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Capa do romance Meu Adorável Chefe

Meu Adorável Chefe

Martina sempre viu a vida como uma batalha árdua onde nada é garantido, rejeitando ideias de destino ou sorte. No entanto, sua perspectiva é testada após ser demitida e sofrer um atropelamento ao salvar uma criança. Esse evento trágico a coloca em um caminho inesperado, provando que o futuro é imprevisível. Quando ela acreditava ter o controle, a realidade mostra que o acaso pode mudar tudo, levando-a a um destino que jamais ousou imaginar.
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Capítulo 3

— Mas porque não me disse que era você? — Javier perguntou ainda me olhando.

— Eu quis fazer uma surpresa. — brinquei e ele riu mais ainda. Que sorriso é esse!

— Vamos sentar. — sentei de frente para ele. — Você simplesmente sumiu ontem, nem me deixou te ajudar.

— Tá tudo bem.

— Você se machucou, sentiu alguma dor?

— Eu to bem, não se preocupe, só vou ganhar uma cicatriz no joelho.

Ele me olhou sem entender. Levantei e parei ao seu lado, levantei um pouco o vestido e ele olhou para o meu joelho, ficando surpreso.

— Nossa! Tá feio isso! — falou olhando de perto e colocando a mão na minha perna. Senti um formigamento no lugar que a mão dele tocou, mas tentei disfarçar.

— Tá tudo bem. — garanti me afastando e sentei de novo. — Eu to tomando remédios, falando nisso, pode pedir uma água pra mim? Ta na hora eu tomar o remédio.

— É claro. — ele se virou pra chamar o garçom e eu pude observá-lo mais um pouco.

Javier usava uma camisa polo azul marinho que combinava bem com ele. O braço esquerdo era cheio de tatuagens, no outro braço que estava em cima da mesa, deu pra ver o nome da Catalina tatuado, dava pra perceber que ele era louco pela filha. Os botões abertos da camisa mostravam o início do peito, me imaginei correndo a mão pelo peitoral dele. Que devia ser maravilhoso.

— Pronto. — Javier disse sorrindo e saí do meu devaneio. O garçom tinha trazido a água.

Agradeci com um sorriso e peguei o remédio na bolsa tomando junto com a água, Javier não tirava os olhos de mim. Eu podia ficar encabulada ou me sentir tímida, mas eu não era assim.

Enfiei a mão na bolsa e peguei o celular.

— Está aqui o celular da sua filha. — coloquei o aparelho em cima da mesa e Javier o pegou.

— Não estou acusando você, mas como ele foi parar na sua mão? — ele perguntou colocando o celular no bolso.

— Na hora que o carro bateu em mim, minha bolsa caiu no chão, eu recolhi tudo e joguei dentro, o celular da sua filha devia ta no chão também e eu peguei por engano.

— Claro, me desculpe à pergunta.

— Não precisa pedir desculpas. — coloquei a bolsa no ombro, eu queria ficar mais tempo conversando com ele, mas precisava procurar emprego. — Bom eu já vou indo, o celular está entregue.

Fiz menção de levantar, mas ele segurou meu braço.

— Espera, fica mais um pouco, você nem me disse seu nome.

— Martina.

— É um nome bonito.

— Obrigada.

Olhei pra aquele rosto bonito. Ele podia fazer uma mulher perder facilmente a cabeça, era só continuar sorrindo daquele jeito.

—Eu ia perguntar se você gostaria de tomar um drinque comigo, mas acho que não dá. — olhou sugestivamente para o meu joelho e eu ri.

— Não, talvez em outra oportunidade. — mas eu pensei um pouco, se Javier Rodríguez estava flertando comigo, eu também poderia flertar com ele. — Mas um refrigerante eu posso.

Ele sorriu mais ainda, se possível e seu olhar brilhou.

— Um refrigerante tá ótimo.

Ele pediu duas cocas. Tomei um gole, estava geladinha, uma delícia. Olhei distraidamente para uma das janelas de vidro e o sol brilhava lá fora.

— Me desculpe. — ele pediu abaixando o olhar. — Você deve ir trabalhar ainda e eu aqui te prendendo.

— Na verdade, eu vou procurar um emprego. — corrigi sorrindo e ele levantou o olhar pra mim.

— Sério? — parecia surpreso.

— Sim, fui demitida ontem.

— Por quê? — dei risada e ele riu também. — Me desculpa a curiosidade.

— Digamos que eu não consiga manter a boca fechada em determinadas situações, principalmente se for injustiça.

— É uma defensora então?

— Quando acho necessário.

— Mas você já tem algum emprego em vista?

— Ainda não.

— Tem experiência em qual área?

Estranhei aquelas perguntas, principalmente quando ele recostou na cadeira e me olhou intensamente.

— Garçonete, operadora de caixa, faxineira, o que aparecer eu faço.

— Tem experiência com crianças?

— Por acaso isso é uma entrevista de emprego? — perguntei rindo e tomando o restante do refrigerante.

— Talvez. — Javier sorriu enigmático e eu parei de sorrir, não entendendo nada.

— Desculpe, mas eu não entendi.

— Eu vou ser direto com você, preciso de uma babá pra minha filha e gostaria de contratá-la.

Agora sim meu queixo caiu de vez! Eu devia estar com cara de idiota, porque ele riu.

— Mas... por quê? — foi à única coisa que conseguir perguntar de tão surpresa que estava.

— Porque acho que minha filha vai gostar de você.

Eu ainda estava muito surpresa.

— Desculpe, mas você quer contratar uma pessoa que mal conhece pra cuidar da sua filha? Tem certeza disso?

— Posso até não conhecê-la Martina, ainda, mas ontem você se jogou na frente de um carro pra proteger minha filha, uma criança que você não conhecia, e pra mim isso basta.

O modo como ele falou aquilo, de algum jeito, tocou em meu coração e me fez muito bem.

— Eu não sei, nunca fui babá.

— A Catalina não é uma criança difícil de lidar, você vai ver.

— Me desculpe a curiosidade, mas porque você não procura uma agência qualificada pra isso?

— Eu já fiz isso e não deu muito certo. — Javier passou a mão pelos cabelos bem arrumados. — Eu queria uma babá que falasse espanhol, é o único idioma que minha filha fala, por enquanto, e as moças que a agência mandou, não foram do meu agrado.

Eu não sabia o que dizer, pela primeira vez na vida, eu estava sem palavras.

— Por um tempo minha mãe veio me ajudar, mas ela volta pra Colômbia amanhã. Não seria justo com ela fazê-la parar a vida dela lá, pra vir me ajudar aqui.

— E a mãe da Catalina? — indaguei achando natural fazer aquela pergunta, mas quando Javier me encarou surpreso, acho que não foi uma boa ideia. — Desculpe, não quis ser intrometida.

— Você não sabe? — ele perguntou agora rindo.

— Saber de que?

— Eu me separei da mãe dela há alguns meses.

Agora entendi o que ele quis dizer com “Você não sabe.” Mas a criança não deveria ficar com a mãe em caso de separação? Achei melhor não perguntar.

— Eu não leio revistas de fofoca e muito menos sites.

— Você me conhecia antes do que aconteceu ontem?

— Sim. — fui sincera. — Assisti há alguns jogos seus pela Colômbia durante a copa, você joga bem e eu fiquei chateada quando o seu time foi eliminado nas oitavas.

Javier me encarou novamente surpreso.

— Que? Eu estava torcendo pelo seu time, depois do meu é claro.

— A Alemanha, lógico.

— Sou brasileira.

— Sério?

— Sim. Mas estamos perdendo o foco Javier Rodríguez.

— Você tem razão, então aceita minha proposta?

— Eu não sei...

— Dois mil e oitocentos euros.

— Oi? — achei que não tinha entendido direito.

— Eu lhe pago dois mil e oitocentos euros por mês para ser babá da minha filha.

Dois mil e oitocentos euros?!

— Você é louco!

— Três mil euros e não se fala mais nisso.

— Javier eu...

— Martina eu preciso de alguém que cuide da minha filha, que brinque com ela e lhe dê atenção, e não uma babá que acha que está em um quartel general e dita ordens como se minha filha fosse um soldado.

Tive que rir com aquilo.

— Aceite Martina, você está precisando de um emprego e eu de alguém que cuide da Catalina.

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