
Meu Adorável Chefe
Capítulo 3
— Mas porque não me disse que era você? — Javier perguntou ainda me olhando.
— Eu quis fazer uma surpresa. — brinquei e ele riu mais ainda. Que sorriso é esse!
— Vamos sentar. — sentei de frente para ele. — Você simplesmente sumiu ontem, nem me deixou te ajudar.
— Tá tudo bem.
— Você se machucou, sentiu alguma dor?
— Eu to bem, não se preocupe, só vou ganhar uma cicatriz no joelho.
Ele me olhou sem entender. Levantei e parei ao seu lado, levantei um pouco o vestido e ele olhou para o meu joelho, ficando surpreso.
— Nossa! Tá feio isso! — falou olhando de perto e colocando a mão na minha perna. Senti um formigamento no lugar que a mão dele tocou, mas tentei disfarçar.
— Tá tudo bem. — garanti me afastando e sentei de novo. — Eu to tomando remédios, falando nisso, pode pedir uma água pra mim? Ta na hora eu tomar o remédio.
— É claro. — ele se virou pra chamar o garçom e eu pude observá-lo mais um pouco.
Javier usava uma camisa polo azul marinho que combinava bem com ele. O braço esquerdo era cheio de tatuagens, no outro braço que estava em cima da mesa, deu pra ver o nome da Catalina tatuado, dava pra perceber que ele era louco pela filha. Os botões abertos da camisa mostravam o início do peito, me imaginei correndo a mão pelo peitoral dele. Que devia ser maravilhoso.
— Pronto. — Javier disse sorrindo e saí do meu devaneio. O garçom tinha trazido a água.
Agradeci com um sorriso e peguei o remédio na bolsa tomando junto com a água, Javier não tirava os olhos de mim. Eu podia ficar encabulada ou me sentir tímida, mas eu não era assim.
Enfiei a mão na bolsa e peguei o celular.
— Está aqui o celular da sua filha. — coloquei o aparelho em cima da mesa e Javier o pegou.
— Não estou acusando você, mas como ele foi parar na sua mão? — ele perguntou colocando o celular no bolso.
— Na hora que o carro bateu em mim, minha bolsa caiu no chão, eu recolhi tudo e joguei dentro, o celular da sua filha devia ta no chão também e eu peguei por engano.
— Claro, me desculpe à pergunta.
— Não precisa pedir desculpas. — coloquei a bolsa no ombro, eu queria ficar mais tempo conversando com ele, mas precisava procurar emprego. — Bom eu já vou indo, o celular está entregue.
Fiz menção de levantar, mas ele segurou meu braço.
— Espera, fica mais um pouco, você nem me disse seu nome.
— Martina.
— É um nome bonito.
— Obrigada.
Olhei pra aquele rosto bonito. Ele podia fazer uma mulher perder facilmente a cabeça, era só continuar sorrindo daquele jeito.
—Eu ia perguntar se você gostaria de tomar um drinque comigo, mas acho que não dá. — olhou sugestivamente para o meu joelho e eu ri.
— Não, talvez em outra oportunidade. — mas eu pensei um pouco, se Javier Rodríguez estava flertando comigo, eu também poderia flertar com ele. — Mas um refrigerante eu posso.
Ele sorriu mais ainda, se possível e seu olhar brilhou.
— Um refrigerante tá ótimo.
Ele pediu duas cocas. Tomei um gole, estava geladinha, uma delícia. Olhei distraidamente para uma das janelas de vidro e o sol brilhava lá fora.
— Me desculpe. — ele pediu abaixando o olhar. — Você deve ir trabalhar ainda e eu aqui te prendendo.
— Na verdade, eu vou procurar um emprego. — corrigi sorrindo e ele levantou o olhar pra mim.
— Sério? — parecia surpreso.
— Sim, fui demitida ontem.
— Por quê? — dei risada e ele riu também. — Me desculpa a curiosidade.
— Digamos que eu não consiga manter a boca fechada em determinadas situações, principalmente se for injustiça.
— É uma defensora então?
— Quando acho necessário.
— Mas você já tem algum emprego em vista?
— Ainda não.
— Tem experiência em qual área?
Estranhei aquelas perguntas, principalmente quando ele recostou na cadeira e me olhou intensamente.
— Garçonete, operadora de caixa, faxineira, o que aparecer eu faço.
— Tem experiência com crianças?
— Por acaso isso é uma entrevista de emprego? — perguntei rindo e tomando o restante do refrigerante.
— Talvez. — Javier sorriu enigmático e eu parei de sorrir, não entendendo nada.
— Desculpe, mas eu não entendi.
— Eu vou ser direto com você, preciso de uma babá pra minha filha e gostaria de contratá-la.
Agora sim meu queixo caiu de vez! Eu devia estar com cara de idiota, porque ele riu.
— Mas... por quê? — foi à única coisa que conseguir perguntar de tão surpresa que estava.
— Porque acho que minha filha vai gostar de você.
Eu ainda estava muito surpresa.
— Desculpe, mas você quer contratar uma pessoa que mal conhece pra cuidar da sua filha? Tem certeza disso?
— Posso até não conhecê-la Martina, ainda, mas ontem você se jogou na frente de um carro pra proteger minha filha, uma criança que você não conhecia, e pra mim isso basta.
O modo como ele falou aquilo, de algum jeito, tocou em meu coração e me fez muito bem.
— Eu não sei, nunca fui babá.
— A Catalina não é uma criança difícil de lidar, você vai ver.
— Me desculpe a curiosidade, mas porque você não procura uma agência qualificada pra isso?
— Eu já fiz isso e não deu muito certo. — Javier passou a mão pelos cabelos bem arrumados. — Eu queria uma babá que falasse espanhol, é o único idioma que minha filha fala, por enquanto, e as moças que a agência mandou, não foram do meu agrado.
Eu não sabia o que dizer, pela primeira vez na vida, eu estava sem palavras.
— Por um tempo minha mãe veio me ajudar, mas ela volta pra Colômbia amanhã. Não seria justo com ela fazê-la parar a vida dela lá, pra vir me ajudar aqui.
— E a mãe da Catalina? — indaguei achando natural fazer aquela pergunta, mas quando Javier me encarou surpreso, acho que não foi uma boa ideia. — Desculpe, não quis ser intrometida.
— Você não sabe? — ele perguntou agora rindo.
— Saber de que?
— Eu me separei da mãe dela há alguns meses.
Agora entendi o que ele quis dizer com “Você não sabe.” Mas a criança não deveria ficar com a mãe em caso de separação? Achei melhor não perguntar.
— Eu não leio revistas de fofoca e muito menos sites.
— Você me conhecia antes do que aconteceu ontem?
— Sim. — fui sincera. — Assisti há alguns jogos seus pela Colômbia durante a copa, você joga bem e eu fiquei chateada quando o seu time foi eliminado nas oitavas.
Javier me encarou novamente surpreso.
— Que? Eu estava torcendo pelo seu time, depois do meu é claro.
— A Alemanha, lógico.
— Sou brasileira.
— Sério?
— Sim. Mas estamos perdendo o foco Javier Rodríguez.
— Você tem razão, então aceita minha proposta?
— Eu não sei...
— Dois mil e oitocentos euros.
— Oi? — achei que não tinha entendido direito.
— Eu lhe pago dois mil e oitocentos euros por mês para ser babá da minha filha.
Dois mil e oitocentos euros?!
— Você é louco!
— Três mil euros e não se fala mais nisso.
— Javier eu...
— Martina eu preciso de alguém que cuide da minha filha, que brinque com ela e lhe dê atenção, e não uma babá que acha que está em um quartel general e dita ordens como se minha filha fosse um soldado.
Tive que rir com aquilo.
— Aceite Martina, você está precisando de um emprego e eu de alguém que cuide da Catalina.
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