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Capa do romance Meu Amante Secreto

Meu Amante Secreto

Mia Lauren viu sua felicidade ruir em um casamento abusivo com um diretor que sabota sua carreira. Determinada a ser atriz, ela aceita um papel em uma agência rival, escondendo a verdade do marido. No set, ela conhece Apollo Castiello, um colega brilhante e arrogante que desperta nela uma atração inevitável. Entre segredos obscuros e uma conexão perigosa, a nova vida de Mia coloca tudo em risco enquanto ela luta para escapar da opressão e seguir seu sonho.
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Capítulo 1

1 - Mia Lauren Hudson

Eu tenho medo de tudo. Tenho medo do que vi, do que fiz, de quem eu sou. Mais que tudo, tenho medo de sair desse quarto e nunca mais na minha vida inteira, sentir o que sinto quando estou com você.

- Dirty Dancing

Eu estava sentada em frente a janela do meu quarto e admirava a neve branca que se acumulava através da estrada e ao redor da nossa casa. O frio me fazia tremer e esconder meu rosto com um lençol fino, a única coisa que me cobria naquele momento. Um barulho de um ronco me fez virar a cabeça e admirar o homem que dormia esparramado sobre o colchão. Sorri para mim mesma e dei um longo suspiro enquanto voltava o olhar para a neve que caia levemente agora.

Eu era casada com Bradley Hudson há dois anos. Eu o amava. Mesmo sabendo que ele não me amava tanto quanto. Mas eu entendia que ele tinha um vasto trabalho, entendia o seu estresse, entedia o porquê de ele não demonstrar gostar de mim, e como o tempo que tínhamos, sempre acabava em brigas. Eu franzi a testa ao ver a mudança dos meus pensamentos. Quase sempre acabava daquele jeito. Nós fazíamos amor, ele dormia, e quando acordava me ignorava e se trancava em seu escritório. Aquilo já se repetiu tanto que se tornou rotina. Uma triste rotina para alguém como eu.

Quando eu conheci Bradley, eu não fazia ideia de que ele seria tão difícil. Não tinha ideia que ele era tão diferente de como eu pensava. Nós passamos apenas três meses namorando e nos casamos. E por mais que eu o ame, eu acho que repensaria novamente.

Eu era uma mulher de 24 anos, uma mulher casada e ao mesmo tempo solitária. Eu ainda me considerava uma menina. Uma menina sem um amor que tanto sonhara que arrebataria seu coração. Mas eu tinha que me contentar com aquilo. Eu tinha que ser feliz com o pouco que Bradley me proporcionava. E quando falo pouco, não é dinheiro, pois ele tinha muito. Mas se ele fosse um pouco mais fácil, e me desse tanto amor quanto ele queria me encher de joias tudo seria tão diferente...

Ah, meu querido Bradley Hudson... Meus pensamentos ecoaram seu nome de maneira doce quando eu coloquei o edredom sobre seu corpo.

Eu sabia que muitos me julgavam por amá-lo, sabia que muitos me julgavam por aceitá-lo de uma maneira tão vaga, por não me dá a atenção que toda esposa merecia, mas mesmo assim, com todos os defeitos, foi ele quem eu escolhi. Foi apenas ele que eu permiti aproximar. E eu não podia me arrepender disso. Eu não tinha que me arrepender disso. Uma hora ou outra ele iria mudar, iria me perguntar como estou ou como foi meu dia, ou apenas me abraçar e dizer que eu estava bonita. Uma hora ele iria falar algumas coisas dessas. Ou até mais... Dizer que me ama, e me fazer ter certeza de que não era da boca pra fora.

Um som de telefone tocando na sala me fez dar um sobressalto e desviar meus pensamentos. Abri meu closet e tirei uma roupa qualquer, mas que conseguisse me esquentar. Abri as portas do quarto e em passos rápidos atravessei a sala. Ao me aproximar do telefone, a Sra. Duart já estava pronta a atender.

- Pode deixar que eu atendo, Duart. - Sorri me aproximando.

- Claro, Sra. Hudson. - Ela fez um aceno com a cabeça e saiu da sala.

Observei nossa empregada voltar para cozinha e por fim, levei o telefone até minha orelha.

- Casa dos Hudson. - Atendi, do jeito que Bradley me forçou a aprender.

- Quero falar com Mia Lauren Hudson, ela está? - Uma voz masculina e um tanto profissional ecoou do telefone.

- Sim, sou eu. - Franzi o cenho comigo mesmo. - Quem está falando?

- Olá, Mia - Aquela voz soou animada. - Somos da NewScene. Queremos marcar uma reunião.

Senti minha garganta fechar e um nervosismo me percorrer. Era a NewScene!!! Meu Deus, há quanto tempo eu esperava aquela ligação?! Controlando minha respiração e uma alegria já desconhecida, respirei fundo.

- Por quê? - A ansiedade me corroeu. Mas quase pude ouvir a voz de Bradley me forçando a aprender que curiosidade e sentimentos estavam fora da área de trabalho. - Quer dizer, vocês me aceitaram?

- Sim. Nossos produtores acharam a personagem ideal para seu porte, Mia. Parabéns.

Não acredito... Não acredito. Sorri e andei em passos rápidos quase pulando pela sala.

- Obrigada. E a reunião? Quando será? - Eu não parava de sorrir.

- Hoje, às 17:00 da tarde. - Ele disse.

E naquele mesmo instante, eu desanimei. Era um dia de domingo. E Bradley não me permitia sair nos finais de semana. Ele apenas queria que eu ficasse em casa e aproveitasse o descanso. Eu só não entendia por que ele podia, e eu não. Bom, talvez ele poderia abrir essa exceção. Era um sonho meu que estava prestes a realizar. Ele ficaria feliz por mim. Ele me acompanharia nisso, não era? Bom, eu esperava.

- Mia? Você está aí? - A voz no telefone me causou outro sobressalto.

Eu tinha que parar de me distrair daquele jeito, eu precisava parar de me assustar daquele jeito. Bradley sempre dizia que eu era despreparada.

- Hoje. Às 17:00. - Concordei. - Na central da NewScene?

- Isso. - O homem parecia animado. - Esperamos por você.

- Obrigada. - Desliguei o telefone.

Meu Deus!!! Era quase oficial. Eu seria atriz, eu iria estrelar numa tela de cinema para o mundo todo. A felicidade em meu peito era tanta.

Lembro que quando falei a Bradley que meu sonho era ser atriz, ele riu com desdém. Mas também sei que ele não queria me dá esperança com algo que talvez eu não fosse boa o suficiente. Bradley também era diretor de filmes e ele estava abrindo um patrocínio com outra locadora de filmes e...

Então a ficha caiu. O que Bradley acharia se sua mulher fosse trabalhar para uma inimiga de trabalho? Ah, eu não havia pensado naquilo. Sentei-me no sofá e comecei a roer minhas unhas.

Mas ele poderia evitar isso, poderia simplesmente te ajudar com seu sonho e conseguir um papel em seus filmes famosos pelo mundo, meu subconsciente tentou me ajudar.

Não...

Bradley estava certo quando não me ajudou com o meu sonho. Ele era tão mais velho e sábio que eu. Tinha o domínio de tudo aquilo. Eu era apenas uma sonhadora...

Mas aquele era meu sonho e sonhos são essenciais e não, eu não podia ficar com medo de Bradley. Ele era meu marido, não meu dono. Mas quase sempre ele fazia esse papel. Quase sempre ele me fazia tão pequena...

Soltei um longo suspiro e fiz uma prece silenciosa que pedia que Bradley, ao menos uma vez, me entendesse e acreditasse em mim. Eu pedi que seu coração se abrisse e que ele me amasse. Porque estava difícil fingir, estava difícil mostrar que eu era tão feliz.

Eu precisava de um amor, de verdade. E se Bradley não pudesse me dar, eu iria achar em outro lugar.

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