— Charlotte, por favor, me diga que você não ficou com o Henry Castelli. - Assim que o sobrenome saiu da boca de David, cheio de fúria, virei o rosto bruscamente na direção daquele homem. Castelli? Ele era da família mais poderosa do país, os irmãos Castelli. Eram quatro, mas recordo que um vivia em outro país. Com certeza era ele, e por isso esse ar rebelde e sombrio, tão diferente dos irmãos que pareciam elegantes e simpáticos.

— O que foi? Por que está me olhando assim? Vai dizer que agora que descobriu meu sobrenome mudou de ideia? - Henry ergueu a sobrancelha sugestivo, e engoli seco, desviando o olhar sem graça.

— Não, David, não aconteceu nada entre nós. Aquilo foi apenas uma encenação para te fazer ciúmes. Diferente de você, eu não sou uma devassa que sai pegando o primeiro homem que vê na frente. - Comentei chateada.

— Você jura que vou acreditar nessa mentira? Então por que esse moleque estava no mesmo apartamento que você, Charlotte? Você não tem como se explicar, está tudo acabado entre nós.

— O quê? David, não. Vamos conversar. - Ameacei tocar nele, e ele se afastou, olhando-me com total frieza.

— Não que eu lhe deva explicações, mas eu acabei de comprá-lo, e eu deixo permanecer quem eu quiser. Sua ex-esposa está convidada a ficar, ao contrário de você. - Henry encarou-me de maneira firme.

— Como se eu fosse querer ficar naquele apartamento.

— Mas quem disse que eu vou ser o dono somente daquele apartamento? A partir de hoje, esse prédio é meu, e eu proíbo a entrada de traidores e covardes como você, David. Por isso, pega sua mulher e dá o fora daqui. - Eles se encararam como dois machos alfas, e percebi que havia alguma rixa estranha da qual eu não fazia ideia do que se tratava.

— Vamos, Charlotte! - David veio até mim, pegando minha mão. Antes que eu fosse embora com ele, senti um par de dedos fechar no meu braço, fazendo-me parar no lugar. Um arrepio percorreu meu corpo quando seus dedos gelados encostaram na minha pele.

— Essa não. Aquela mulher, sua amante, sua esposa, vai ficar comigo. Ela precisa pensar melhor no tipo de homem com quem construiu uma família antes de aceitar te perdoar por ser um grande idiota.

— Ela é minha esposa, Charlotte. - David o encarou de igual para igual, e eu poderia jurar que ele voaria nele a qualquer momento. Por isso, tomei a única opção que me cabia naquele momento.

— Me solta, eu vou com ele. - Esquivei-me dele, que virou o rosto como se estivesse incrédulo.

— Eu já ouvi muito sobre loiras serem desprovidas de inteligência, mas ruivas é a primeira vez. Se essa é sua escolha, fique à vontade. Só espero não te encontrar novamente para te salvar desse cretino. - Estreitei os olhos confusa, enquanto mantinha os seus fixos nos meus, com um misto de decepção e algo que eu não conseguia decifrar.

— Vamos, amor. - David segurou minha mão, arrastando-me para fora, enquanto eu olhava para trás, tentando decifrar o que havia por trás daqueles olhos rebeldes que tanto me fascinavam.

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